Até o final de novembro, o coletivo de arte Bando de Brincantes estará com intensa programação vinculada ao Mês da Consciência Negra, incluindo oficina formativa de audiovisual de animação, palestra técnica, peça teatral e leitura dramática. Liderado pela atriz, diretora e dramaturga Viviane Juguero, o grupo trabalha há 19 anos com o universo lúdico para crianças e jovens; e, mais recentemente, conta com parceiros internacionais, a exemplo da iluminadora, professora e pesquisadora norte-americana Kathy Perkins.
A artista estaduinense, que assina sete antologias de dramaturgia negra, irá participar da maior parte das atrações da agenda programada pelo coletivo gaúcho. O primeiro deles é o evento de lançamento do programa Raça e gênero na dramaturgia para públicos infantis e adultos, que acontece nesta sexta-feira (8), às 15h, com entrada franca, no Salão Mourisco da Biblioteca Pública do Estado (rua Riachuelo, 1.190). Financiado pela Lei Paulo Gustavo/Sedac-RS (Edital 16/2023), o programa é voltado para a formação do projeto audiovisual de animação para a primeira infância Jogos de inventar, pontuando a relevância da promoção de democracia estética na formação e transformação dos ambientes sociais por meio de distintas manifestações artísticas.
Na ocasião, Viviane discorrerá, entre outras temáticas, sobre especificidades dialógicas da arte para crianças, como forma de empoderamento infantil e promoção da diversidade, com destaque para a questão da representatividade da negritude. Ela observa que a série Jogos de inventar (de sua autoria) chega na segunda temporada após ter sido exibida na TV Brasil, em mais de 30 canais universitários, comunitários e públicos brasileiros, e em eventos de outros 15 países, e que o evento tem como foco agregar profissionais negros no projeto. "Apesar do elenco ser totalmente de pessoas negras, os personagens do desenho são mestiços, a fim de que as crianças se sintam representadas na sociedade desde pequenas", pontua a dramaturga, emendando que a série é destinada à primeira infância. Todo o material da primeira temporada está disponível na internet (https://linktr.ee/Jogos_de_Inventar).
Kathy, por sua vez, falará sobre seu trabalho com dramaturgia negra, baseado em obras de e sobre mulheres africanas e afro-diaspóricas. "Será uma uma oportunidade única para o público conhecer a trajetória desta que é uma das maiores editoras de dramaturgia negra no mundo", destaca Viviane. O evento contará, ainda, com a presença dos professores Celso Jr., da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e Aceves Moreno, da Universidade Federal de Ouro Preto.
No domingo (10), a estaduinense toma o protagonismo da palavra, desta vez ministrando a palestra Mulheres na técnica: encontro com Kathy Perkins. O encontro da iluminadora com profissionais da técnica teatral ocorre às 10h, no Teatro de Arena (av. Borges de Medeiros, 835). Professora emérita da Universidade de Illinois e da Universidade da Carolina do Norte, Kathy tem em seu currículo espetáculos na Broadway e em vários teatros regionais, tendo o recebido o Prêmio Henry Hewes Award, além de dar nome ao Prêmio Kathy Perkins: behind the curtains.
A programação do grupo gaúcho segue nos dias 13 e 14 de novembro, sempre às 10h e às 15h, no Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), com a apresentação do espetáculo infantil Bambu Bambá. A peça será exibida gratuitamente, mas é necessário solicitar ingressos antecipadamente pela internet (pelo link https://linktr.ee/BambuBamba). Contemplado com fomentos do Programa Funarte Retomada 2023 - Teatro, o espetáculo conta a história de um menino negro que precisa sair de seu país e enfrentar situações e desafios. Em sua trajetória, ele encontra força em suas raízes ancestrais, mas também aprende novos modos de ser e viver no contato com outras culturas.
Já no dia 14 de novembro, às 16h30min, ocorre o encontro Seres estéticos: sentidos sensíveis para primeiras infâncias diversas. O evento, com entrada franca acontece também no Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana. O público alvo são profissionais e estudantes universitários e a proposta pretende refletir sobre a relevância dos espaços imaginários na construção de valores e emoções vinculados à diversidade, à auto-estima e ao estabelecimento de laços de pertencimento no que concerne a vivências infantis em situações diaspóricas.
O coletivo ainda participa da programação da 31ª edição do Porto Alegre em Cena, com a leitura dramática da peça teatral Florence, de Alice Childress. A apresentação será ralizada no dia 14, às 19h, no Instituto Meme (rua Lopo Gonçalves, 176). Primeira tradução do texto da renomada dramaturga negra estadunidense, o trabalho aborda questões como o racismo e o feminismo negro, por meio da história de uma mãe que resolve apoiar a sua filha artista, após conversar com uma mulher branca, em uma estação de trem. A obra, inédita no Brasil, foi traduzida por Viviane Juguero. Após a leitura, o grupo ainda realizará um bate-papo sobre a autora e sua obra, além do trabalho da pesquisadora Kathy Perkins e da dramaturgia negra desenvolvida no Bando de Brincantes.
Por fim, no dia 30 de novembro, o Bando de Brincantes ainda estreia o espetáculo infanto-juvenil A Desconhecida Lenda de Maculelê, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Monte Cristo (rua Carlos Superti, 84). A peça acontece às 10h e às 16h, e terá outras sessões nos dias 1, 7 e 8 de dezembro, nos mesmos horários, também dentro da programação do Porto Alegre em Cena. Escrito por Viviane, o espetáculo encena um grupo de quilombolas que conta como surgiu a dança de Maculelê, fruto da luta de pessoas escravizadas e indígenas pela liberdade e por território.