De Gramado
Provocando uma das maiores comoções de público em Gramado até o momento, o longa Chorão - Só Os Loucos Sabem, de Hugo Prata e Felipe Novaes, foi a atração da noite de segunda-feira no Palácio dos Festivais. A cinebiografia do músico que liderou a banda de rock Charlie Brown Jr traz José Loreto e Nanda Marques nos papeis principais, e a verdade é que foi muito bem recebida pelo público - não apenas pelo fascínio de um músico que virou lenda no rock brasileiro, mas porque se trata, de fato, de um filme divertido e eficiente dentro do que se propõe.
A história de Chorão (Loreto) é contada a partir de seu relacionamento amoroso com Graziela (Novaes), companheira durante o auge da fama do músico - de forma que, mais do que uma coadjuvante na saga de um skatista sem futuro rumo ao estrelato nacional, a namorada e depois esposa se revela quase uma co-protagonista, sendo responsável por vários dos principais giros da narrativa. Ambos estão bem em seus papeis (Loreto, em especial, é desde já favorito ao Kikito de melhor ator pela entrega na interpretação do cantor), e é muito fácil simpatizar com o casal desde antes do primeiro beijo, o que só reforça a conexão emocional com o que está acontecendo na telona.
Como esperado, o filme traz uma linguagem semelhante às cinebiografias de astros da música como Michael Jackson, Bob Dylan e Queen, que se transformaram em um lucrativo filão na indústria do cinema. Ou seja, não é uma obra que pretenda revolucionar o audiovisual brasileiro: é cinema de entretenimento, feito para emocionar os fãs de Charlie Brown Jr. e que entrelaça momentos da história da banda com eficientes performances ao vivo, com edição típica de videoclipe. Embora a postura chapa-branca do longa não chegue a ser irritante, não espere grandes polêmicas na tela: o uso de drogas de Chorão aparece pouco (só maconha e cerveja, com vícios mais pesados sendo no máximo insinuados de forma discreta), as explosões de violência são quase estilizadas e aspectos nebulosos (como a conturbada relação com a primeira esposa, Thais) são convenientemente deixados de lado. Mesmo as cenas de sexo são breves e esparsas, de forma que possam ser editadas sem dificuldade quando o filme for passar em uma Sessão da Tarde no futuro.
Talvez a maior força de Chorão - Só Os Loucos Sabem esteja justamente em cumprir o que promete, sem exageros e sem tentar um passo maior que a perna. De certa forma, há até um sucesso quase surpreendente no longa, que consegue construir a espiral descendente da saúde mental de Chorão de forma convincente, dramática na medida certa - mesmo que os últimos e tristes capítulos sejam citados bem rapidamente, quase de passagem, como se o longa não quisesse estragar a vibe boa falando muito tempo de coisa ruim. Não há dúvida de que Chorão - Só Os Loucos Sabem vai bombar nas bilheterias (chega aos cinemas em março de 2027), e a chance de você se divertir diante da telona é bem significativa - é só não botar as expectativas lá em cima ao deixar seu dinheiro na bilheteria e tudo deve ficar bem.
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