Nesta quinta-feira (3), a Sulgás inicia o fornecimento de gás natural para dois novos mercados: Gramado e Canela. O CEO da distribuidora, Marcelo Leite, detalha que um dos desafios para desenvolver o projeto foi o fato do local verificar uma enorme quantidade de rochas basálticas. Ele informa que na iniciativa, desde a concepção há cinco anos até a concretização, foram investidos aproximadamente R$ 40 milhões e mais R$ 30 milhões serão desembolsados, futuramente, para ampliar a malha de gasodutos naquela área.
O diretor comercial da concessionária, Silvio Del Boni, comenta que a empresa já tem nessas cidades 796 clientes, desde menores consumidores, como comércios e residências, até indústrias e um posto de gás natural veicular (GNV). “E obviamente as redes de hotéis e restaurantes são um grande foco nosso”, frisa o diretor.
Após a privatização da Sulgás (a Compass Gás & Energia assumiu o controle da companhia em janeiro de 2022, após ter vencido leilão pela empresa, ocorrido em outubro de 2021, com um lance único de R$ 927,8 milhões), Leite destaca que, em um ano e meio, foram cerca de R$ 100 milhões em aportes feitos pela distribuidora. “Comparados aos 18 meses anteriores (da desestatização), o investimento já é 30% maior”, indica o CEO.
Leite adianta que a previsão da Sulgás é investir mais R$ 380 milhões nos próximos cinco a seis anos. O objetivo principal será aumentar a malha de gasodutos, mas também serão encaminhados recursos para o desenvolvimento de tecnologias que tornem o negócio da empresa mais eficiente. Atualmente, a malha de gasodutos da companhia é constituída de 1,48 mil quilômetros e a expectativa é atingir 1,73 mil quilômetros antes do final da década.
O CEO da Sulgás ressalta ainda que, antes da privatização, a distribuidora registrava em torno de 70 mil clientes e, agora, possui cerca de 84 mil e quer aumentar, nos próximos cinco a seis anos, para 150 mil consumidores. Leite explica que o maior potencial de crescimento da empresa se encontra na ampliação da estrutura de sua rede e no fornecimento de gás natural nos municípios em que já atua. Entre as cidades que serão destaques nessa expansão, complementa Del Boni, estão Porto Alegre e Caxias do Sul. No momento, a Sulgás atende a 42 municípios gaúchos.
O diretor comercial salienta que a diversificação das atividades pode ser feita também através de redes locais e isoladas do restante da malha, como ocorreu em Lajeado, em que a estrutura é abastecida por gás natural comprimido (GNC), ou seja, transportado até o local por caminhões e não por outro gasoduto. “Isso nos abre uma perspectiva muito interessante quanto a municípios que estejam um pouco mais distantes da nossa rede, como Pelotas”, revela Del Boni.
Sobre as alterações do preço de venda do gás natural e da margem bruta da Sulgás, que foram recentemente analisadas pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs), Leite informa que a empresa já encaminhou suas planilhas de dados para o órgão regulador e a perspectiva é que os novos valores para o consumidor final sejam efetivados ainda em agosto. A expectativa é de uma redução média de 17,99% na tarifa do gás natural, dependendo do segmento e faixa de consumo.
Perspectiva é de aumento da oferta do combustível no Rio Grande do Sul
Hoje, praticamente toda a capacidade de cerca de 2,6 milhões de metros cúbicos diários de gás natural transportados pelo gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) que chega no Rio Grande do Sul e depois é distribuída pela Sulgás está contratada. O CEO da concessionária, Marcelo Leite, lembra que essa questão de uma demanda maior que a oferta do combustível é uma dificuldade histórica enfrentada pelo Estado, contudo ele espera que possa haver soluções para esse cenário.
“O gargalo não é a molécula, o gás em si, mas o transporte, a chegada do gás aqui é o grande desafio”, aponta o executivo. Ele recorda que há várias alternativas que estão sendo levantadas no mercado (por diversas empresas) para resolver esse problema como, por exemplo, a importação do gás argentino da jazida de Vaca Muerta, a duplicação do Gasbol ou a instalação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) em Rio Grande. Porém, Leite admite que qualquer uma dessas opções deve demorar um pouco para sair do papel.
Antes da concretização de alguma dessas ações, revela o diretor comercial da Sulgás, Silvio Del Boni, são esperadas medidas de melhoria por parte da operadora do Gasbol, a TBG, no trecho Sul da estrutura, em Santa Catarina, o que permitirá agregar a oferta de gás natural em mais 400 mil a 600 mil metros cúbicos ao dia para o Rio Grande do Sul. “O que seria um alento”, assinala Del Boni. Entretanto, ele prevê que esse empreendimento só será finalizado no próximo ano ou começo de 2025.


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