Um incidente bem-humorado, mas ao mesmo tempo bastante emblemático, serviu como bom resumo para o ótimo show de Robert Plant e seu projeto Saving Grace no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, nesta terça-feira (19). Quase ao final da apresentação, em um dos vários momentos de efusivos aplausos ao vocalista, uma voz se destacou na plateia e, em referência a um dos clássicos máximos do Led Zeppelin, gritou: "Rock and Roll!" A resposta de Plant foi imediata. "Tudo isso aqui é, seu ignorante", rebateu - num tom sem dúvida afiado, mas muito mais para o brincalhão do que para o agressivo, arrancando até algumas risadas dos presentes.
Não é de se dizer que Plant se incomode com as inevitáveis lembranças de seus dias como frontman de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, mas a verdade é que, hoje em dia, ele está em outra. O Saving Grace é, acima de tudo, um projeto ligado ao folk e às raízes do blues, dedicado a revisitar canções que tiveram papel significativo na formação musical do cantor. Não se trata de um show de rock, no qual as pessoas vão pular e cantar a plenos pulmões com um copo de cerveja na mão: é uma proposta muito mais intimista e contemplativa, que convida à audição atenta e aos aplausos comportados (ainda que efusivos) ao final de cada música. Ainda assim, estamos tratando de estilos que estão na raiz da grande árvore roqueira que estendeu seus galhos e frutos pelo mundo - ou seja, a afirmação enfática e ligeiramente rabugenta de Plant faz todo o sentido. É tudo rock and roll, no fim das contas, mesmo que a linguagem seja um tanto diferente.
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