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Publicada em 20 de Outubro de 2026 às 10:25

Vozes do Futuro leva educação musical a jovens da Fundação Pão dos Pobres

Atuando desde março, projeto traz aulas semanais a jovens de 8 a 14 anos e comemora baixa evasão e alto engajamento dos inscritos; ideia é expandir iniciativa no próximo ano

Atuando desde março, projeto traz aulas semanais a jovens de 8 a 14 anos e comemora baixa evasão e alto engajamento dos inscritos; ideia é expandir iniciativa no próximo ano

YASMIN SILVA/DIVULGAÇÃO/JC
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Joana Luna Camargo

Em roda, crianças e adolescentes seguem o professor Alexandre Susin num exercício de tempo e percussão corporal em que as palmas marcam o ritmo. A atividade faz parte do Vozes do Futuro, projeto de educação musical que funciona desde março na Fundação Pão dos Pobres, em Porto Alegre. As aulas semanais, às terças-feiras, acontecem em dois turnos, têm 50 minutos de duração e atendem exclusivamente jovens da instituição, de 8 a 14 anos, que participam por adesão voluntária.

A proposta, segundo o coordenador Mathias Pinto, é reproduzir as cenas em que a música popular acontece na vida real, como a roda de samba. Os alunos experimentam instrumentos de percussão, aprendem o repertório brasileiro, montam grupos e cantam, passando por frevo, maracatu, congo e brincadeiras populares. A escolha de voz, percussão corporal e dança como ponto de partida, explica o músico e produtor, vem do caráter coletivo dessas expressões.

O instrumental, em parte da instituição e em parte em compra, deve ganhar nos próximos ciclos a companhia do beatbox e de samplers eletrônicos, que, conforme Mathias, aproximam a música popular de manifestações mais contemporâneas, como o hip-hop e o rap. Aos professores, entre eles Darci Pinheiro - que morou e estudou no próprio Pão dos Pobres -, cabe ainda ouvir os estudantes e incorporar à rotina os gostos musicais deles, em vez de apenas impor um repertório.

A baixa evasão, que surpreendeu a equipe, tem a ver com o conteúdo, avalia o coordenador: "Não é algo abstrato, trazido de um lugar muito distante. São coisas que vem da realidade deles." Com mais de 60 participantes atendidos hoje, a procura já motivou o planejamento da ampliação para cerca de 100 vagas em 2027, com mais profissionais envolvidos.

O custeio vem da Tecnova, empresa gaúcha especializada na integração de soluções para o setor de energia elétrica, que destina R$ 3 milhões ao longo de cinco anos, por meio da Lei Rouanet. A patrocinadora, segundo o músico, fez algo raro no meio cultural, onde a busca por recursos é constante, porque "entendeu a necessidade da gente ter um investimento continuado de longo prazo, inclusive para o objetivo do projeto, que é acompanhar a formação dessas crianças e adolescentes. E isso não se faz com um ciclo de um ano."

Mesmo com os cinco anos garantidos, o Vozes do Futuro precisa ser refeito a cada ano por questões burocráticas da lei, o que permite ajustar a rota no meio do caminho, e é nesse ponto que o coordenador dá peso ao autogerenciamento e ao retorno constante. Os relatórios de cada aula, com reflexões sobre elas e as impressões das turmas, vão para um repositório que será compartilhado, cumprindo com a missão da transparência.

O investimento social, para a Tecnova, tem um histórico anterior à iniciativa. A vice-presidente e sócia Nathalia Behrends Hofmeister, da segunda geração da família à frente da empresa, lembra que as ações sociais já existiam quando a companhia ainda era menor e dependiam exclusivamente do envolvimento das pessoas. Entre elas estão as "marmitas do bem", da época da pandemia, o Natal Solidário, a campanha do agasalho e a pintura de escolas e quadras nas cidades que recebem suas obras: "São os nossos próprios colaboradores que vão e se engajam." A executiva diz pensar sempre em como servir de incentivo para que outros negócios, pequenos ou grandes, apostem na área cultural: "Na cultura sempre vai ter espaço para deixar um impacto social por onde a gente passa", afirma.

Uma nova etapa começa a partir do final do ano, quando os jovens passam a ir até a sede da Tecnova, em Porto Alegre, para palestras e uma formação em gestão de projetos e empreendedorismo com funcionários voluntários. A ideia, segundo Nathalia, é ensinar "a parte de responsabilidade, de autonomia, de como gerir um projeto, de como ter uma entrega futura e quais são as responsabilidades do time", tendo a música como meio. É a lógica da roda de percussão corporal das terças-feiras, em que o grupo só funciona se todos acertarem o tempo juntos, e que Mathias resume numa frase: "A música também é gestão."

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