O mundo acabou, mas mesmo assim continua. Era desta forma que Samuel Beckett enxergava a realidade nos anos 1950, num contexto de pós segunda guerra, quando escreveu Fim de Partida (1956). A tragicomédia absurdista nos apresenta a história de um cego paralítico, seu serviçal e seus pais idosos presos numa casa abandonada em um mundo pós apocalíptico. Todos eles aguardam por um fim que parece nunca vir. Remontada por Rodrigo Portella, trazendo nomes do calibre de Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França, a peça chega pela primeira vez a Porto Alegre neste fim de semana.
O espetáculo será no sábado (17), às 20h, e no domingo (18), às 18h, no Teatro Simões Lopes Neto (Riachuelo, 1089). Os últimos ingressos estão à venda no site do Theatro São Pedro. Em Fim de Partida, Nanini dá vida a Hamm, um dominador mesquinho, autoritário e cruel, que exerce um simbiótico e perverso poder sobre Clov, vivido por Weber – um vassalo que deseja ir embora, mas sempre permanece. Tudo isso num quarto abandonado e claustrofóbico, sob os olhos de Nagg (Ary França) e Nell (Ignez), os pais de Hamm, que de dentro de latas de lixo testemunham o desenrolar da história.
“Recebi a proposta com muito entusiasmo, pois sempre tive o desejo de montar um texto de Beckett”, diz Marco Nanini, ao afirmar que aceitou de prontidão a ideia de Guilherme Weber de atuarem na peça. Convidaram Portella para a direção, que com muita honra aceitou. “Já havia lido o texto na faculdade, nos anos 1990. Quando reli agora, terminei impactadíssimo e muito emocionado, por reconhecer muito do mundo de hoje ali”, declara o diretor, consagrado por alguns dos espetáculos que dirigiu recentemente, como Tom na Fazenda, Ficções e Um Ensaio sobre a Cegueira.
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