Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 24 de Setembro de 2026 às 09:29

Ingra Lyberato une teatro e terapia em espetáculo imersivo inédito

Ingra Lyberato interpreta a Guardiã da Vida em

Ingra Lyberato interpreta a Guardiã da Vida em "Céu Interior", espetáculo que estreia neste domingo (27), no Teatro Unisinos.

RICARDO LAGE/DIVULGAÇÃO/JC
Compartilhe:
Joana Luna Camargo
"Essa é a experiência mais coletiva no teatro que eu já vivi." É assim que Ingra Lyberato, atriz, escritora e terapeuta, descreve Céu Interior, montagem cênica imersiva que reúne teatro, música com instrumentos ancestrais, poesia, performance corporal e pintura ao vivo. O espetáculo chega ao Teatro Unisinos neste domingo (27), às 19h, com ingressos entre R$50,00 e R$200,00, disponíveis pela plataforma Sympla.

A gênese do projeto remonta aos últimos sete anos de trabalho da atriz como terapeuta sistêmica, usando de ferramentas como a constelação familiar e formações em ecopsicologia. Nesse período, desenvolveu, ao lado do músico especializado em sound healing, Thiago Salamoni, uma série de encontros terapêuticos presenciais que já incorporavam elementos artísticos, entre eles, o textos, a danças e a música: "Começamos a compartilhar a vontade de expandir essa vivência para além da terapia", relembra. A ideia amadureceu aos poucos, somando outros nomes - Thiago Tenório, Evander Bica, a professora de yoga Camila Zen -, até ganhar corpo de espetáculo num teste realizado num retiro da própria Camila. "Cada um escrevia seu próprio texto", conta Ingra, sobre o processo que teceu a dramaturgia, costurada posteriormente por Tenório, que assina o roteiro.

O conteúdo que ela leva ao palco nasceu de forma espontânea no próprio consultório, fruto de atendimentos em que percebia recorrentemente a presença do mesmo tema: as heranças emocionais - positivas e negativas - que carregamos antes mesmo de nascer. Em cena, interpreta a Guardiã da Vida, responsável por trazer à tona a ancestralidade - "de onde a gente vem, o que nos constitui", resume.

Já a proposta de dissolver as fronteiras entre palco e plateia não significa necessariamente interação física direta com o público: "Convidamos a plateia o tempo todo a viver as experiências junto com a Viajante, personagem principal", explica Ingra, descrevendo uma estrutura dividida em atos, que segue a lógica de uma jornada do herói clássica. As artes visuais também sobem ao palco: uma pintura ao vivo de Karla Miranda reforça o caráter único de cada sessão, já que cada apresentação resulta num quadro inédito.

Para a atriz, o trabalho também marca um retorno aos palcos depois de anos de pausa - a peça Inimigas Íntimas, que ela protagonizou por 12 anos em Porto Alegre, interrompeu as apresentações na pandemia e nunca foi retomada. Desde então, dedicou-se majoritariamente ao universo terapêutico e à escrita, lançando três livros. Ela destaca o papel do diretor Fernando Rodembusch como facilitador, e não como figura de comando tradicional: "Ele é o grande apoio que nos dá segurança criativa e todo mundo contribui."

Notícias relacionadas