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Publicada em 08 de Outubro de 2026 às 13:19

Posada transforma suas raízes em uma Flecha Envenenada

Posada é DJ, cantora e produtora e lançou o primeiro álbum, Flecha Envenenada, em março.

Posada é DJ, cantora e produtora e lançou o primeiro álbum, Flecha Envenenada, em março.

IGOR DE PAULA/DIVULGAÇÃO/JC
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Joana Luna Camargo
Aos 5 anos, a porto-alegrense Paula Posada, filha de mãe belenense e de pai de ascendência colombiana, tinha aulas de violino, por incentivo paterno, e cantava no coral de uma escola de música - memórias a que somou, mais tarde, a banda de fanfarra do colégio. É a mesma artista, DJ e produtora que agora voltou a Belém, cidade onde passava temporadas de férias desde a infância, para gravar o videoclipe de Madrugada já disponível nas plataformas digitais e dar continuidade ao seu disco de estreia Flecha Envenenada, lançado no início deste ano.

Dirigido por Guima Netto, o clipe começa na Matinha, bairro onde a mãe de Posada cresceu, e segue de bicicleta, hábito da adolescência da artista, pelo Mercado de São Brás, onde ela costuma comprar discos, e pelo Porto Solamar, até chegar a uma travessia de barco no Rio Guamá. Gravar o audiovisual da canção, que transita entre o reggae e o dancehall, na cidade materna, era um desejo antigo - "a realização de um sonho", diz.

A herança de uma família longe do próprio território moldou o gosto musical e as pesquisas de Posada. A conexão com essas raízes, segundo ela, "sempre foi muito forte". Em Porto Alegre, porém, a música virou ofício. Em 2013, ainda no cursinho pré-vestibular, circulava pelos movimentos sociais num momento de ocupação do espaço público na cidade e, com amigos, passou a propor outras formas de ocupar as ruas: com discotecagem.

Nessa época, ela discotecava como Dona Ana, nome que depois trocou pelo sobrenome em busca de algo que a representasse mais e que, de certa forma, homenageia a origem colombiana do pai. Da mesma movimentação nasceu Arruaça, coletivo autônomo formado por cerca de 15 integrantes, entre DJs, artistas visuais e produtores culturais, que existe desde 2014 e do qual ela faz parte até hoje. Por volta de 2016, já convidada para tocar em festas da cidade e produzindo as próprias, passou a se autodenominar DJ profissional.

Posada cursou o bacharelado em Música Popular na Ufrgs e acompanhou de perto as mudanças do curso, que, segundo ela, refletiam o que já acontecia fora dali, onde atuava. "O movimento das ruas é muito potente, e a universidade é uma forma de registrar eles", avalia. Quando colegas e professores foram conhecer seu trabalho, a descoberta, diz, foi "um choque", e ela aproveitou para levá-lo para dentro da academia. Em 2019, a residência artística do Projeto Concha, que durou um ano, a fez enxergar a necessidade de começar a também produzir. Na pandemia, escreveu o TCC sobre sua trajetória na universidade como mulher indígena, DJ e produtora e retomou essa identidade, trazendo a pesquisa sobre território para as composições.

Desse mergulho nos territórios saiu então Flecha Envenenada, primeiro álbum autoral, lançado em março e que reúne ritmos da região norte e nordeste, como coco e carimbó; e ritmos mundiais, como o reggae, dancehall e house. Juntar tantos gêneros num só disco trouxe uma dúvida: será que tudo aquilo combinava? A resposta veio ao longo do processo. "De alguma maneira, eu estava representando o que faz parte de mim", relembra.

O próximo passo é um novo single, produzido por Diabelsmusiq. “É uma canção de R&B com pegada de dancehall e afrobeat, mais lo-fi e com uma vibe de primavera”, conta sem querer revelar muito. Para o palco, os shows até agora seguiram o formato pocket, com DJ, backing vocal e a artista, acompanhados de intérprete de Libras. Há apresentações planejadas, ainda sem data, e a ideia é circular em 2027 com banda, repensando o show. Seja em disco ou ao vivo, o que ela canta continua partindo da própria vida: "Estamos colocando um pedaço da gente", resume.

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