De Gramado
Símbolo não apenas do Festival de Cinema de Gramado, mas do cinema brasileiro como um todo, o Kikito completa 60 anos de existência em 2026 – ou seja, ele é ainda mais antigo do que o evento que o consagrou no imaginário audiovisual do País. Descrito pelo material promocional do Festival como uma representação do Deus da Alegria, o sorridente sol que ilumina o cinema brasileiro é uma das mais cobiçadas estatuetas no universo das telas, além de figura onipresente na cidade da Serra gaúcha durante os dez dias de evento.
O Kikito nasceu em 1966, obra da artesã Elisabeth Rosenfeld. De início, era pouco mais do que uma lembrancinha: tratava-se de uma pequena estatueta de chumbo, que a artista dava de presente para amigos que visitavam seu ateliê. O simpático sol sorridente só começou a ganhar fama de fato em 1972, quando foi um dos destaques da Feira Internacional de Artesanato de Gramado. No ano seguinte, achou de vez seu lugar para brilhar, sendo adotado pelo Festival de Cinema desde sua primeira edição.
Curiosamente, a ideia original para o prêmio era outra. Como o Festival de Cinema surgiu em anexo com uma Feira das Hortênsias, o troféu seria inicialmente uma hortênsia de ouro. Foi por intervenção do então secretário de Turismo de Gramado, Romeu Dutra, que a estatueta do Kikito foi escolhida: encantado com a imagem, ele a defendeu junto aos colegas de prefeitura até que se decidissem por usá-la na premiação. O sucesso foi tamanho que nunca mais se cogitou outro personagem para a festa do cinema.
O sucesso do Kikito foi tamanho que acabou chamando a atenção de Hollywood. No início dos anos 1980, a prefeitura de Gramado buscou registrar a propriedade intelectual do Kikito, e enfrentou um oponente inesperado: ninguém menos que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, alegando que nosso Deus da Alegria era “parecido demais” com o Oscar. A prefeitura serrana precisou elaborar uma detalhada defesa da originalidade do personagem, trazendo as referências culturais em torno dele e a sua conexão com o panorama artístico da região. Felizmente, a justiça decidiu a favor de Gramado, e em 1988 o símbolo do Festival virou de vez propriedade do município.
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