Quantas histórias tem para contar alguém que chega aos 80 anos? E mais, alguém que dedicou 50 deles para o mundo das palavras?
Paulo Flávio Ledur se torna octogenário neste 15 de outubro (uma bela data para um professor aniversariar) e, na celebração,
lança a autobiografia Paixão pelo Livro.
O escritor, revisor, docente e fundador da Editora AGE revisitou sua trajetória pessoal e profissional na publicação que será apresentada a partir das
18h, no Foyer do Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (Av. Érico Veríssimo, 307).
Exemplares já estão à venda pelo site da AGE com preço de capa a R$ 76,00. No lançamento, a obra estará com
20% de desconto.
Ledur afirma que sempre foi avesso a biografias por considerar que muitas acabam caindo num simples exercício de vaidade. Mas que foi influenciado por amigos, há cerca de cinco anos, a
marcar no papel a sua trajetória de vida.
“Estava contando causos para Armindo Trevisan, que me convenceu a registrar as minhas histórias. Na pandemia, eu resolvi ocupar meu tempo com isso.
Sempre com a preocupação de não ser um exercício de vaidade. Com o foco sempre no leitor, nunca em mim”, conta.
Sempre antenado nas
tendências do mercado editorial, o escritor ainda diz que outra motivação para a publicação é a
alta na procura pelo gênero biográfico por leitores. “É o mercado que determina o que é mais indicado pra gente fazer e editar.
Biografias estão na moda, por isso também resolvi publicar a minha”, explica.
A obra faz uma viagem no tempo que começa com um capítulo dedicado à
infância em Bom Princípio nos anos 1940. Filho de pequenos agricultores,
até os 6 anos Paulo só conhecia o idioma alemão. Quando entrou na escola, passou a estudar português, “o que muito me
influenciou a ser professor”, recorda. Passou pela
formação seminarista até os 18 anos, quando declarou sua independência.
“Até então eu só cumpria ordens, fazia o que diziam que eu tinha que fazer. Meus pais, os superiores do colégio. Então quando completei a maioridade cheguei para o reitor do seminário e anunciei que ia embora. Aí disse ele: ‘e se eu não deixar?’ ao que respondi: ‘
então eu vou fugir’.”
É aí que inicia o que é considerado por Ledur como o “capítulo mais importante” da obra. Sua
chegada a Porto Alegre e sua profunda e frutífera relação com o Irmão José Otão, então reitor da Pucrs. Foi com ele que o escritor conseguiu seu primeiro emprego e aprendeu os ofícios que o levaram à criação da Editora AGE.
“Era muito
oneroso as editoras terem um departamento que fizesse a revisão dos livros, a revisão gramatical, a diagramação, etc. Foi daí que surgiu a ideia de
criar uma empresa que ajudasse as editoras a fazerem isso”, conta o escritor sobre a criação da
AGE – Assessoria Gráfica e Editorial, em 1976.
Com o advento dos meios digitais, tornou-se mais fácil que editoras fizessem estes trabalhos sem ajuda de terceiros. Foi aí que a
empresa se tornou a Editora AGE, que ao longo dos anos construiu um catálogo que reúne
literatura, história, biografias, negócios e diferentes áreas do conhecimento e hoje celebra meio século de vida.
Com uma trajetória que atravessou
a era do chumbo dos linotipos até alcançar a revolução digital, a Editora AGE acompanha as transformações do mercado. Atualmente, a casa aposta na oferta de
e-books e no
uso de Inteligência Artificial para apoiar a redação e a correção de textos.
Essas e mais histórias estão reunidas em
Paixão pelo Livro, que, mais do que organizar acontecimentos em ordem cronológica, revela como a
relação com as palavras se tornou um fio condutor da vida de Paulo Ledur. Família, trabalho, amizades, literatura e os bastidores do universo editorial aparecem em uma
narrativa marcada pela objetividade, pelo humor e pela gratidão.
Além dos milhares de livros que passaram por sua leitura como revisor, Ledur construiu uma extensa produção como autor. São
mais de 30 títulos publicados, entre eles a série em quatro volumes
Os Pecados da Língua, desenvolvida em parceria com o chargista Sampaulo e best-seller na Feira do Livro de Porto Alegre;
Guia Prático da Nova Ortografia, primeiro livro publicado no Brasil sobre o acordo ortográfico;
Português Prático; e
Escreva Direito.
Também escreveu biografias de personalidades como
Fábio André Koff e
Eduardo de Rose. Paralelamente à atuação editorial, desenvolveu uma longa trajetória no magistério superior, além disso, dirigiu o Instituto Estadual do Livro, presidiu o Conselho Estadual de Cultura e a Câmara Rio-Grandense do Livro, entidade da qual participa desde 1972 e na qual teve atuação ligada ao desenvolvimento da Feira do Livro de Porto Alegre.