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Alimentação

- Publicada em 08 de Agosto de 2022 às 17:42

Preços altos incentivam substituições e eliminam produtos na lista do supermercado

Consumidor passou a priorizar o preço do produto, e não mais a preferência de marca

Consumidor passou a priorizar o preço do produto, e não mais a preferência de marca


ANDRESSA PUFAL/JC
A alta da inflação e o aumento geral dos preços de produtos, serviços e combustíveis afetaram diretamente o carrinho de compras dos gaúchos. Com o encarecimento de diversos gêneros alimentícios, o momento de ir ao supermercado se tornou sinônimo de redução de gastos e de fazer escolhas, com alguns itens substituídos por opções mais baratas e outros até sendo retirados da lista de compras.Nos últimos seis meses, sete em cada 10 pessoas eliminaram algum item da lista de compras. É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo IPEC no dia 27 de julho. Além disso, 72 % deixaram de comprar cortes de carne bovina de primeira. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, ressalta que, apesar do preço, os gaúchos não deixam a carne de fora da lista de compras, mas escolhem os cortes mais baratos na tentativa de economizar. “O gaúcho não parou de comprar carne, mas passou a fazer algumas substituições”, destaca. Esse é o caso do músico porto-alegrense Rafael Prates, que entre tantos alimentos com aumento de custo, comenta ter sentido a diferença principalmente no valor da carne. Agora, ele busca dar preferência aos cortes de frango: “Compro só galinha. Peito de frango, coxa, sobrecoxa”, diz. Ele revela ainda que opta pelas grandes redes de supermercado para fazer as compras, devido à possibilidade de encontrar melhores preços. Essa estratégia é diferente da utilizada pela economista de mercado Kelly Santana, que procura preços em locais menores. “Eu escolho o estabelecimento onde compro a carne. Vou nos supermercados mais de bairro, que o pessoal dos grupos do WhatsApp avisa. Não vou pagar R$ 80, R$ 100 pelo quilo do filé mignon. Passei a ter dias para comprar carne, eu estoco”. A economista também adaptou alguns hábitos. Antes, focava mais na qualidade do produto, agora, passou a fazer escolhas baseadas no custo. “Por exemplo, se tem o tomate gaúcho e o tomate rasteiro, vou levar o mais barato”, comenta Kelly. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgado pelo IBGE no dia 26 de julho, mamão e leite são os alimentos que registraram o maior aumento de custo em julho. O leite longa vida, especialmente, acumula alta de 57,42% no ano. Dessa forma, o produto e seus derivados têm impactado diretamente no bolso dos consumidores.Segundo a diretora da rede de supermercados Supermago, Patrícia Machado, não só o leite teve a procura reduzida pelos compradores, mas todos os seus derivados. “O doce de leite, que era algo que fazia parte da mesa do consumidor, reduziu bastante a quantidade de venda. E tudo o que é derivado do leite a gente também sentiu que o cliente deu uma estagnada nas compras”, afirma.
A alta da inflação e o aumento geral dos preços de produtos, serviços e combustíveis afetaram diretamente o carrinho de compras dos gaúchos. Com o encarecimento de diversos gêneros alimentícios, o momento de ir ao supermercado se tornou sinônimo de redução de gastos e de fazer escolhas, com alguns itens substituídos por opções mais baratas e outros até sendo retirados da lista de compras.

Nos últimos seis meses, sete em cada 10 pessoas eliminaram algum item da lista de compras. É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo IPEC no dia 27 de julho. Além disso, 72 % deixaram de comprar cortes de carne bovina de primeira. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, ressalta que, apesar do preço, os gaúchos não deixam a carne de fora da lista de compras, mas escolhem os cortes mais baratos na tentativa de economizar. “O gaúcho não parou de comprar carne, mas passou a fazer algumas substituições”, destaca.

Esse é o caso do músico porto-alegrense Rafael Prates, que entre tantos alimentos com aumento de custo, comenta ter sentido a diferença principalmente no valor da carne. Agora, ele busca dar preferência aos cortes de frango: “Compro só galinha. Peito de frango, coxa, sobrecoxa”, diz. Ele revela ainda que opta pelas grandes redes de supermercado para fazer as compras, devido à possibilidade de encontrar melhores preços.

