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Economia

Leilão

- Publicada em 15 de Março de 2023 às 17:30

Leilão do último ativo do Estaleiro Só termina sem arrematante nesta quarta-feira

Shopping Pontal e praça pública agora ficam localizados no antigo terreno do Estaleiro Só

Shopping Pontal e praça pública agora ficam localizados no antigo terreno do Estaleiro Só


PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
O último ativo do Estaleiro Só, indústria naval que faliu em 1995, foi à leilão nesta quarta-feira (15). Marcado para às 14h, a licitação foi encerrada apenas 10 minutos depois, sem arrematante. Estavam em leilão, conforme explicou o leiloeiro Naio Raupp, os "direitos creditórios" da massa falida do Estaleiro Só.
O último ativo do Estaleiro Só, indústria naval que faliu em 1995, foi à leilão nesta quarta-feira (15). Marcado para às 14h, a licitação foi encerrada apenas 10 minutos depois, sem arrematante. Estavam em leilão, conforme explicou o leiloeiro Naio Raupp, os "direitos creditórios" da massa falida do Estaleiro Só.
Em outras palavras, os direitos creditórios significam os valores que a empresa recebe quando conclui uma ação na Justiça. A massa falida do Estaleiro Só tem uma ação contra a União, na condição de sucessora do Instituto de Resseguros do Brasil, que corre na Justiça do Rio de Janeiro. 
Sem licitantes, o pregão, que aconteceu de forma eletrônica e presencial em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, tinha um lance inicial de R$ 367 milhões. Os valores dos direitos creditórios seriam ulteriormente recebidos pelo potencial arrematante por meio de precatório, mas ainda estavam indefinidos.
No edital do leilão, consta que a massa falida do Estaleiro Só apresentou cálculos, em abril de 2016, a título de indenização devida pela União no total de R$ 982.407.484,07. Esse montante foi rejeitado pela União Federal, havendo divergência sobre grande parte do valor. A União recorre e afirma que o valor incontroverso (fixo, que não deve mudar) é de R$ 106.159.541,34.
O documento deixa claro, ainda, que "nessa ordem de ideias, o terceiro que realmente manifestar interesse em adquirir crédito, que ainda é passível de liquidação, deverá arcar com o risco caso o valor apurado em liquidação seja menor em relação ao valor da aquisição, assim como a ele caberá os louros da conquista, caso o valor seja superior ao da aquisição", diz o edital.
Outros ativos da empresa já foram vendidos, inclusive o terreno do antigo Estaleiro Só na zona Sul da Capital. A construtora Melnick Even em parceria com a BMPAR e Hospital Moinhos de Vento executaram o projeto, que inclui shopping, hotel, salas comerciais e consultórios médicos, além de uma praça pública de 29 mil metros quadrados.
Agora, um novo leilão sobre os montantes de ação depende de decisão do administrador judicial da massa falida e da Justiça. No primeiro leilão, além do administrador, participaram também os representantes do Ministério Público.

História do Estaleiro Só

O Estaleiro Só foi uma empresa brasileira construtora de navios. Sediada em Porto Alegre, foi considerada uma das pioneiras da indústria naval do País. Ela surgiu em 1850, e suas atividades se encerraram somente em 1995, mais de um século depois. A indústria teve importante papel na história brasileira ao ser a fornecedora de suprimentos para as tropas imperiais e provinciais pela ocasião das Guerras da Independência, da Revolução Farroupilha e em 1865, ano em que transcorria a Guerra do Paraguai.
A empresa viveu sua melhor fase a partir de 1949, quando mudou suas instalações para a Ponta do Melo, na capital gaúcha. Lá, construiu cerca de 170 embarcações. Já na década de 1970, a empresa tinha um quadro de mais de três mil trabalhadores, distribuídos em uma área de 53 mil metros quadrados.