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Publicada em 04 de Março de 2024 às 14:17

Carusto Camargo expõe sua paixão pela cerâmica na Ocre Galeria

Artista e professor Carusto Camargo fala de sua paixão pela cerâmica, com Terrosos, destaque da Ocre Galeria, a partir desta terça-feira (5), das 18h às 21h

Artista e professor Carusto Camargo fala de sua paixão pela cerâmica, com Terrosos, destaque da Ocre Galeria, a partir desta terça-feira (5), das 18h às 21h

GUTOMAAHS/DIVULGAÇÃO/JC
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Bruna Tkatch
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A paixão pelo desenho veio ainda na infância, mas o encantamento por cerâmica surgiu de repente na vida de Carusto Camargo. O artista nasceu em São Paulo, mas veio a Porto Alegre em 2007, para lecionar no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nesta terça-feira (5), a exposição Terrosos mostra alguns trabalhos do ceramista, com obras feitas após o seu pós-doutoramento e uma série de vasos e volumes disfuncionais produzida especialmente para a mostra. A abertura acontece das 18h às 21h, na Ocre Galeria (rua Demétrio Ribeiro, 535), com entrada franca, e no 23 de março, às 11h, acontece a Conversa com o Artista, sob a mediação da crítica e historiadora Paula Ramos.
A paixão pelo desenho veio ainda na infância, mas o encantamento por cerâmica surgiu de repente na vida de Carusto Camargo. O artista nasceu em São Paulo, mas veio a Porto Alegre em 2007, para lecionar no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nesta terça-feira (5), a exposição Terrosos mostra alguns trabalhos do ceramista, com obras feitas após o seu pós-doutoramento e uma série de vasos e volumes disfuncionais produzida especialmente para a mostra. A abertura acontece das 18h às 21h, na Ocre Galeria (rua Demétrio Ribeiro, 535), com entrada franca, e no 23 de março, às 11h, acontece a Conversa com o Artista, sob a mediação da crítica e historiadora Paula Ramos.
O professor e artista conversou e refletiu sobre arte com a reportagem do Jornal do Comércio. Ele conta que é da geração que nasceu no final do regime militar e, na época, havia os colégios vocacionais, que ensinavam artes visuais, música, teatro, danças, práticas comerciais, educação doméstica, ciências, entre outros assuntos. No início de sua adolescência, Carusto cursou quatro anos de artes visuais e industriais. “Mas depois eu segui para a área de exatas, fui para o colégio técnico e fiz eletrotécnica, me formei em engenharia. Mas acho que essa sementezinha da arte ficou comigo”, conta o artista.
Anos depois, já com uma carreira na engenharia, além de professor e pesquisador, ele, que morava em Campinas, foi visitar sua mãe na capital e a acompanhou em sua aula de cerâmica. “Foi até engraçado, eu tinha 30 anos e fui acompanhar minha mãe que nem criança. Mas ali eu fiz uma aula, comprei um pedaço de bloco de argila, voltei pra Campinas e já arrumei um lugar para fazer, e nunca mais consegui parar”, compartilha Carusto. Ele também cursou disciplinas relacionadas ao assunto na Unicamp e no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
Ele conta que já explorou outros materiais para esculpir, como resina, e também a fotografia, mas sua paixão é a argila e suas possibilidades. Seus viés foi uma figura mais abstrata, humana mas com distorção de linhas. Ainda em Campinas, montou seu ateliê e também produziu muitas obras com intuito de serem utilitárias, tanto para ter propriedade ao ensinar para os estudantes, quanto para poder vender mais facilmente e garantir renda com a arte. Ele procurou conhecer mais as questões técnicas, de processos, queimas e esmaltação.
“Aí quando eu venho para cá, no mestrado, eu começo a discutir questões da esculturas relacionadas aos meus afetos pessoais. Já no doutorado, eu comecei um trabalho de revisitação da cerâmica antropológica do vale da Bacia Amazônica”, explica. Carusto conta que o estudo também faz com que a produção artística parta de algum ponto novo. No momento, ele tem produzido vasos que são esculturas, começam com o formato de poder conter algo dentro, mas durante o processo sofrem alterações que já não permitem isso e viram obras de arte. “E às vezes uma experimentação com outros materiais pode ser mais cerâmica do que simplesmente pegar uma forma de gesso e tirar uma cópia”, reflete Carusto.
O artista afirma que gosta de propor algo e provocar algum estranhamento por parte do público, e nele também. Uma coisa que Carusto gosta muito, e também provoca seus alunos, é discutir sobre conceitos de arte. Ele cita o livro Crítica do Artesanato, e conta que os colonizadores espanhóis e portugueses introduziram na América Latina a diferença no imaginário popular sobre o que é arte e o que é artesanato. “Eles fazem isso para, de certa maneira, desqualificar toda a produção cerâmica e a cultura que existia aqui. Então o artesanato passa a ser algo pejorativo, mesmo algumas produções daqui sendo superiores as de lá [Europa]”, enfatiza o docente.
Carusto reflete sobre as diferentes motivações e maneiras de pensar e fazer arte. “A pessoa pode fazer uma xícara só porque quer tomar um café, ou pode fazer uma xícara a cada dia do ano para documentar a passagem do tempo e ver como cada peça se altera”, exemplifica. Nas suas aulas, ele gosta de fazer seus alunos pensarem fora da caixa e explorarem as técnicas. O artista também comenta que gosta muito de consumir arte que “a moçada jovem está fazendo, mesmo quando é uma revisitação de um movimento que aconteceu há décadas, é sempre uma energia boa”.
Como alguém que gosta de pensar em arte, além de fazer, Carusto conta que foi provocado por um curador durante a Bienal de São Paulo, que o perguntou sobre o que é arte. “A primeira é a noção do belo, ver algo e pensar que está perfeito, não precisa adicionar nada e nem tirar, está completo. A segunda é que algo passa a ser considerado arte quando é institucionalizado por alguma galeria, museu, fundação… E a terceira, é a que eu gosto mais: arte é arte quando ela comunica uma ideia”, diz ele.

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