Arte milenar nascida dos dedos das mulheres, a tecelagem e a tapeçaria artesanal há muito ocupam um espaço de fronteira nas artes visuais, frequentemente relegadas ao universo doméstico ou classificadas meramente como artesanato. No entanto, poucas figuras trabalharam com tanto rigor técnico, erudição e sensibilidade para subverter essa lógica no Brasil quanto a artista e tecelã gaúcha Liciê Hunsche (1924–2017).
Após mais de uma década de pesquisa em acervos e coleções particulares, a história desta precursora das artes têxteis do Sul do país ganha destaque no livro Meadas do Tempo: vida e obra de Liciê Hunsche. Organizado pela historiadora da arte e curadora Carolina Grippa e pela arquiteta Julia Hunsche, neta da artista, a obra resgata o percurso de Liciê, que, em sua produção, articulou alta estética, valorização de tingimentos naturais e processos totalmente artesanais.
Este interesse pelo natural levou Liciê a dominar todas as etapas da produção de lã. A artista se tornou pioneira no Estado a importar ovelhas da raça Karakul, conhecidas por terem uma lã naturalmente colorida. “Ela tinha esse encantamento pelo natural desde sempre”, analisa Julia, neta da artista. “Via a beleza no desalinhamento das coisas e deixava a natureza se manifestar livremente na sua arte.”
O lançamento oficial do livro ocorre neste sábado (7), às 10h30min, no Mezanino da Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736), dentro da programação da Feira do Livro de Porto Alegre. No evento, as organizadoras apresentarão a obra, que terá distribuição gratuita e limitada, viabilizada pela Lei Rouanet.
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