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Publicada em 15 de Setembro de 2024 às 19:37

Fiel ao som autoral, Kula Jazz lança novo disco 'Oxobi' no Theatro São Pedro

Em meio ao bom momento do jazz local, quinteto porto-alegrense Kula Jazz celebra lançamento de seu novo disco, Oxobi, no lendário palco do Theatro São Pedro

Em meio ao bom momento do jazz local, quinteto porto-alegrense Kula Jazz celebra lançamento de seu novo disco, Oxobi, no lendário palco do Theatro São Pedro

THIÉLE ELISSA/DIVULGAÇÃO/JC
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Igor Natusch
Igor Natusch Editor de Cultura
Quem circula pelos lugares onde se faz música na noite de Porto Alegre sabe bem: o jazz encontrou, na Capital, um bom local para chamar de lar. Há uma efervescência de pontos para curtir boa música, além de um público curioso e disposto a apreciar música ao vivo - e é claro que nada disso faria sentido se não tivéssemos uma geração de boas bandas e músicos fazendo a coisa acontecer. Um dos grupos de jazz instrumental mais destacados de Porto Alegre, o Kula Jazz está celebrando um momento especial em sua trajetória: seu segundo disco, Oxobi, terá lançamento no mítico palco do Theatro São Pedro (praça Marechal Deodoro, s/n) nesta terça-feira, às 20h. Ainda há ingressos à venda no site do espaço cultural, em valores promocionais a partir de R$ 5,00, mediante doação de alimentos não-perecíveis.
Quem circula pelos lugares onde se faz música na noite de Porto Alegre sabe bem: o jazz encontrou, na Capital, um bom local para chamar de lar. Há uma efervescência de pontos para curtir boa música, além de um público curioso e disposto a apreciar música ao vivo - e é claro que nada disso faria sentido se não tivéssemos uma geração de boas bandas e músicos fazendo a coisa acontecer. Um dos grupos de jazz instrumental mais destacados de Porto Alegre, o Kula Jazz está celebrando um momento especial em sua trajetória: seu segundo disco, Oxobi, terá lançamento no mítico palco do Theatro São Pedro (praça Marechal Deodoro, s/n) nesta terça-feira, às 20h. Ainda há ingressos à venda no site do espaço cultural, em valores promocionais a partir de R$ 5,00, mediante doação de alimentos não-perecíveis.
A atual formação do Kula Jazz conta com Franco Salvadoretti (flauta e composição), Cleômenes Júnior (sax), Ras Vicente (piano), Rodrigo Arnold (baixo acústico) e Martin Estevez (bateria). Gravado no Transcendental Áudio, em Porto Alegre, com pilotagem do engenheiro de som Leo Bracht, o novo trabalho traz uma sonoridade sempre vibrante e inquieta, em cinco faixas que exploram às últimas consequências as propostas de cada tema principal. Os momentos de contemplação, embora existam, são minoritários: em Oxobi, o Kula Jazz se propõe a manter as coisas sempre em movimento, sem baixar a pressão, em uma jornada que tem tudo para agradar aqueles que têm os ouvidos treinados pelos gigantes do gênero.
Inicialmente, Oxobi teria sete músicas, mas duas composições ficaram de fora por falta de tempo hábil para prepará-las nos ensaios. Como Franco Salvadoretti, compositor oficial da banda, está sempre criando novas canções, há sempre uma variedade boa de temas para escolher. "Eu tenho muitas composições de muito tempo, algumas são músicas antigas, outras foram feitas dois anos, um ano atrás. E eu estou sempre compondo, sempre criando, então, eu tenho sempre dois ou três álbuns prontos (para trabalhar). É só definir o repertório, a partir do que a banda se sentir confortável para interpretar", explica o músico.
Dentro do espírito que guia boa parte das produções de estúdio do estilo, o Kula Jazz optou por registrar Oxobi quase ao vivo, com todos tocando e gravando no mesmo take. A exceção foi para a faixa O Que Sobe, que acabou exigindo dois dias de captação. "Ensaiamos para tocarmos todos ao vivo (no estúdio), e o disco foi gravado desta forma. Teve pouca edição, o que demorou foi o processo de mixagem e masterização", confirma Salvadoretti. Uma abordagem bem diferente de tantos artistas, em especial fora do universo jazzístico, que optam por produções meticulosas que duram meses a fio. "Eu acredito que o cenário ideal seria fazer uma turnê (com o repertório do disco) antes de gravar. Uma turnê mesmo, pelo Estado ou pelo País, uns 30 ou 40 shows. Tocar o repertório que vai ser gravado, noite após noite, para os músicos e a banda testarem tudo que é possível fazer aquelas músicas. Aí fica muito fácil de gravar. Mas nunca consegui fazer isso", afirma o músico - quem sabe projetando uma meta para o futuro.
Além da versão digital e da tiragem em CD, o novo trabalho do Kula Jazz ganhará uma prestigiosa prensagem em vinil - formato que vive uma renascença entre os apreciadores de música, e que dá ares de confirmação para qualquer banda ou projeto. A iniciativa é dos selos independente ENC Records, conduzido por Marcelo Otto, e Purnada Ypranada, com apoio cultural do projeto Pandeiro Inclusivo.
De qualquer modo, se a pré-produção ideal ainda não aconteceu, um sonho de Salvadoretti está perto de se concretizar: lançar um álbum seu no icônico palco do Theatro São Pedro. "No primeiro momento eu fiquei um pouco assustado com a grandiosidade do local, mas muito empolgado e muito feliz. Toda a banda está emocionada, porque, afinal de contas, é o palco referência das artes no Rio Grande do Sul". Com as boas vendas de ingressos até aqui, a perspectiva é de casa cheia, em uma empolgada celebração coletiva do jazz. "(A iniciativa) Já deu certo, é um sonho realizado. Eu tinha um sonho de lançar um trabalho autoral no Theatro São Pedro e ele está prestes a se concretizar. Acredito que tem tudo para ser uma noite memorável."
Mais um sinal claro de algo que quem tem olhos e ouvidos atentos já constatou faz tempo: a cena jazz gaúcha, e de Porto Alegre em particular, vai muito bem, obrigado. "Com certeza a cena nunca foi tão frutífera como nessa última década", concorda o flautista. "Quanto ao sustento, música é difícil em qualquer lugar do mundo. Mas sim, é um momento propício, muito propício para a música instrumental, com uma geração de excelentes músicos. E tende a melhorar muito."
E o Kula Jazz, claro, quer seguir surfando com autoridade nessa onda: além dos shows mensais no Café Fon Fon, o grupo já projeta apresentações em outros espaços da cidade, como o Grezz, e busca outros palcos no Estado e no Brasil. Tudo isso com um novo álbum já no horizonte. "Estamos muito esperançosos com esse trabalho (Oxobi), mas em breve gravaremos outro. Pretendemos não fazer um intervalo tão longo (quanto após o primeiro disco, Kula, de 2015)", conclui.
 

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