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Publicada em 27 de Janeiro de 2025 às 14:48

Peça teatral 'O Profeta Louco' faz sua estreia dentro do Porto Verão Alegre

Espetáculo dirigido por Suzi Martinez, O profeta louco faz sua estreia dentro do 26º Porto Verão Alegre, nesta terça-feira, no palco do CHC Santa Casa

Espetáculo dirigido por Suzi Martinez, O profeta louco faz sua estreia dentro do 26º Porto Verão Alegre, nesta terça-feira, no palco do CHC Santa Casa

SUZI MARTINEZ/DIVULGAÇÃO/JC
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Adriana Lampert
Adriana Lampert Repórter
Monólogo interpretado pelo ator Juliano Passini, com direção de Suzi Martinez, a comédia-dramática O profeta louco estreia às 20h desta terça-feira (28) no Teatro CHC Santa Casa (av. Independência, 75). A apresentação da montagem contará com outras duas sessões, que acontecem na quarta (29) e na quinta-feira (30), no mesmo horário, dentro da programação do 26º Porto Verão Alegre. Os ingressos custam entre R$ 21,00 e R$ 60,00 e estão à venda no site do Festival. 
Monólogo interpretado pelo ator Juliano Passini, com direção de Suzi Martinez, a comédia-dramática O profeta louco estreia às 20h desta terça-feira (28) no Teatro CHC Santa Casa (av. Independência, 75). A apresentação da montagem contará com outras duas sessões, que acontecem na quarta (29) e na quinta-feira (30), no mesmo horário, dentro da programação do 26º Porto Verão Alegre. Os ingressos custam entre R$ 21,00 e R$ 60,00 e estão à venda no site do Festival. 
Adaptação do texto original do dramaturgo espanhol Paco Bernal, o espetáculo conta com uma linguagem ágil e de humor ácido. Em cena, Passini interpreta um homem contemporâneo cravado na cruz, que está "cansado" do papel que a sociedade deu a ele, de representar o sacrifício pelos seres humanos. Ele sai para as ruas pregando, assim como o Profeta mais conhecido do mundo fez, e começa a incomodar. "O texto parte da ideia de falar sobre o homem chamado Jesus e o que a história fez com ele; por outro lado, se propõe também a falar sobre a saúde mental, através da hipótese de que alguém, nos dias de hoje, nos dissesse: 'eu sou Deus!', explica Suzi. A diretora teatral, que é tradutora de Espanhol, assina também a adaptação da peça – autorizada pelo autor do texto, que é seu amigo de lonta data. 
"Conheci Paco quando cursavámos Artes Cênicas em Málaga", conta a artista, que, entre os anos de 1988 a 1996, viveu naquela cidade da Espanha, ao lado do marido (Rogério Beretta) e do filho (Vitório Beretta). "Paco sempre me chamou atenção, porque sempre foi muito questionador, irônico, debochado, sempre tinha um ponto discordante de qualquer assunto", comenta. A diretora afirma que quando assistiu a montagem original, em 2012 (em uma de suas constantes viagens ao país ibérico), – decidiu que iria montar um espetáculo com a sua "visão" da obra. De lá para cá, ela esteve envolvida com outros trabalhos no teatro, e acabou adiando o projeto. Passado o período crítico da pandemia de Covid-19, decidiu que "estava preparada" para se debruçar na tradução e na adaptação do texto. "Acho que consegui atingir meu objetivo: desde o início, eu queria que 'quebrasse' mais, que tivesse momentos mais delicados, mais ternos e de cumplicidade com o público", explica Suzi, se referindo ao texto de Bernal, que é repleto de referências à literatura espanhola e com forte carga expressiva. 
Sem abrir mão da intensidade do texto, o humor presente na montagem gaúcha proporciona momentos de "respiro", em meio a muitos questionamentos que "colocam o dedo na ferida", em torno da vida "do maior produto de merchandising" da humanidade. "As coisas que são ditas são impactantes, desacomodam, questionam o que temos como verdades absolutas", destaca Suzi. "Bebendo dos evangelhos apócrifos, em determinado momento o texto defende de uma maneira muito lógica e muito humana a posição de que Maria Madalena seria a herdeira da Igreja (Católica) – e não Pedro e Paulo", exemplifica a diretora. "A gente nota que isso é possível, mas que a História foi para outro lado, já que o homem controla tudo e as mulheres ficam subordinadas a seu poder", reflete.  
A diretora ressalta que o personagem da peça é "profundamente sabedor" do que é a vida, da generosidade, das ideias revolucionárias, do amor ao próximo e cooperativismo. "Ele tem a sabedoria popular e social do próprio Profeta (descrito na História)", destaca. Segundo Suzy, o espetáculo vai se desenrolando a um ponto que o público já não sabe mais "quem é quem". "Ao mesmo tempo, as pessoas se identificam e são empáticas com esse homem que tem um trabalho – que é ficar lá crucificado o tempo todo– e se sente explorado, que quer 'cair no esquecimento' ou ao menos 'tirar umas férias'", sinaliza a diretora, emendando que o personagem de Passini, além de contar a história em cena, vive essa situação "engraçada, mas lógica", em meio a momentos líricos e emocionantes, que ele divide com pessoas imaginárias, a exemplo de seus discípulos, sua mãe e seu pai.
Adiados em 2024 devido às enchentes no Rio Grande do Sul, os ensaios de O profeta louco começaram em setembro. A montagem tem preparação corporal de Carlota Albuquerque, trilha sonora de Álvaro RosaCosta, cenografia de Marco Fronckowiak, figurinos de Ajjef Ghenes e luz de Maurício Moura. A sessão do dia 30 de janeiro terá acessibilidade em librasaudiodescrição e será seguida, às 21h, de um debate entre o ator e a diretora do espetáculo com as psicanalistas Luciana Maccari Lara e Lísia da Luz Refosco,  integrantes do projeto Cena Sig, realizado pelo Porto Verão Alegre em parceria com a Sigmund Freud Associação Psicanalítica. A pauta irá girar em torno de questões de saúde mental relacionadas ao espetáculo. 




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