Neste
domingo (31), a bailarina Silvia Wolff retorna aos palcos com o espetáculo Pena, um solo que traz à cena a
história do corpo de uma bailarina que estudou nas melhores escolas de ballet do mundo, construiu uma trajetória de sucesso nas companhias Berlin Opera Ballet e a Pennsylvania Ballet, e, após um
AVC, lida com a
estética habilista na dança. A apresentação integra a programação do Palco Giratório e ocorre
às 19h, no Estúdio Stravaganza (Rua Dr. Olinto de Oliveira, 68). Ingressos a partir de R$ 15,00 no
site do Sesc.
Com
direção de Flávio Campos,
Pena lança mão de procedimentos de criação do
Balé Possível, fruto da investigação de Silvia em seu pós-doutorado na Faculdade de Motricidade humana da Universidade de Lisboa e explorado por ela como professora na graduação em Dança da Universidade Federal de Santa Maria e em projetos internacionais que realizou junto a pessoas com e sem deficiências.
Aos 34 anos, Silvia sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que lhe deixou sequelas. Neste retorno à cena, ela
confronta os significados simbólicos e ideológicos do corpo deficiente. O título
Pena é remanescente de uma experiência vivida junto a um amigo, a quem Silvia disse que não mais voltaria à cena. “Fui com um amigo ao teatro para assistir a um espetáculo de dança e encontramos uma amiga de infância. Ao vê-la caminhando com as dificuldades pós-AVC, a amiga exclamou: ‘
Que pena, né? Tu era tão bonita!’.
Pena surge, então, enquanto ideia para uma criação cênica que possa
lidar com a estética habilista desse belo, perfeito e ideal tão específicos do contexto do balé, não só pela pluralidade de significados da palavra, como também por sua relação com a figura do Cisne, muito presente na trajetória profissional da autora em questão, recorda Silvia Wolff.