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Publicada em 10 de Setembro de 2024 às 20:00

Peça sobre obras de Simões Lopes Neto lança olhar poético sobre as lendas do Sul

Cia de Atores Independentes apresenta 'Simões Lopes Neto – o encantador de histórias', nesta quarta-feira (11), no Teatro Oficina Olga Reverbel

Cia de Atores Independentes apresenta 'Simões Lopes Neto – o encantador de histórias', nesta quarta-feira (11), no Teatro Oficina Olga Reverbel

LUCIANO MAZZIM/DIVULGAÇÃO/JC
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Adriana Lampert
Adriana Lampert Repórter
O Teatro Oficina Olga Reverbel (Praça Mal. Deodoro, s/n) recebe nesta quarta-feira, às 19h, uma única sessão do espetáculo Simões Lopes Neto - o encantador de histórias, da Cia de Atores Independentes. A apresentação celebra os 25 anos do coletivo artístico, com sede em Gravataí. Os ingressos custam R$ 15,00 (meia-entrada) e R$ 30,00 (inteira), e estão à venda pelo site do teatro.
O Teatro Oficina Olga Reverbel (Praça Mal. Deodoro, s/n) recebe nesta quarta-feira, às 19h, uma única sessão do espetáculo Simões Lopes Neto - o encantador de histórias, da Cia de Atores Independentes. A apresentação celebra os 25 anos do coletivo artístico, com sede em Gravataí. Os ingressos custam R$ 15,00 (meia-entrada) e R$ 30,00 (inteira), e estão à venda pelo site do teatro.
Baseada em algumas das mais famosas lendas do Sul, consagradas na obra (Lendas do Sul, de 1913) do escritor gaúcho regionalista Simões Lopes Neto, a montagem cênica, produzida e dirigida por Marlise Damin, conta com Giulliano Pacheco, Paulo Adriane, Thamys Quadros, Giulia Damin e Felipe Bandeira no elenco. Em cena, eles interpretam uma trupe de atores que chega em uma comunidade para contar histórias como Salamanca do Jarau, O Negrinho do Pastoreio e A Mboitatá, mesclando informações históricas sobre a vida e a obra do autor.
Anteriormente passadas de boca a boca, principalmente na região interiorana, as lendas registradas em livro por Simões Lopes Neto, tratam da mais pura representação do homem brasileiro, desde sua linguagem e seus hábitos até reflexos do ambiente que o rodeia. Contadas em linguagem despojada, porém de difícil compreensão para aqueles que não estão habituados ao vocabulário gaúcho, foram adaptadas para o teatro por Daniel Assunção, que assina o texto do espetáculo, feito a partir de seleção e estudos dos textos originais do autor regionalista. 
Na montagem, o coletivo teatral destaca a formação do povo gaúcho, oferecendo ao público um olhar poético sobre os significados e a origem cultural dessas lendas, se desdobrando em diferentes personagens. "O elenco permanece em cena durante toda a peça, e as trocas de figurinos e adereços são executadas ao vivo, valorizando a proximidade com a plateia", pontua a diretora da Cia de Atores Independentes. Marlise completa que toda a execução do espetáculo se ampara em um trabalho artístico fundamentado na regionalidade sobre os contextos "terra, identidade e cultura".
"A peça é uma grande celebração da obra de Simões, e, apesar de ter algumas poucas partes mais rebuscadas (sendo que a maior parte da linguagem foi adaptada), não tem classificação etária e contempla adultos e crianças", comenta a diretora. "Os pequenos gostam muito de assistir, pois há cenas com fantoches indígenas, além do boneco da Mboitatá (cobra de fogo que protege os campos e florestas de incêndios criminosos), que tornam o espetáculo bastante lúdico", emenda. Segundo Marlise, além da encenação dos contos orais em tom naturalista, também há muita música e dança gaúcha no decorrer da montagem.
"Canções emblemáticas do universo gaúcho são executadas e tocadas ao vivo, em uma grande convergência cultural entre os povos indígena, negro e europeu, e compõem a dramaturgia do espetáculo", ressalta a diretora. A coordenação musical do espetáculo é assinada por Marcão Acosta, Carlos Albani e Felipe Jardim, que, de acordo com Marlise, trouxeram "elementos importantes para a ressignificação das músicas, modificadas para compor a cena, de uma forma mais atualizada."
"A metalinguagem também é uma de nossas principais ferramentas, visto que o elenco interpreta uma trupe de atores que se travestem dos personagens de Simões Lopes Neto", observa. Ela explica que a peça, concebida originalmente em 2021 no formato online, passou por uma remontagem em 2023, e desde então vem sendo apresentada em feiras de livro e outros eventos culturais. "Esta será a primeira vez que o espetáculo ocorre em um teatro, e estamos muito felizes porque coincidiu de ser o ano do aniversário de duas décadas e meia da trajetória da Companhia." 
Ao lembrar que a Cia de Atores Independentes sempre teve interesse em trabalhar textos de grandes escritores (para além dos autores que compõem o grupo), Marlise explica que a escolha de Simões Lopes Neto se deu por conta do autor resgatar a história do "Rio Grande do Sul antigo", levando para o papel "lendas tão exuberantes, incríveis e mitológicas da cultura gaúcha". Antes dessa empreitada, o coletivo criou cerca de outros 20 espetáculos de teatro e alguns trabalhos na linguagem audiovisual.
A equipe de Simões Lopes Neto - o encantador de histórias ainda conta com Suzi Martinez (figurinos), e Luciano Mazim (designer gráfico). Após a sessão no Teatro Oficina Olga Reverbel, a peça será  apresentada às 9h30min e às 14h30min do dia 27 de setembro, no palco da Feira do Livro de Viamão.
 

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