Há três décadas, a carioca Fernanda Abreu falava na lata sobre o que ela pensava do Brasil. Em 1995, era lançado o terceiro disco da compositora, Da Lata, que impactou fortemente a cena musical brasileira ao inovar em estética, conceito e sonoridade. Em poucas palavras, Da Lata delatava tudo o que estava entalado. Trinta anos depois, em tempos de cultura enlatada, a gente entende que, por mais que os cães latam, quem entende da nossa lata é a sabedoria popular.
Misturando funk, samba, batucada, R&B, disco, música eletrônica e muito suingue urbano, o disco foi um dos precursores do pop no Brasil e foi eleito pela Billboard como o melhor álbum latino-americano daquele ano, entalhando o nome de Fernanda Abreu na historiografia musical. Em celebração a esses 30 anos, a “mãe do pop dançante brasileiro” está levando aos palcos de todo o país um show especial que traz o repertório integral do disco. Porto Alegre vai receber este espetáculo, nesta sexta-feira (6), às 21h. O show será no Opinião e tem ingressos a partir de R$ 120,00 na plataforma Sympla.
“Porto Alegre é uma cidade muito importante na minha carreira”, conta Fernanda Abreu ao JC. “Foi a cidade em que eu fiz o meu primeiro show fora do Rio de Janeiro, no Porto de Elis. É um show que está guardado na minha memória. Eu tinha ficado 4 anos parada e não tinha noção de como o povo brasileiro de outras cidades iria me receber depois do hiato. E a primeira cidade a que eu fui foi Porto Alegre, então eu criei uma relação muito afetiva com a cidade. Fico feliz de estar levando esta celebração para aí, ainda mais no Opinião, que é um clássico.”
Com hits como Veneno da Lata, Garota Sangue Bom e Brasil é o País do Suingue, o álbum traz a jovem compositora revestida sob um manto de lata – que, detalhe: pesava mais de 50 kg – em um cenário cheio de sucatas brilhantes. Na contracapa, a mesma paisagem, mas a artista aparece nua. Mostrando que nem tudo que reluz é ouro, às vezes é lata. E que na lata cabem muitos significados.
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