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Publicada em 17 de Setembro de 2026 às 11:39
Quem não lembra dos grandes olhos melancólicos, das madeixas loiras em camadas, da tímida expressão corporal, dos looks icônicos e, principalmente, da empatia da Princesa Diana? Assim se constrói um ícone. Quase três décadas depois do seu falecimento, a Princesa do Povo ainda segue viva no imaginário de gerações. Uma vida que seguiu todos os ritos de um conto de fadas, com direito aos luxos e às tragédias, agora sobe ao palco do Teatro da Fiergs em um musical que promete apresentar a mulher por trás do mito.
Com direção de Tadeu Aguiar e Mavi Carpin no papel de Diana, o musical Diana – A Princesa do Povo tem temporada de 18 a 20 de setembro, com sessões na sexta-feira, às 20h30; no sábado, às 16h e às 20h30; e no domingo, às 16h. Os ingressos estão à venda pelo Sympla, com valores a partir de R$ 25,00. Em uma montagem brasileira não-réplica, o musical propõe um olhar próprio para a trajetória de Diana Spencer, aproximando o público da mulher que existia para além dos palácios, das manchetes e da imagem que correu o mundo.
“Quando você interpreta um personagem fictício, existe um espaço muito grande para criatividade. E quando você está interpretando uma personagem que de fato já existiu é diferente, porque as pessoas vão ao teatro esperando enxergar algo que elas já viram em algum momento”, reflete Mavi, que dá vida a Diana no espetáculo.
A atriz realizou um amplo trabalho de pesquisa para conseguir chegar o mais perto possível da princesa. Embora haja inúmeras peças ficcionais sobre a vida de Diana, ela se concentrou principalmente em assistir a vídeos de acervo, como entrevistas e clipes de seus momentos icônicos.
Além disso, Mavi realizou um estudo detalhado da corporalidade específica da princesa, uma característica muito marcante e reconhecível pelo público. “Eu tenho tentado que as pessoas não me vejam, não vejam a Mavi. Eu quero que as pessoas vejam de fato a Diana através de mim e lembrem porque se apaixonaram por ela. É um processo de me desvincular de mim mesma.”
Os outros membros da realeza também ganham vida através de um grande elenco que conta com Lucas Britto, interpretando o príncipe Charles; Simone Centurione, que vive a rainha Elizabeth; e Giselle Prattes, no papel de Camilla Parker Bowles. Juntos, esses personagens conduzem os principais conflitos afetivos, institucionais e públicos que atravessam a trajetória da princesa e da Família Real britânica.
A montagem brasileira prioriza revelar a individualidade e as contradições de cada sujeito. Na direção, Tadeu Aguiar buscou humanizar os personagens, mostrando suas dores, frustrações e diferentes lados, em vez de dividi-los de forma maniqueísta entre 'bons' e 'maus'. “O interessante do espetáculo, graças ao nosso diretor, é que a gente conseguiu trazer esse lugar da humanização de cada persona. Essas pessoas de fato existiram e algumas delas existem até hoje. Então, é importante humanizar”, analisa Mavi.
Toda a pompa de uma história de príncipes e princesas não podia ficar de fora. A superprodução da montagem surpreende nos números, em cenários, roupas e paisagismos que ajudam a construir a suntuosidade real. Com cenografia de Natália Lana e figurinos de Ney Madeira e Dani Vidal, são 200 equipamentos de iluminação, 250 figurinos, 58 perucas, 560 metros de tecidos nobres – entre veludo, oxford e jacquard –, 850 botões, 15 quilos de pedrarias e mais de 100 pares de sapatos.
Números colossais que compõem um guarda-roupa que atravessa diferentes épocas, estilos e códigos visuais associados à realeza britânica, bem como constroem a atmosfera visual do universo da realeza britânica. “A história se passa em muitos lugares, então tem o palácio, tem a casa da Camila, tem o escritório do Charles, tem um momento que é no hospital”, enumera Mavi.
“O nosso cenário realmente é uma coisa muito linda. Nossos figurinos também são maravilhosos. A Diana tem acho que 25 trocas de roupa, o que é muita coisa, é insano. A gente tem uma equipe muito muito competente de camareiras e de pessoas que nos ajudam, porque, às vezes, eu tenho menos de 30 segundos para trocar de roupa.”
Mesmo sem pertencer à geração que acompanhou a Princesa de Gales em vida, a Mavi Carpin revela que a figura de Diana sempre esteve muito presente em sua trajetória pessoal, impulsionada pela admiração de sua mãe e de sua tia -- revelando a atualidade do tema, trinta anos depois. Para Mavi, é uma honra poder contar esta história.
"Ela revolucionou toda a história do feminismo, ela revolucionou a moda, ela revolucionou a monarquia. A gente não pode esquecer que muitas coisas que a gente faz hoje é graças a mulheres muito fortes que já se foram."