No mundo da música, um artista pode se considerar sortudo se conseguir conquistar, uma vez que seja, o estrelato. Imagine-se, então, a emoção do cantor e guitarrista Roy Orbison ao gravar, em setembro de 1987, o especial de televisão A Black and White Night - um evento que marcava não o primeiro, mas o segundo auge da carreira do músico. Cercado de convidados do quilate de Bruce Springsteen, Bonnie Raitt, k.d. lang e Tom Waits, o cantor - nascido há exatos 90 anos, em 23 de abril de 1936 - parecia não apenas extasiado, mas sinceramente surpreso com a adulação que recebia. "Se houver qualquer coisa que eu possa fazer por você, me ligue", dizia ele aos muitos famosos que subiram ao palco com ele naquela noite. Uma forma comovida e ligeiramente desajeitada de demonstrar sua gratidão pelo que, em coerência com sua personalidade sempre reservada, não conseguia deixar de ver como uma gentileza exagerada, que talvez nem mesmo merecesse de verdade.
Estava enganado, é claro. A verdade é que merecia sim, e muito, todas as honrarias. Mais do que um dinossauro da indústria surfando uma onda saudosista, Orbison havia reconquistado o estrelato praticamente do zero, com material novo e relevância renovada. Já cinquentão, o músico conquistou seus primeiros Grammy, com as gravações de That Lovin' You Feelin' Again (em parceria com Emmylou Harris) e Crying (ao lado de k.d. lang), e a participação no supergrupo The Travelling Willburys - ao lado de lendas (e fãs) como George Harrison, Tom Petty e Bob Dylan - foi um estrondoso sucesso de vendas. Músicos tão díspares como Bruce Springsteen, Glenn Danzig e a banda Van Halen estavam fazendo sucesso com regravações suas, e o uso do clássico In Dreams como trilha sonora de Veludo Azul, de David Lynch, o recolocou de vez no imaginário das multidões - ao ponto de um filme com sua história ser fortemente cogitado à época, com Martin Sheen no papel principal.
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