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Publicada em 28 de Outubro de 2026 às 00:25

Fundação Vera Chaves Barcellos reúne 36 artistas mulheres em "Uma Força Estranha"

Obras de Dione Veiga Vieira, uma das 36 artistas reunidas em

Obras de Dione Veiga Vieira, uma das 36 artistas reunidas em "Uma Força Estranha", na Fundação Vera Chaves Barcellos

/LEOPOLDO PLENTZ/DIVULGAÇÃO/JC
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Joana Luna Camargo
Criar em meio às tarefas do dia a dia talvez exija “uma força estranha ou extraordinária”, conta Vera Chaves Barcellos, artista de 88 anos e diretora-presidente da Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB). A frase dá nome à exposição Uma Força Estranha, inspirada na canção de mesmo nome de Caetano Veloso, de 1978, eternizada na voz de Gal Costa. A mostra, dedicada à produção de mulheres, reúne 53 obras de 36 artistas brasileiras e internacionais na Sala dos Pomares da instituição (Tapir Rocha, 8480, Viamão). Aberta desde 29 de agosto, fica em cartaz até 5 de dezembro, de terça a sábado, das 9h30min às 17h, exceto em feriados, com entrada gratuita.

O projeto dá continuidade à programação de 2026 e vem depois de Há pouco?, que esteve em cartaz de 21 de março a 11 de julho, com curadoria de Bruna Fetter e 95 trabalhos de 94 artistas – a maior exposição da Fundação em número de peças e de artistas. Há pouco? buscou mostrar de forma abrangente a variedade e a quantidade da produção feminina; nesta, a seleção ficou a cargo de Vera, que escolheu entre as mais de 4.000 peças do acervo, produzidas desde a década de 1960, trabalhos com, em sua maioria, "uma tônica mais visceral". A coleção antecede a própria Fundação, em atividade desde 2005: começou nos anos 1960, conta Vera, com trocas entre artistas, e já reunia obras, incluindo as dela, bem antes de a instituição existir. Depois veio um processo "gradativo e lento" de aquisições, hoje reforçado por inúmeras propostas de doação.

Dentro do recorte de Vera, há núcleos que dialogam com a água, trabalhos não figurativos, mas igualmente expressivos, e peças poéticas, críticas e documentais que manifestam traumas e dores, além de vídeos sobre tarefas e histórias femininas. O ensaio do catálogo, assinado pela historiadora da arte e professora da UFRGS Ana Albani de Carvalho, propõe natureza, corpo e geometrias instáveis como chaves de leitura e aponta a água como elemento recorrente. Desde a abertura, a artista avalia a recepção como "muito boa" e relata que a mostra recebe visitantes de outros estados e até de fora do país.

Ao longo da exposição, o Programa Educativo da FVCB oferece oficinas e uma roda de conversa gratuitas, sempre aos sábados, com inscrição prévia pelo site da Fundação e vagas limitadas. Em 7 de novembro, Mariana Wartchow conduz uma oficina de impressões botânicas com plantas coletadas no jardim; em 14 de novembro, Ananda Kuhn parte da série Abissais para uma oficina que explora as águas e suas profundezas por meio de desenho, pintura, fotografia e colagem; e, em 28 de novembro, a jornalista Nereida Vergara coordena uma oficina de escrita criativa. O encerramento, em 5 de dezembro, reúne visita mediada e roda de conversa com artistas e inclui ônibus de Porto Alegre até Viamão, ida e volta.

A mostra, segundo Vera, apresenta "a diversidade da produção artística de um grupo de mulheres de diversas formações, origens e faixas etárias", sem pretensão de ser feminista. A artista reconhece que "a representatividade das obras de qualidade feitas por mulheres ainda carece do reconhecimento que merece".

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