Acumulando prejuízos ao longo do ano devido ao desabastecimento de grãos no Estado, a Languiru adota medidas de austeridade para enfrentar a crise que atinge o setor. Nesta semana, durante assembleia da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), o presidente da cooperativa do Vale do Taquari, Dirceu Bayer, anunciou a redução temporária do quadro de funcionários – com a não reposição de vagas – e a ampliação dos negócios com o incremento na captação de milho, soja e trigo como principais estratégias.
Ao detalhar os processos de reengenharia, o dirigente explica que estes quase 1 mil postos de trabalho fechados momentaneamente (500 imediatos e 500 nos próximos meses), “podem ser restabelecidos em dois ou três meses, assim que as coisas melhorarem”.
Para implementar o novo modelo focado no mercado de commodities, a associação investiu R$ 120 milhões e R$ 40 milhões no Porto de Estrela – 9,6 hectares de área que será inaugurada nesta sexta-feira (16). De acordo com Bayer, esta é uma das saídas com objetivo de mantar a competitividade. “Você não encontra outras empresas com a diversidade de negócios que a Languiru tem, e todas elas estão finalizando com prejuízo. Por isso, estamos abrindo para novos mercados que antes não atendíamos por falta de habilitação."
Entre os ajustes, está a redução de peso de abate dos animais. “Em vez de receber frangos de 3 quilos, passaremos a trabalhar com 2,5 quilos. Os suínos serão aceitos com 110 quilos, 30 a menos do que o padrão atual”, explica Bayer. A solução deve gerar uma economia de R$ 46 milhões no ano, conduzindo 2023 para uma estabilização no faturamento e um aumento em lucratividade.
O enxugamento passa também pelo varejo, mantendo a atividade e arrendando parte dos supermercados da cooperativa. “Trabalhamos com a venda de unidades em contratos de recompra para daqui três ou quatro anos. Como nós formamos um patrimônio, no momento da dificuldade temos condições de fazer isso sem, necessariamente, sair do negócio”, ressalta o presidente.
Levando-se em consideração todos os segmentos que atua – leite, carnes, rações, supermercados, lojas agropecuárias, postos de combustível e farmácia –, a previsão é fechar o ano com um faturamento de R$ 2,8 bilhões, um crescimento de 20% em relação a 2021.
Ao salientar que a empresa gera 3,5 mil empregos e paga mais de R$ 250 milhões em impostos, o presidente clama por políticas públicas amigáveis à indústria de transformação. “Eu decidi abrir a nossa situação durante um evento público como forma de sensibilizar os governantes. Acredito que o atual modelo de tributação deve ser analisado. Além disso, essas questões de facilidade de importação para derrubar preço e eliminar milhares de associados tem de ser revista. Assim, sugiro uma secretaria especial direcionada aos produtores pequenos”, afirma.