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Publicada em 03 de Julho de 2026 às 00:40

Chico Petracco vive o jazz entre o Brasil e os EUA

Filho de nomes fortes da cena, Petracco foi aos EUA com 18 anos estudar piano

Filho de nomes fortes da cena, Petracco foi aos EUA com 18 anos estudar piano

/CISCO VASQUES/DIVULGAÇÃO/JC
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Joana Luna Camargo
Chico Petracco era criança quando foi ao cinema com os avós ver o filme Up, Altas Aventuras. Ao chegar em casa, sentou no piano e ficou ali procurando, entre as teclas, a valsa do filme de ouvido, nota por nota, até ter algo para tocar. "Fui mostrar para eles no dia seguinte. Primeiro ficaram desconfiados que a música não era assim, mas depois foram ouvir e era mesmo como eu toquei", relembra. A cena poderia parecer previsível para quem nasceu cercado pelo ambiente musical, já que é filho de Márcio Petracco, integrante da banda TNT, lenda do rock gaúcho, e também irmão do multi-instrumentista Pedro Petracco, mas Chico faz questão de lembrar que ficou quase dez anos sem tocar desde o primeiro contato com o instrumento até a adolescência, momento que o interesse foi redescoberto naturalmente.

As aulas de piano de fato começaram apenas em 2019, quando tinha 15 anos, com a pianista Elaine Foltran, que logo o apresentou à sua mestra Dirce Knijnik, uma das professoras mais respeitadas do meio musical do Rio Grande do Sul, falecida há dois anos. A conexão com Dirce o levou até Alessandra, que foi aluna dela e hoje é professora do Chico na University of North Carolina, na cidade de Greensboro. Antes, passou pela University of South Dakota, em Vermillion, onde chegou em 2023 com 18 anos e uma bolsa conquistada via audição. O choque com a mudança de continente foi sentida: "Eu achava que falava inglês super bem. Até chegar lá e se dar conta que não é bem assim. Para uma conversa mais informal levou um tempinho", admite. Mas reafirma que é uma experiência enriquecedora e que não conseguiria se não fosse tamanha convicção sobre o que está fazendo.

Em menos de três anos nos Estados Unidos, acumulou uma lista de prêmios que inclui o primeiro lugar no XIII Concurso Internacional de Piano Edna Bassetti (2022), o Concurso Nacional de Piano Casa da Música e o Concurso Nacional Olhares da Cena (2023), além de ter vencido a competição da South Dakota Music Teachers Association na categoria de piano universitário e o Concurso de Concerto da USD. Tocou como solista com orquestra no Festival de Música de Carazinho e com a Orquestra Sinfônica da USD. Suas referências pianísticas vêm principalmente do clássico, entre os nomes citados estão Nelson Freire, Arthur Moreira Lima, Guiomar Novaes; mas ele descreve seu gosto como eclético, transitando entre o erudito e o popular.

Quando volta a Porto Alegre, a rotina muda de tom. "Para mim é um troço muito emocionante tocar aqui, porque tu voltas e tocas com pessoas que tu já admiras, já tens contato, cruza pela cena fazendo coisas legais", diz. Nessa pausa das férias de verão do hemisfério norte, toca aqui no hemisfério sul com a banda Wesley e os Lancasters, formada a partir de um encontro no clube da Dama do Jazz, Ivone Pacheco, o Jazz Take Five, com o baterista Luciano Bolobang, que o abordou depois de um show em que o pianista deu uma palinha e propôs tocarem juntos. O grupo reúne ainda o baixista Antônio Nader, amigo de infância de Chico. O repertório parte de diversos gêneros, que o pianista explica: "Se for tentar dividir bem certinho o que é bossa, MPB, samba, funk, soul, no fim das contas são rótulos meio comerciais. É uma mistura de música de diáspora com raízes africanas.".

Sobre a capital gaúcha, o músico possui uma visão que equilibra o afeto e a lucidez. "É uma cidade que a gente fala muito mal, mas tem uma cena artística muito interessante", pondera. Para o futuro próximo, a ideia é continuar nos Estados Unidos da América para fazer mestrado. Depois disso, a Europa aparece como um possível destino, tendo as portas que o velho continente abre como uma das razões da escolha: "É uma história clássica, aconteceu com Villa-Lobos, com Thelonious Monk, de serem reconhecidos primeiro na Europa enquanto no Brasil e EUA eram ignorados. Acho que eles têm uma visão mais aberta para ouvir outras coisas." Com apenas 21 anos, o pianista Chico Petracco não parece com pressa, mas tampouco com dúvidas sobre para onde está indo.

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