Morreu, aos 56 anos, a artista visual, escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi. Ela tornou-se famosa mundialmente pela autobiografia em quadrinhos Persépolis, baseada em sua infância no Irã durante a Revolução Islâmica e que se transformou em best-seller mundial. Segundo comunicado da família divulgado nesta quinta-feira (4), ela morreu de "tristeza", cerca de um ano após a morte do marido, o ator e produtor de cinema sueco Mattias Ripa. Em suas redes sociais, a maior parte das postagens recentes expressavam o luto da artista diante da morte de Ripa, a quem se referia como o amor de sua vida.
Com traços simples em preto e branco e uma linguagem capaz de abraçar com clareza e sensibilidade as complexidades da sociedade iraniana sob o regime dos aiatolás, Persépolis (2000) tornou-se um marco contemporâneo dos quadrinhos. A obra é a única graphic novel a entrar na lista dos 100 melhores livros do início do século XXI do jornal norte-americano New York Times, e sua adaptação para o cinema em 2007 ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Ela também assinou obras como Bordados (2003) e Frango com Ameixas (2004). O segundo também virou filme, dirigido por Satrapi, que também assina o longa As Vozes (2014).
Marjana Satrapi vivia exilada na França desde 1994, tendo recebido a naturalidade francesa em 2006. Crítica ferrenha do regime iraniano, Marjane era uma apoiadora pública do movimento Mulher, Vida, Liberdade, surgido após a morte de Masha Amini, 22 anos, que estava sob custódia da polícia de moralidade do Irã por não seguir o código de vestimenta religiosa exigido pelo regime. Chegou a recusar uma medalha da Legião da Honra concedida pelo governo francês, denunciando a postura "hipócrita" do país europeu diante do aumento dos casos de violência política e religiosa no Irã.
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!