A tão esperada chegada da tecnologia 5G no Brasil está cada vez mais próxima e, nesta quarta-feira, o processo de implantação dará mais um passo importante. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) irá receber as propostas e a documentação do leilão para as faixas de 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. A abertura das propostas e divulgação do resultado está marcada para o dia 4 de novembro.
Com a proximidade do início da operação da tecnologia no País, a necessidade de uma estrutura que permita o pleno funcionamento do 5G e também a existência de um tráfego que faça uso dessa nova "rodovia" da informação ganham os holofotes. Pensando nisso, a Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs) realizou um debate para tratar do tema.
Participante do evento, o gerente regional da Anatel no Rio Grande do Sul, Stevan Grubisic, destacou o impacto que a novidade irá ocasionar em diversos setores sociais e econômicos após a implantação da tecnologia. "Teremos aumentos significativos na taxa de transmissão, a latência cai para 1 milissegundo. A taxa média de transmissão do 4G é de 10 megabits por segundo. No 5G tende a ser de 100 megabits por segundo. Teremos aplicações na inteligência artificial, no Big Data, na computação em nuvem. Aplicações na área da saúde, na telemedicina. Na área de mobilidade urbana, entre tantas outras", apontou.
Após o anúncio do resultado do leilão, os vencedores terão a obrigação de cumprir um cronograma de implementação da tecnologia que tem o prazo final de instalação e operação total no Brasil para julho de 2030, prazo máximo estipulado pela Anatel para a completa implementação do sistema.
Uma das principais necessidades que o 5G traz consigo é a existência de uma densidade de antenas consideravelmente maior. "Buscamos junto às autoridades municipais incentivar que elas reduzam as barreiras para a conectividade", destacou o gerente regional da Anatel no RS.
Presente no debate da Sergs, o secretário municipal de Inovação de Porto Alegre, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, salientou a necessidade de que ambientes de inovação sejam desenvolvidos para que os avanços do 5G possam ser utilizados em sua totalidade, justificando, assim, os grandes investimentos. "A infraestrutura vai ser vital, mas é cara. É preciso ter muito mais antenas para o alcance. Como vamos fazer essa transição? Se não conseguir aprofundar os modelos de uso de dados, ter essa infraestrutura vai acabar sendo um gasto que não vamos usufruir", disse.
Conforme o secretário, o trabalho na prefeitura visa a tornar Porto Alegre uma cidade amigável para a chegada do 5G, incluindo aí autorização para a instalação de novas antenas. "Porto Alegre está no caminho correto para que possamos testar o que podemos fazer com o 5G. Estamos cuidando muito para não sermos obstáculo para a implementação. Temos, inclusive, a possibilidade de instalação de antenas compactas nas placas das ruas, por exemplo", afirmou Silva Filho.