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Publicada em 12 de Julho de 2024 às 00:40

Chamamé em terras norte-americanas

Alejandro Brittes faz turnê pela Costa Oeste dos Estados Unidos, realizando mais de 50 shows pelo país

Alejandro Brittes faz turnê pela Costa Oeste dos Estados Unidos, realizando mais de 50 shows pelo país

/FABRICIO SIMÕES/DIVULGAÇÃO/JC
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Argentino radicado no Rio Grande do Sul, o acordeonista, compositor, pesquisador e intérprete Alejandro Brittes embarca em agosto para uma nova turnê nos Estados Unidos, para onde levará o Chamamé para festivais, universidades, locais históricos e bibliotecas, com shows e palestras sobre a história do ritmo. 
Argentino radicado no Rio Grande do Sul, o acordeonista, compositor, pesquisador e intérprete Alejandro Brittes embarca em agosto para uma nova turnê nos Estados Unidos, para onde levará o Chamamé para festivais, universidades, locais históricos e bibliotecas, com shows e palestras sobre a história do ritmo. 
Essa é a segunda vez que Brittes leva o Chamamé para terras norte-americanas. Agora, o destino é a Costa Oeste, passando por Califórnia, Novo México, Arizona, Illinois, Indianapolis, Utah, Nevada e Texas. O artista permanece até outubro no país, acompanhado pelos músicos André Ely (violão de sete cordas) e Carlos Eduardo de Césaro (contrabaixo/baixo). A ideia é aproveitar as apresentações para também arrecadar doações financeiras para as vítimas da tragédia climática do Rio Grande do Sul.
Se em 2023, o músico tornou-se o primeiro acordeonista chamamecero a tocar na Library of Congress, Edifício Thomas Jefferson e palestrar sobre o ritmo em universidades de excelência em pesquisas musicológicas (como Georgetown University em Washington, e George Mason University em Fairfax), este ano ele fará colaboração com artistas e orquestras dos Estados Unidos, estabelecendo uma conexão cultural entre as Missões Jesuíticas da América dos Sul com as Missões da Costa Oeste do país norte-americano.
Entre os destaques, está o concerto na Mission of San Miguel, conhecida como Capela de São Miguel, uma igreja da missão colonial espanhola em Santa Fé, Novo México, construída entre os anos 1610 a 1626, definida por estudiosos como a mais antiga dos Estados Unidos e que possui o mesmo nome de um dos principais patrimônios materiais do Brasil, as Ruinas de São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul.
Outro ponto da turnê será o intercâmbio musical com a acordeonista Gertie López, representante da comunidade indígena Tohono O'odham do Arizona, bem como a colaboração com a Camerata del Sol do Novo México, em que será executado o repertório do álbum '(L)este', trabalho premiado no açorianos de música 2022 em Porto Alegre no Rio Grande do Sul.
A digressão ainda prevê atividades formativas juntos às Universidades Western New Mexico University e University of Nevada, em concerto em bibliotecas como Nixon Library Theater, e show em festivais como San José Jazz Festival, Cotati Accordion Festival e Music in Corrales, além de um circuito nas Missões Californianas como Mission San Francisco Solano e San Miguel Chapel.
Segundo o artista, as atividades formativas estão direcionadas a estudantes e professores acadêmicos e terão como foco a história do Chamamé, bem como a sua relação com os rios, visto que eles são inspiração para as mais belas composições do gênero e simbolizam a união de culturas e fronteiras. "Neste momento pós catástrofe no Rio Grande do Sul, está unido o mundo em solidariedade nos ensinando que somos iguais, mais do que nunca", comenta Brittes. Com 35 anos de difusão da cultura Chamamecera, ele carrega consigo todos os elementos simbólicos em torno do ritmo, que representa a inclusão dos povos originários na formação cultural da América Latina, devido a sua condição histórica, bem como o apelo em relação ao meio ambiente.
Ao lado da historiadora e produtora cultural Magali de Rossi, Brittes vem fazendo uma pesquisa musical e antropológica sobre o Chamamé há anos e que foi publicada em livro em 2021. Conforme o estudo, o ritmo possui em sua gênese a música ancestral guarani e a música barroca introduzida nas Missões Jesuíticas do Sul da América Latina com a ritualidade musical e cosmovisão de nossos povos originários, os Guaranis. O gênero se forja a partir da memória coletiva em um processo de 400 anos em uma macrorregião cultual compreendia por Sul e centro do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai em torno das bacias hidrográficas e mananciais destes países.
 

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