Essa estratégia é diferente da utilizada pela economista de mercado Kelly Santana, que procura preços em locais menores. “Eu escolho o estabelecimento onde compro a carne. Vou nos supermercados mais de bairro, que o pessoal dos grupos do WhatsApp avisa. Não vou pagar R$ 80, R$ 100 pelo quilo do filé mignon. Passei a ter dias para comprar carne, eu estoco”. A economista também adaptou alguns hábitos. Antes, focava mais na qualidade do produto, agora, passou a fazer escolhas baseadas no custo. “Por exemplo, se tem o tomate gaúcho e o tomate rasteiro, vou levar o mais barato”, comenta Kelly.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgado pelo IBGE no dia 26 de julho, mamão e leite são os alimentos que registraram o maior aumento de custo em julho. O leite longa vida, especialmente, acumula alta de 57,42% no ano. Dessa forma, o produto e seus derivados têm impactado diretamente no bolso dos consumidores.

Segundo a diretora da rede de supermercados Supermago, Patrícia Machado, não só o leite teve a procura reduzida pelos compradores, mas todos os seus derivados. “O doce de leite, que era algo que fazia parte da mesa do consumidor, reduziu bastante a quantidade de venda. E tudo o que é derivado do leite a gente também sentiu que o cliente deu uma estagnada nas compras”, afirma.
No IPCA, o item "Leite e derivados" apresentou alta de 11,43% em julho. Quando o assunto é substituição de produtos nos carrinhos, Patrícia comenta que a tendência tem sido notada com maior frequência nas marcas de cerveja e de pães, com o consumidor passando a escolher esses produtos pelo menor preço, e não pela preferência. “O cliente que estava acostumado a comprar um pão com uma farinha um pouco melhor, migrou para um pão de 'marca de combate'. Já as cervejas mais vendidas nos últimos meses são sempre as que têm alguma promoção”, completa.

O aumento dos preços em todo o País também resultou em uma diminuição de estoque nos supermercados. O índice de ruptura de produtos é de 11%, segundo uma pesquisa da Neogrid, empresa especializada em serviços de inteligência artificial para cadeias de suprimentos. Em uma lista com 100 itens, 11 não foram encontrados pelo consumidor nas gôndolas em junho.
O presidente da Agas explica que houve uma adequação no armazenamento dos supermercados. “Os estoques tiveram uma redução, porque a logística de algumas empresas, o frete, ainda está se alinhando desde a pandemia”, pontua Longo.

Pesquisa mostra que quase sete em cada dez brasileiros estão em busca de marcas mais baratas

Pesquisa Datafolha mostra que quase sete em cada dez brasileiros estão em busca de produtos de marcas mais baratas, muitas vezes adquirindo alimentos de menor qualidade, perto do vencimento ou fora dos padrões tradicionais, para economizar nas compras. É o que apontou levantamento contratado pela Folha de São Paulo, que ouviu 2.556 pessoas em 183 cidades de forma presencial entre os dias 27 e 28 de julho.
Segundo o levantamento, 67% mudaram os hábitos de compra. São 61% os que foram em busca de marcas mais baratas e 29% os que compraram produtos próximos ao vencimento.
Dos entrevistados, 23% adquiriram pontas de frios e feijão partido, mesmo percentual dos que afirmam substituir o leite por soro de leite ou produtos feitos a partir desse insumo. Há ainda 20% que consumiram sobras de frango, de carne ou pele de frango.
Entre as pessoas que recebem o Auxílio Brasil, 31% passaram a comprar sobras de carnes, mesmo percentual dos que têm consumido soro de leite. São 36% tanto os que adquiriram produtos próximos ao vencimento como os que levaram para casa feijão partido e pontas de frios.
Dados sobre a inflação ao consumidor divulgados pelo IBGE mostram que o preço do leite disparou 41,8% de janeiro a junho deste ano. O produto é vendido por mais de R$ 7,00 em alguns supermercados. Já o soro de leite era vendido por cerca de R$ 5,00. Também em busca de alternativa diante da disparada dos preços, supermercados nas periferias têm comercializado itens como feijão fora do tipo, pontas de frios -bandejas com restos de queijo e presunto-, carcaça e pele de frango. A reportagem da Folha de São Paulo também mostrou a popularização dos chamados "vencidinhos", comércios que vendem produtos próximos ao vencimento e, por isso, cobram menos que as grandes redes.

A alta da inflação, principalmente dos alimentos, e a queda na renda do trabalhador têm levado muitas famílias a alterar a cesta de compras. O IPCA (índice de preços ao consumidor) acumula alta de 11,89% até junho deste ano. A alimentação em domicílio avançou 16,7% no período, com destaque para produtos como feijão (30%), leite longa vida (38%) e aves e ovos (20%).A carestia não tem poupado nem mesmo produtos que, geralmente, eram desprezados pelo consumidor, como sobras de carnes.