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Publicada em 29 de Outubro de 2026 às 12:47

A denúncia social no som pesado da Asterisma

Quarteto porto-alegrense realizou turnê de divulgação do EP, 'Irmãos, Rivais', e utiliza a música como protesto

Quarteto porto-alegrense realizou turnê de divulgação do EP, 'Irmãos, Rivais', e utiliza a música como protesto

ASTERISMA/DIVULGAÇÃO/JC
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Andressa Pufal
Andressa Pufal Repórter de Cultura
A denúncia social e o grito de uma juventude em descompasso com o presente e sem ancoragem no amanhã se encontram no rock melancólico e denso da Asterisma. Com seis anos de estrada, o quarteto porto-alegrense articula, entre matrizes do emo, do pós-punk e do indie rock, as fraturas urbanas do Sul Global e os dilemas de uma cena musical ainda muito longe das capitais.

Formada por João Lentino e Leo Klein (guitarras e vocais), Luccas Ramos (baixo e vocal) e Sofia Tonolli (bateria e vocais), a Asterisma acaba de retornar a Porto Alegre após uma turnê que passou por Caxias do Sul, Florianópolis, Curitiba e São Paulo. O giro divulgou o EP Irmãos, Rivais, gestado em parceria com os gaúchos da Rugby Brasileiro.

“Foi muito legal esse espaço criativo conjunto de duas bandas diferentes. Eu acho que a gente conseguiu tirar um som que é muito Rugby e muito Asterisma”, resume Sofia, baterista e vocalista do grupo. Lançado em 6 de outubro, o trabalho imprime a melancolia visceral da Asterisma nas faixas reflexos e porto alegre ficou pequena demais pra nós dois.

Nesta última, os músicos tateiam a própria condição da criação independente no underground porto-alegrense, sob guitarras pesadas que ecoam: “Só suma dessa cidade / Pois eu odeio tanto cantar / Tudo aquilo que você compõe”. Já em reflexos, a voz dá vazão ao lamento das disputas e silêncios do âmbito familiar: “O meu sangue não é cola / Que o amor que me consola / Não foi prescrito no berço”, denunciando fricções domésticas muitas vezes naturalizadas.

“Foi muito insano porque a gente não tinha tocado fora do Estado em todos esses anos e do nada a gente foi para três cidades”, celebra Sofia, destacando o esgotamento dos ingressos em São Paulo e Curitiba.

Com referências que passam pelo pós-punk oitentista, pela canção de protesto, pelo indie rock e pela visceralidade do punk porto-alegrense, a Asterisma costura em suas composições a precarização do trabalho, o cansaço do artista independente, as tensões da cidade e o protagonismo feminino na cena alternativa. A trajetória começou na pandemia, desdobrando-se no álbum de estreia homônimo (2023) e no disco honra entre os novos ladrões (2025).

“A gente é bem raivoso, no sentido de ser inconformado com algumas coisas da realidade”, reflete a baterista. “Não são músicas diretamente políticas, são mais um manifesto. Particularmente, eu gosto de ter a banda porque é um espaço para externalizar muita coisa. Eu sou uma pessoa que no dia a dia acaba se adaptando muito, e na minha música eu vou lá e grito sobre o que eu não gosto.”

Se ocupar o palco sendo mulher já é um ato de ruptura, estar à frente da percussão e da voz em um projeto de protesto amplifica essa presença. “Um pouco do ser mulher é sempre duvidar dos nossos lugares de pertencimento e não reconhecer nossas conquistas. Além de cantar, eu sou a baterista. Então eu faço duas coisas que são disruptivas. Não temos muitas bateristas nessa cena de agora e cantando. Então, eu me sinto orgulhosa de estar nesse lugar.”

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