O Museu de História Julio de Castilhos (MHJC) se tornou o guardião oficial de um capítulo reluzente da memória brasileira: o acervo pessoal de Ieda Maria Vargas. Primeira brasileira a ser coroada Miss Universo, em 1963, Ieda teve sua trajetória eternizada em uma coleção entregue por seus filhos no último dia 3, em Gramado (RS), e que agora passa a ser documentada, catalogada e preservada pela equipe técnica do museu para futuras exposições e pesquisas.
A doação revela a sofisticação de uma era, reunindo desde vestidos de alta costura assinados pelas estilistas Milka Wolff e Beatriz de Salles e Silva – peças que brilharam nos palcos do Miss Brasil e do Miss Universo – até as próprias malas originais que transportaram esses itens na época. O conjunto é vasto e detalhado, composto por faixas, medalhas, diplomas, telegramas e recortes de jornais, além de um acervo fotográfico com mais de 800 registros que documentam a recepção calorosa de Ieda no País e sua relevante atuação em frentes diplomáticas e causas sociais. Entre as raridades, destaca-se um bibelô de porcelana que a retrata com o traje típico gaúcho usado no concurso, uma peça tão singular que possui apenas um exemplar semelhante sob a guarda do Museu Histórico Farroupilha.
A museóloga e coordenadora do MHJC, Doris Couto, destaca que receber esse acervo reforça a missão do Museu em salvaguardar a história política e social do Rio Grande do Sul, celebrando Ieda não apenas como uma rainha da beleza, mas como uma embaixadora da cultura gaúcha cuja elegância e coragem seguem inspirando gerações. Esse sentimento de pertencimento é confirmado pelo filho de Ieda, Rafael Athanasio, que destaca o "profundo vínculo" da mãe com suas raízes. Ele relata que, mesmo após o título mundial, Ieda recusou propostas para trabalhar nos Estados Unidos ou fazer novelas em outros estados, optando sempre por permanecer e atuar em Porto Alegre. Segundo Athanasio, ver o legado da mãe resguardado pela Instituição (que é vinculada à Sedac-RS) traz uma grande felicidade à família, que aguarda com expectativa o fim das reformas no Museu para ver as peças expostas.
Nascida em Porto Alegre, Ieda Maria Vargas transcendeu o universo das passarelas para se tornar um símbolo de emancipação e sofisticação na década de 1960. Além de sua beleza icônica, ela se destacou pelo apoio filantrópico a diversas causas e às tropas do Batalhão Suez. Ieda foi casada com José Carlos Athanasio e teve dois filhos. Faleceu em dezembro de 2025, aos 80 anos, e sua despedida na Assembleia Legislativa foi marcada pela comoção pública e pelo reconhecimento do governador Eduardo Leite, que a definiu como o símbolo do charme da mulher brasileira para o mundo, garantindo que sua trajetória permaneça viva como uma referência histórica inabalável.
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