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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 00:40

Aleph Brasil ata nós em primeiro EP

Aleph Brasil representa a nova geração de músicos de Canoas em primeiro EP solo Atar os Nós.

Aleph Brasil representa a nova geração de músicos de Canoas em primeiro EP solo Atar os Nós.

/SARAH ESCANHUELA/DIVULGAÇÃO/JC
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Joana Luna Camargo
"São folhas voando no sertão do Nordeste, vento meio quente, meio morno." Ao Som, canção que abre Atar os Nós, primeiro EP solo de Aleph Brasil, nasceu dessa paisagem, durante uma temporada na região. As cinco faixas chegam às plataformas digitais nesta sexta-feira (2) e ganham show de lançamento no sábado (3), às 19h, na Casa das Artes Villa Mimosa (Guilherme Schell, 6270, Canoas), com entrada franca e abertura de Paulo Freitas e Xico Chagas. "Divido o palco com duas pessoas importantíssimas na produção desse trabalho", diz.

Nascido em Esteio e criado em Canoas, Aleph começou a tocar por volta dos 15 anos, inspirado pelos músicos mais velhos que via entre os shows e bares da cidade. Já tinha arriscado violão e bateria na infância, mas só levou a música a sério quando deixou de lado o sonho de ser skatista e passou a estudar violão e piano, quando ainda queria ser roqueiro psicodélico - trajetória que o levou às bandas Vá e Fungo Preto, onde toca até hoje.

O rumo mudou no início da pandemia, quando se mudou com a família para Caruaru, em Pernambuco, e depois para Maceió, em Alagoas - período que descreve como obscuro, marcado pelo isolamento, pela ansiedade e por questões de saúde mental, mas inspirador. Através da internet, passou a acompanhar uma geração de compositores da região, como Bruno Berle, Nyron Higor, Batata Boy e João Menezes, bem diferentes do rock já conhecido das terras gaúchas. "Eles possuem algo genuíno que eu admiro muito", relembra. A influência aparece menos na sonoridade e mais no espírito das canções, com uma sensibilidade que remete à sua origem na igreja. A primeira faixa, por exemplo, é pensada por ele como "um louvor, meio um mantra de gratidão".

Atar os Nós marca a primeira experiência de Aleph como produtor musical, função que divide com Paulo Freitas, igualmente estreante no posto, e com Andreas Solrák, responsável pela gravação, mixagem e masterização no Estúdio Caixote, em Canoas. Apesar de todos opinarem de “peito aberto”, a palavra final na gravação e na produção, segundo Paulo, sempre foi do dono do disco. À formação de voz, violão, guitarra, baixo e bateria somaram-se violino, piano, teclado e trompete, por influência de nomes como Andy Shauf, Fleet Foxes e Tim Bernardes.

O compacto ainda reflete toda uma turma contemporânea de novos artistas de Canoas. Aleph e Paulo se conheceram justamente na Villa Mimosa, onde iam praticar piano, e descobriram o gosto em comum pela MPB, parceria que levou Paulo ao baixo da Vá. O Caixote, fundado em 2020 no bairro São Luís, virou ponto de encontro de bandas recém formadas da cidade depois da pandemia, e a artista visual Sarah Escanhuela assina as fotos e artes do trabalho. Para Wender Zanon, produtor executivo do projeto e que acompanha Aleph desde a adolescência, essa turma se organiza de outro jeito: com poucos espaços para se encontrar, recorre aos editais para gravar e circular. "Hoje, há uma preocupação maior em produzir o disco", observa, comparando com a sua geração.

O EP foi financiado pelo Edital nº 172/2024 da Prefeitura de Canoas, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc. Uma turnê de divulgação, já em fase de trâmites pela mesma política, deve levar o trabalho à Região Metropolitana de Porto Alegre e a municípios de Santa Catarina, como Criciúma, Garopaba e Florianópolis - passos que Aleph vê como parte de uma meta maior: viver de música.

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