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Publicada em 29 de Setembro de 2026 às 16:11

Cadica Cia. de Dança celebra 33 anos de história em espetáculo nesta sexta-feira (2)

Apresentação será no Simões Lopes Neto e faz apanhado das mais clássicas coreografias da escola

Apresentação será no Simões Lopes Neto e faz apanhado das mais clássicas coreografias da escola

RAFA MORAIS/DIVULGAÇÃO/JC
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Andressa Pufal
Andressa Pufal Repórter de Cultura
“Trinta e três é meu número da sorte”, declarou Cadica no início da entrevista. Talvez seja por este motivo que o destino quis que esta fosse a ocasião a ser comemorada no espetáculo O Repertório. O show celebra não trinta, mas 33 anos de história de uma das companhias de dança mais tradicionais da cidade. Revisitando coreografias, linguagens e memórias, O Repertório será apresentado nesta sexta-feira (2), às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto. Os ingressos estão à venda pelo site da casa, por valores a partir de R$ 50,00.

Com direção de Emily Borghetti e Everson Silva, a apresentação tem como principais protagonistas o novo e o clássico, que se unem em uma dança que mescla obras inéditas, recriações e remontagens de coreografias emblemáticas. No palco, a conserva cultural da Cadica Cia. de Dança aparece na fusão entre os ritmos flamencos e a cultura gaúcha e latino-americana. Sapateado, palmas, bombo legüero e percussão se encontram em uma experiência intensa e pulsante que promete uma viagem no tempo à plateia.

Em cena, nove bailarinos trazem novas linguagens para clássicas coreografias que estão entalhadas na memória muscular de quem passou pelo elenco. “Tudo para mim é ainda meio surpresa”, revela Cláudia Pereira da Costa, a Cadica, idealizadora e fundadora da Companhia, que desde 2017 divide o comando da escola com a filha Emily. “Hoje, a Emily é a diretora da Companhia, eu sigo ao lado dela mais na vice-direção. Por isso dei total liberdade a ela. Eu participo do espetáculo dançando as minhas coreografias de muitos anos, mas alinhado às ideias deles.”

De Garrotin, obra de 1995, até Alegrias, encenada em 2020, o espetáculo percorre esta trajetória a partir de dançarinos atuais da formação. Aí já está a renovação: antigos números, novos corpos. “Os bailarinos antigos que estiverem na plateia vão perceber tudo o que foi renovado”, diz. Impossível precisar quantas peças serão apresentadas, já que, no palco, as composições se entrelaçam até diluirem-se as suas fronteiras. O espetáculo se estrutura em blocos temáticos que, em fluxo contínuo, costuram uma única e indivisível unidade cênica.

Algumas coreografias serão apresentadas na sua totalidade; outras, servem de inspiração para novas montagens e até improvisos. Será uma espécie de “aire com improvisação”, como define Cadica. “Vamos trazer coisas que estão no corpo dos bailarinos, mas também com um pouco de improviso. Cada um com seu aire pessoal.”

O grande diferencial da noite também fica por conta de um sarau que vai construir uma atmosfera intimista e familiar para a apresentação. Esta intimidade começa com uma novidade: Cadica assume o piano e conduz as danças. “Eu toco desde a infância, mas nunca me apresentei em palcos. Era algo só para a família, nos nossos encontros em casa.” Entre os acordes do instrumento, os bailarinos se levantam aos poucos e interpretam as canções.

Essa dimensão afetiva é ampliada com a participação dos filhos de Cadica no espetáculo. Além de Emily, que atua como diretora técnica, Nina da Costa Borghetti também vai estar entre os dançarinos e Pedro da Costa Borghetti, vai estar atuando como técnico de som. “Vai ser quase um show em família”, celebra a coreógrafa.

“Eu me sinto muito honrada, valorizada, respeitada em ver meus filhos fazendo parte desta caminhada. Me vejo num momento de gratidão, em que posso confiar e me abrir totalmente às ideias da Emily, porque sei que posso ficar descansada, que eles vão fazer o melhor trabalho possível, sempre honrando essa história”, emociona-se.

A Cadica Companhia de Dança nasceu em 1993, sob o nome de Paixão Flamenca. Tempos depois, a coreógrafa fundou outro grupo: Homens Gaúchos. Em 2007, uma fusão juntou essas duas ideias e deu vida a esta Companhia que se consolidou com uma proposta artística pioneira de fusão entre a arte espanhola e o folclore gaúcho. Cadica diz que se interessou pelo flamenco a partir do filme Carmen, de Carlos Saura. Foi estudar mais a fundo e se apaixonou: “vi que era uma dança onde a mulher podia ser muito expressiva, a mulher podia sapatear e demonstrar de forma muito marcante a sua força.”

Foi para a Espanha, a fim de estudar mais sobre o ritmo. Lá, percebeu que os movimentos da dança espanhola muito se assemelhavam à nossa cultura gaúcha. Daí nasceu a ideia de uni-los. “Eu tinha um pouco de receio do que o meio tradicionalista ia dizer sobre eu estar trazendo coisas novas, estar fazendo uma fusão.” Foi buscar a opinião direto na fonte: procurou os conselhos de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa, que prontamente apoiaram o projeto.

“Quando eu ouvi isso deles, eu tive um alívio. E aquilo me deu uma força tão grande que podia vir o comentário que viesse que não me abalaria”, recorda. “Acho que o que move o folclore nasce da sabedoria de um povo, daquela terra. Então nós também podemos contribuir inovando, podemos trazer criatividade, trazer um novo olhar, um novo repaginar.”

O flamenco aflora a força das mulheres, no tablado e fora dele. A confirmação disso é que a porta que foi aberta por Cadica também viu passar outras muitas mulheres. Algumas delas, suas filhas Nina e Emily – a primeira, dando os frutos do flamenco; e a última foi revolucionar na chula, ritmo desde sempre reservado aos homens e que agora a vê romper barreiras. A dança ensina a usar o corpo, mas principalmente o pé: para seguir compassos e para abrir caminhos.

“Sou muito feliz porque sou apaixonada pelo que faço. Nesses 33 anos, o balanço é positivo. Passamos por altos e baixos, como tudo na vida, mas o que importa é uma vida toda dedicada a algo que faz sentido, que dá prazer, que valoriza nossa cultura. É um trabalho no qual eu coloco todos os meus conhecimentos e espero que tenha vida longa, trazendo ainda mais felicidade a todos que participam.”

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