Tarso Fernando Herz Genro se tornou o primeiro governador eleito em primeiro turno na história do Rio Grande do Sul em 2010, quando venceu as eleições com 54,35% dos votos. Aos 64 anos, está completando meio século de vida pública.
"Não sou um político profissional, mas um militante político, ininterruptamente, desde os 14 anos, quando estava no movimento estudantil. Passei por várias fases do meu País - pré-1964, ditadura militar, abertura e o florescimento democrático. Adquiri muita experiência. Mas sempre vivi da minha profissão."
Natural de São Borja, cresceu em Santa Maria, onde se formou em Direito pela UFSM. Especializou-se como advogado trabalhista. "Tudo o que eu adquiri até hoje foi fruto da minha profissão de advogado, inclusive de maneira coerente com a minha militância. Porque eu sempre fui advogado de trabalhadores." Defendeu sindicatos e associações profissionais e publicou vários livros sobre Direito do Trabalho, Política e Literatura.
Paralelamente, atuou na resistência à ditadura militar (1964-1985). Filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime pelo qual foi eleito vereador de Santa Maria em 1968. Perseguido, viveu no exílio, no Uruguai. "Cheguei lá e já comecei a trabalhar. Foi difícil porque me separei da minha mulher e da minha filha que recém tinha nascido. Mas comparadamente com outros brasileiros, que até fome passaram, meu exílio não foi dramático."
Na redemocratização, ingressou no Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal constituinte e, em 1988, candidato a vice-prefeito ao lado de Olívio Dutra na chapa que levou o PT a comandar a prefeitura de Porto Alegre. Em 1990, Tarso disputou pela primeira vez o Palácio Piratini, eleição vencida por Alceu Collares (PDT). Dois anos mais tarde, foi eleito prefeito de Porto Alegre.
Após o mandato no paço municipal (1993-1996), Tarso voltou a ser eleito prefeito em 2000. Assumiu em 2001, quando a Capital sediou o I Fórum Social Mundial. Ficou um ano e três meses no cargo - em 2002, renunciou para disputar o governo do Estado, depois de ter vencido o então governador Olívio nas prévias do PT.
Perdeu a eleição no segundo turno para Germano Rigotto (PMDB). No ano seguinte, passou a integrar o ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo de oito anos, ocupou quatro cargos: foi titular da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça.
Esteve fora do governo federal por um breve período em que assumiu a presidência nacional do PT após a crise do mensalão. A última pasta que ocupou no governo foi a da Justiça, que deixou no início de 2010 para se dedicar à campanha ao Estado. Foi eleito com 3.416.460 votos.
Prefeitura marcou trajetória; momento mais difícil foi em 2002
"Percebi que minha trajetória política teria sedimentação a partir do momento em que fui prefeito de Porto Alegre pela primeira vez." Tarso Genro observa que era candidato pontualmente, e que sempre manteve a atuação como advogado e sua militância social e intelectual, "sem obediência a calendários eleitorais".
Mas ressalta a primeira experiência no paço municipal, com a instituição do Orçamento Participativo, como aspecto mais importante de sua vida pública. "Foi o que me impulsionou, quando ganhamos a eleição para prefeito de Porto Alegre. Olívio (Dutra) era prefeito e eu vice. E, sob a condução do Olívio, fizemos um governo que se tornou emblemático para o País, para o PT, para a esquerda. Ali, com base no que Olívio já havia produzido, fizemos um governo que lançou Porto Alegre no mundo."