Encerrando seu discurso nesta quinta-feira, em Xangai, durante a posse de Dilma Rousseff no Banco do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) improvisou uma crítica ao individualismo.
Foi uma das passagens mais aplaudidas. "Nós precisamos derrotar o individualismo, que está tomando conta da humanidade. A humanidade nasceu para viver em comunidade."
O petista ecoava um dos conceitos mais repetidos pelo líder chinês, Xi Jinping, com quem ele tem um encontro marcado nesta sexta (14). "Uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade" é um dos bordões em torno dos quais a política externa chinesa foi erguida na última década.
Para Lula, "a química da bondade, da lealdade, da fraternidade é que tem que prevalecer entre os seres humanos e entre os Estados, senão nós não iremos reconstruir um mundo justo". O petista defendeu ainda "dispersar o ódio estabelecido não só no Brasil, mas em vários países do mundo".
"Além de cuidar da educação, da exportação, além de cuidar de tudo, temos que cuidar da cabeça da humanidade, que está sendo transformada", disse Lula. "É preciso que o humanismo reaja".
O presidente brasileiro se encontra com o dirigente chinês na tarde desta sexta, no Grande Salão do Povo, na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Antes, Lula deve depositar flores no Monumento aos Heróis do Povo, obelisco de quase 38 metros de altura que ilustra batalhas históricas da China.
Na pauta do encontro entre Lula e Xi deve estar a adesão do Brasil à Iniciativa Cinturão e Rota, projeto trilionário de investimento chinês em infraestrutura --uma das pontas soltas para as quais se espera um desfecho durante a estadia do petista na China
A BRI (sigla em inglês para a inciativa) completa dez anos em setembro e já conta com 21 países latino-americanos. O regime de Xi Jinping tem pressionado o governo brasileiro em busca de um ingresso formal para fazer deslanchar os investimentos que Lula deseja em novos ativos produtivos de infraestrutura, inclusive ferrovias e hidrelétricas. Esse cenário, no entanto, preocupa os EUA, que veem na expansão da Iniciativa Cinturão e Rota uma tentativa de Pequim de ampliar sua influência.
Embora a busca de investimentos chineses em infraestrutura seja uma das prioridades de Lula nas negociações --no encontro desta sexta, ele deve assinar uma série de acordos com Xi--, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que o ingresso à "Nova Rota da Seda", como é também chamado o projeto, não seria um deles.
Dilma toma posse na presidência do banco dos Brics
Dilma Rousseff destacou compromisso do banco com a infraestrutura
/Ricardo Stuckert/PR
A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff tomou posse nesta quinta-feira na presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), o chamado banco dos Brics - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A cerimônia aconteceu em Xangai, na China, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
No discurso de posse, Dilma destacou o compromisso do banco na mobilização de recursos para investimentos em "energia limpa e eficiente, infraestrutura de transporte, água e saneamento, proteção ambiental, infraestrutura social e infraestrutura digital".
A nova chefe do NDB também destacou o combate à pobreza, a superação das desigualdades e a promoção do desenvolvimento compartilhado entre os países-membros como metas de sua gestão.
"Vamos desenvolver modelos de financiamento inovadores, capazes de alavancar recursos públicos e privados para obter o máximo impacto. Captaremos recursos dos mais diversos mercados mundiais, em diferentes moedas, com renminbi e euro. Buscaremos financiar nossos projetos em moedas locais, privilegiando os mercados domésticos e diminuindo a exposição às variações cambiais. Nosso objetivo é construir alternativas financeiras robustas para os países-membros", afirmou Dilma.
A presidente do NDB também disse que a instituição não pode agir sozinha. "Queremos buscar reconstruir parcerias com os bancos nacionais de desenvolvimento", afirmou, mencionando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como exemplo.
Segundo Dilma, o NDB vai dar "grande prioridade" ao levantamento de fundos próprios para o financiamento de projetos. O banco, segundo a ex-presidente do Brasil, está em uma "posição única para liderar o caminho ao modelo de desenvolvimento de um mundo próspero", respeitando as características de cada país.
Os integrantes do Brics somam população de 3 bilhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 25 trilhões.
Presidente visita centro de pesquisa de empresa de tecnologia em Xangai
Lula testou uma das ferramentas de conectividade da Huawei
/Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quinta-feira o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa de tecnologia Huawei, em Xangai, que também atua há 25 anos no Brasil. Lula está em viagem a China onde também se encontrou com empresários e autoridades políticas.
"Visitei o centro de desenvolvimento de tecnologias da Huawei. A empresa fez uma apresentação sobre 5G e soluções em telemedicina, educação e conectividade. Um investimento muito forte em pesquisa e inovação", escreveu o presidente em publicação nas redes sociais.
Em comunicado, a Presidência da República informou que a Huawei reforçou o compromisso de trabalhar numa perspectiva de longo prazo para o desenvolvimento sustentável do Brasil, em parcerias com foco em conectividade, inclusão digital, educação, saúde e reindustrialização. "A apresentação mostrou, por exemplo, conquistas em projetos de conectividade digital em zonas remotas da Amazônia e ações para conectar escolas públicas e interligar setores de segurança", destacou.


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