Um encontro musical que transcendeu fronteiras e diminuiu distâncias fez nascer o single Eremita, uma colaboração entre as bandas 43duo, de Paranavaí (PR) e A Virgo, de Novo Hamburgo (RS). Lançada oficialmente no dia 28 de outubro, a canção se consolida como uma amálgama perfeita dessas duas representantes do rock psicodélico feito muito longe das capitais. Com bateria dupla, guitarras melódicas, sintetizadores, saxofone e coros, a música ainda é o primeiro lançamento do Selo Outro Mundo Acontece (s.OMA), também de Novo Hamburgo.
O encontro aconteceu em 2023, quando a 43duo – Luana Santana (bateria) e Hugo Ubaldo (voz e guitarra) – veio ao Estado tocar no espaço da Outro Mundo Acontece (que agora inaugura seu selo). Na ocasião, precisavam de uma banda pra tocar junto e o match foi com A Virgo – Rafael Decarli e Victor Vitinho (guitarra, synth, sax e backing vocals), Patrick Bruxel (baixo), Leo Cezimbra (guitarra e synth) e Guilherme “Nino” Moraes (bateria), que compartilhava da atmosfera psicodélica do grupo paranaense.
Desde então, a amizade cresceu e culminou numa turnê conjunta que deu origem ao single. Ao compartilharem, por meses, estrada, casa, comida, palcos, cama, sofá, acabaram por compartilhar a criação de um novo som, que desabrochou muito naturalmente na sala de casa de Luana e Hugo, no interior do Paraná. A vibe não podia ser outra: nasce um Eremita.
“Tudo começou com o riff inicial e depois o processo foi conjunto, vendo o que mais se encaixava”, conta Hugo Ubaldo. “A gente compunha mais uma parte e se perguntava ‘tá, e agora, a gente vai pra onde?’ E a letra acabou sendo uma síntese das nossas andanças na turnê.”
Eremita nos convida para uma viagem imersiva de quase 6 minutos, com uma bateria tocada simultaneamente entre Luana e Nino, consagrando a união dos grupos. Com muito Pink Floyd na cabeça, os artistas compuseram um som que faz viver o psicodelismo em tempos de indústria musical enlatada.
“Acho que é muito importante o artista independente poder produzir com liberdade”, afirma Rafael Decarli. “Muitas vezes quando entregamos o material pra uma produtora, eles pedem que ela tenha limite de minutagem, que tenha uma estrutura específica, que tenha uma foto na capa, etc. Isso acaba desincentivando a cena. Porque, afinal, a gente não tá sendo pago para nada. Então temos que desenvolver o que temos vontade.”
É aí que entra a s.OMA. “O selo nasce com a proposta de viabilizar a vontade dos artistas independentes”, resume Leonardo Broilo, representante do Selo e um dos produtores do single. “Eu penso num espaço para experimentos, para o artista se permitir, procurar coisas que sinta interesse em fazer. Além disso, estamos no Sul, na última cidade da Região Metropolitana. É importante estar nessas localidades, insistir em criar espaços fora dos grandes eixos, mostrar que aqui também se faz cultura, se faz arte.”
“A gente quer que os artistas deem certo: e dar certo muitas vezes não significa chegar a um Lollapalooza, ou algo do gênero”, diz o produtor. “Às vezes, dar certo significa continuar caminhando, criando, conhecendo pessoas e incorporar o som na nossa vida.”
Refletindo a sintonia e a comunhão dos dois grupos, Eremita foi gravada ao vivo, com todos os instrumentos sendo tocados ao mesmo tempo. Mesmo que, neste tipo de gravação, alguns acordes se percam, a escolha foi de transmitir o sentimento de estar junto. “O som não sai tão puro, mas tudo se complementa e contribui para a estética do single”, explica Leonardo.
“Essa cena que a gente desenvolve, para mim, é a que mais tem relevância no mundo”, comenta Rafael. “A gente está se divertindo, a gente está vendo as pessoas que a gente gosta se divertirem, e isso é extremamente valioso.”