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Publicada em 05 de Outubro de 2026 às 00:25

Livro sobre história da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro será lançado nesta terça (6)

Livro registra história da oficina de criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro

Livro registra história da oficina de criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro

/ACERVO OFICINA DE CRIATIVIDADE SÃO PEDRO/DIVULGAÇÃO/JC
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Andressa Pufal
Andressa Pufal Repórter de Cultura
O inconsciente é um oceano, de onde, de vez em quando, a gente pesca uma imagem. Essa era uma das ideias centrais da psiquiatra Nise da Silveira. A médica revolucionou o universo da psiquiatria ao propor o fazer artístico como forma de processo terapêutico, em oposição aos tradicionais e dolorosos métodos do século XX. Deste pensamento, nasceram muitas iniciativas que colocavam a arte no centro do tratamento em saúde mental pelo Brasil – e uma delas é a Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro.

Criada em 1990, a Oficina surgiu como um espaço de reabilitação psicossocial por meio de atividades expressivas. Atuando como uma espécie de escafandro, que mergulha nas profundezas do inconsciente em busca de suas imagens, o espaço proporcionou a emersão de cerca de 300 mil peças artísticas.

Agora, a história deste espaço está registrada no livro Exposições que contam histórias: Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, que será relançado nesta terça (6), às 14h no Hospital Psiquiátrico São Pedro (Av. Bento Gonçalves, 2460), a partir da roda de conversa Exposições da Oficina de Criatividade: por que expor?, organizada pela Associação Amigos da Memória do Hospital (AMeHSP). Depois do debate, ocorre a distribuição gratuita de exemplares. Outro evento de lançamento já havia ocorrido no mês passado no Museu da Ufrgs.
Ao longo de 30 anos, espaço produziu cerca de 300 mil obras de arte | ACERVO OFICINA DE CRIATIVIDADE SÃO PEDRO/DIVULGAÇÃO/JC
Ao longo de 30 anos, espaço produziu cerca de 300 mil obras de arte ACERVO OFICINA DE CRIATIVIDADE SÃO PEDRO/DIVULGAÇÃO/JC
A atividade reunirá convidados de diferentes áreas, entre eles participantes ligados à produção da publicação, para discutir o papel das exposições na trajetória da Oficina e refletir sobre a importância de apresentar publicamente trabalhos produzidos em um contexto de saúde mental. A programação contará com intérpretes de Libras e estacionamento para o público nas dependências do Hospital São Pedro.
Além do processo terapêutico decorrente da expressão artística, a exposição das obras permitia com que os frequentadores da Oficina fossem vistos para além dos estigmas associados à instituição psiquiátrica e aos diagnósticos de saúde mental. Muitas vezes, era a única oportunidade que os pacientes tinham de sair pelos portões do Hospital. "Na arte, eles são protagonistas", resume a museóloga Camila Casarotto.

“A Oficina surge desde o início como uma proposta antimanicomial”, declara Camila, que é uma das coordenadoras do projeto e co-autora do livro. “Desde o princípio, é esse lugar em que eles já não são nomeados como pacientes: eles são os frequentadores da oficina, mas não institucionalizados nesse espaço. Também não com uma visão biomédica sobre eles, mas importando primeiro quem são, quais são as suas histórias de vida, quais são seus gostos, suas preferências, como se comportam, como interagem, muito antes de saber o seu prontuário, a sua doença, o seu diagnóstico.”

Além de Camila, também são autoras do livro Barbara Neubarth, Blanca Brites, Edson Sousa, Eurípedes Cruz Jr., Mário Eugênio Saretta, Solange Luciano (Sol), Tania Rivera, Teresa Poester e Vanessa Aquino.

Camila conta que a relação dos pacientes com a Oficina era tão à margem da lógica manicomial que os frequentadores chegavam a achar que, durante as aulas, não estavam nas dependências do Hospital. “O pessoal ia para a Oficina e na hora de voltar para suas unidades, sempre falavam: ‘vamos voltar lá para o São Pedro’. Mesmo estando aqui dentro, não entendiam como sendo o São Pedro.”

Esta e outras histórias foram compiladas na publicação. O livro traz relatos e reflexões de profissionais de diferentes áreas que acompanharam ou pesquisaram sobre a trajetória da Oficina, a fim de preservar a memória deste patrimônio imaterial gaúcho e garantir que as vozes que emergiram desse oceano de criação continuem ecoando para as próximas gerações.
Durante as oficinas de arte, frequentadores da Oficina consideravam que estavam fora das depedências do Hospital | ANA FONSECA/DIVULGAÇÃO/JC
Durante as oficinas de arte, frequentadores da Oficina consideravam que estavam fora das depedências do Hospital ANA FONSECA/DIVULGAÇÃO/JC

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