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Publicada em 31 de Outubro de 2026 às 09:00

Fantasmas, vultos e pactos: as histórias macabras que rondam nomes do rock

Neste Halloween, relembre o que se conta sobre supostas assombrações em torno de ídolos da música

Neste Halloween, relembre o que se conta sobre supostas assombrações em torno de ídolos da música

REDES SOCIAIS/REPRODUÇÃO/JC
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Joana Luna Camargo
Um pavão branco que aparece de repente numa sessão de fotos, um mixador que chama o assistente pelos corredores do estúdio e não ouve resposta, um bluesman que, segundo a lenda, trocou a alma por talento numa encruzilhada. O rock convive há décadas com histórias de aparições e pactos, e, na época do Halloween, elas voltam a circular. 

Elvis Presley

O Rei do Rock foi encontrado desacordado no banheiro de Graceland, sua mansão em Memphis, em 16 de agosto de 1977, e declarado morto no Baptist Memorial Hospital, aos 42 anos. A casa reabriu como museu em 7 de junho de 1982 e recebe milhares de visitantes de todos os cantos do mundo, que também passam pelo túmulo do cantor, no Jardim da Meditação, dentro da propriedade.

É nesse lugar que nascem as histórias de aparição. Nancy Rooks, que foi empregada e cozinheira de Elvis, contou à Classic Bands que uma porta da sala de troféus batia sozinha e que, ao tentar tirar uma soneca ali, sentiu alguém acordá-la, o que interpretou como um recado do patrão para voltar ao trabalho. Há ainda quem diga ter visto o rosto do cantor nas vitrines de vidro da casa, e o próprio museu aposta na fama, com visitas ao entardecer e uma página em que fãs enviam relatos de encontros com ele. Já em Las Vegas, onde Elvis se apresentou de 1969 a 1976, muita gente diz que o fantasma ronda os bastidores do antigo Hilton, hoje Westgate. Segundo a Forbes Brasil, o cantor americano Wayne Newton, que também se apresentava no hotel, jura ter visto Elvis na sacada superior meses após a morte.

Jimi Hendrix

No Electric Lady Studios, em Greenwich Village, Nova York, a fama de assombrado se soma a uma história curta: Hendrix gravou ali por dez semanas antes de morrer, em 1970, pouco tempo depois da inauguração. O mixador Michael Brauer, vencedor do Grammy, disse ao New York Post que praticamente todo assistente que ele conhece já viu algo de madrugada, sozinho no prédio. Ele mesmo chamou por um assistente que achava ter visto indo para a sala de descanso, não teve resposta e ficou convencido de que era um fantasma. O produtor Eddie Kramer, que trabalhou com o guitarrista, fala em um espírito de Hendrix no estúdio, "nas paredes, no teto, na atmosfera".

Freddie Mercury

O Dominion Theatre, em Londres, já fazia parte da história de Freddie Mercury: foi ali que o vocalista do Queen fez sua última aparição pública, no Brit Awards de 1990. Segundo o livro Haunted West End Theatres, citado pelo Fitzrovia News, Freddie teria sido visto por várias pessoas no teatro durante a temporada de We Will Rock You, musical com canções da banda que ficou em cartaz de 2002 a 2014. Entre as testemunhas estão uma das coautoras da obra, Becky Walsh, que trabalhava no teatro como stage manager, e uma das cantoras da produção. O próprio Queen alimentou a lenda em maio de 2012, quando levou o cantor de volta ao palco, no aniversário de dez anos do espetáculo, como uma “ilusão de ótica” - e não como um holograma, segundo Brian May. A expectativa do guitarrista era que o público saísse perguntando: “Será que vimos o Freddie?”

John Lennon

Liam Gallagher, vocalista do Oasis, contou à revista Q, em 2019, que achou ter visto o fantasma de Lennon num hotel em Liverpool. O caso mais citado, porém, vem dos próprios Beatles. Em 1994, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr passaram a trabalhar em Free as a Bird a partir de uma fita caseira de Lennon, e a música foi lançada em dezembro de 1995. Segundo o Clash, durante uma sessão de fotos do projeto um pavão branco apareceu, e os três sentiram a presença do amigo. McCartney contou ter dito aos outros: "É o John!" O animal ganhou simbolismo porque, segundo o American Songwriter, Lennon dizia ao filho Julian que, se viesse do além, seria como uma pena branca.


Robert Johnson

Se os fantasmas assombram lugares, o diabo, segundo a lenda, escolheu uma encruzilhada. Diz-se que o bluesman Robert Johnson vendeu a alma à meia-noite, num cruzamento do Delta, em troca de um domínio fora do comum da guitarra. Segundo o American Blues Scene, ele nunca afirmou isso publicamente: quem se gabava do pacto era Tommy Johnson, outro bluesman, sem parentesco com Robert. O irmão de Tommy, LeDell, contou a história em 1966, segundo o Cardinal Points.

A morte de Johnson, em 1938, aos 27 anos, ajudou a reforçar a lenda: segundo uma das versões, ele bebeu uísque provavelmente envenenado por um marido ciumento. Canções como Cross Road Blues, Me and the Devil Blues e Hellhound on My Trail alimentam o mito, embora muitas tenham outros sentidos possíveis. Clarksdale, no Mississippi, reivindica o cruzamento das rodovias 61 e 49 como o cenário da história, e os registros da época são tão escassos que pouco há para confirmar ou desmentir o pacto.

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