Em um espetáculo que marca os
400 anos das Missões Jesuíticas, o Teatro Simões Lopes Neto recebe, nesta
terça-feira (20), às 20h, uma fusão entre a
ancestralidade indígena, o jazz, a cumbia, o choro e outros ritmos latino-americanos. O
Jerojy Mbaraete Grupo, coral jovem
Guarani Mbya de São Miguel das Missões, sobe ao palco ao lado da banda de câmara
Tum Toin Foin para celebrar as expressões culturais e a memória dos povos originários. Ingressos estão à venda por R$ 15,00 no
site do Sesc.
A música guarani que a gente conhece hoje é fruto de um encontro. Um encontro que ocorreu há quatro séculos, com a chegada dos jesuítas na região das Missões. Apesar das mazelas trazidas pela colonização e catequização, a
arte encontrou frestas para florescer num ambiente de dominação e achatamento de culturas ancestrais.
Sendo os guaranis uma comunidade muito musical, os colonizadores entenderam que a comunicação teria que se desenvolver a partir das canções. E assim foi: vieram para cá padres músicos que estabeleceram uma
relação com os povos originários que se estendeu por mais de um século.
Não se tem registro de como eram as sonoridades criadas pelos guarani pelos milênios que antecederam este encontro. O que se sabe é que desta troca nasceram as características que tornam essa obra tão única: a
forte influência da música barroca europeia e a inédita presença de instrumentalização com violino e violão de cinco cordas, não vista na produção musical de nenhum outro povo indígena do País.