Neste fim de semana,
o BarraShoppingSul (Diário de Notícias, 300) vai se transformar em Memphis. A
terceira edição do Barra Blues, que antecipa o 17º Mississippi Delta Blues Festival (MDBF) de Caxias do Sul, chega a Porto Alegre trazendo a
história do desenvolvimento do gênero blues, desde as suas origens nas comunidades negras do Delta do Mississippi até chegar em Memphis, grande centro urbano da época. As apresentações serão
na sexta (2), a partir das 18h30, e no sábado (3), a partir das 16h30, no Multiplan Hall. Os ingressos estão à venda pela
Uniticket, por valores a partir de R$ 30,00.
As
doze apresentações do festival se dividirão em dois palcos, Stax Stage e o Sun Records Stage, referências a duas gravadoras fundamentais para a música produzida na cidade norte-americana. “Essa é uma novidade desta edição: ano passado tínhamos só um palco. Agora,
além desses dois espaços, temos um terceiro palco externo e gratuito que vai receber os artistas, ao fim de cada show nos palcos principais, para uma grande
jam session”, comenta Toyo Bagoso, idealizador do MDBF.
O palco extra que receberá as jams gratuitas fica localizado em frente aos restaurantes do Baixo Barra, no
food hall. O palco
Stax Records vai receber apresentações mais focadas em clássicos do soul e do blues, remontando às raízes do gênero. Já o
Sun Records vai ser tomado pela sonoridade do rock dos anos 1950. Esta mistura de sons remonta às transformações que o blues sofreu ao longo do tempo. “Primeiro, surge o blues tradicional, que acaba se tornando mais urbano na cidade de Memphis. A partir dessa transformação, veio o rock and roll e, por fim, surgiu a Soul Music”, explica Toyo.
O
Blues nasce de comunidades negras escravizadas nas plantações de algodão do delta do Rio Mississipi, no extremo sul dos Estados Unidos, em torno do fim do século XIX. Entre cantos de trabalho, igreja e plantações, as canções foram seguindo rio acima até chegarem na
cidade de Memphis, um dos grandes centros mundiais do comércio de algodão. Segundo relatos transmitidos pela memória local, nas noites de sexta-feira, depois de receberem pelo trabalho da semana, muitos seguiam para a Beale Street, uma rua repleta de bares
onde o Blues se desenvolveu.
Foi em Memphis que o blues rural encontrou a modernidade da cidade. Na
Sun Records, misturou-se ao country e ao gospel, ajudando a criar o rock’n’roll – por isso é que o palco batizado com este nome será dedicado ao gênero. Já na
Stax Records, o órgão, os metais, o baixo, a bateria e as vozes das igrejas negras deram forma ao Memphis Soul, que também será celebrado no evento.
“Nosso objetivo é contar essa história. A
cenografia que montamos para o Barra Blues tá muito interessante e realmente conta a história da plantação de algodão no Mississippi”, adianta Toyo. “Quem entrar no Multiplan Hall, estará entrando neste universo. Além disso,
a música também vai contar a história, trazendo os principais clássicos do gênero e trazendo a continuidade dele, com composições autorais dos grupos.”
Na
sexta-feira (2), a agenda de shows começa às 18h30 com os gaúchos
Andy & The Rockets no palco Sun Records, grupo responsável por tocar nos intervalos de todo o festival. O palco Stax recebe a
carioca Sonja (19h) e os
argentinos do Jes Condado Soul & Blues (20h15min). No
sábado (3), o palco principal concentra o
Quarteto Gaveta com Paula Martini e Pedro Petracco (17h),
Beto Saroldi & Funk Brothers recebendo
Sérgio Loroza, Gisa Londero e Etiene Nadine (18h15min), e a
cantora norte-americana Lo Steele com a
Prado Brothers (19h30min). Nas duas noites, as apresentações encerram às 21h com jam session do grupo gaúcho
The Cotton Pickers, no Baixo Barra.
“A ideia também é valorizar os talentos locais.
Porto Alegre tem uma cena de soul music interessante. Acho que é algo do gaúcho: muito músico que já nasce sabendo uma
base forte de rock, por causa do nosso rock gaúcho que é muito tradicional. No fim, a gente acaba tendo
curiosidade e absorvendo muito fácil o blues e a soul music, que são gêneros da mesma família. Eu acho que é por isso que a gente é tão rico musicalmente nesse mesmo estilo”, analisa.