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Publicada em 20 de Dezembro de 2023 às 18:24

Borrando as linhas entre o amor e a razão, André Paz lança seu novo EP

Músico e compositor André Paz explora o amor enquanto tema no seu EP Cabeça<Coração

Músico e compositor André Paz explora o amor enquanto tema no seu EP Cabeça Aruna M Cruz/Divulgação/JC

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Bruna Tkatch
Bruna Tkatch
Explorar a possibilidade de criar letras de amor e colocar sua emoção em canções. Essa, em poucas palavras, era a intenção do músico e compositor André Paz ao criar o EP Cabeça
Explorar a possibilidade de criar letras de amor e colocar sua emoção em canções. Essa, em poucas palavras, era a intenção do músico e compositor André Paz ao criar o EP Cabeça<Coração, com lançamento nas plataformas de streaming de áudio nesta sexta-feira (22). A obra traz duas músicas, E-mocionado e Pessoa Rara, que abordam o mesmo tema com sonoridades e perspectivas diferentes. O EP marca também a colaboração do músico com o coletivo Pedra Redonda, um grupo multiartístico que integra, apoia e movimenta a cena artística da cidade.
Nascido em Porto Alegre, nos anos 1980, André conta que iniciou sua trajetória com a música quando era um adolescente de classe média na Capital. Na época, o rock era o som que bombava no Estado. O músico conta que não existia nenhum artista na sua família, então sua vontade realmente partiu do seu consumo de arte. Com o passar dos anos ele começou a ter amigos que tocavam algum instrumento e foi se inserindo no meio. "Foi uma influência externa, ainda na adolescência, e que se tornou um projeto de vida", resume André.
André Paz cursou Música na Uergs e, um tempo depois, quando já estava trabalhando criando trilhas, se interessou por Artes Cênicas, optando pela graduação em Teatro pela Ufrgs. "Essa coisa artística, para mim, é uma só. Eu gosto de borrar as linhas entre as áreas", explica o cantor. Ele marca o início da sua carreira em 2009, na dupla musical Quiçá, Se Fosse. Apesar de ser um trabalho colaborativo, o sentimento de orgulho e realização criativa trazido por ele abriu caminho para o que viria a seguir. Em sua carreira solo, André Paz tem dois álbuns lançados, Cerca (2018) e OlhovivO (2021), além dos singles Tudo é melhor quando se abre e Açúcar.
Sua inquietação artística foi aumentando com o passar dos anos, assim como a vontade de profissionalizar e expor seu trabalho para o mundo - o que incluía ser visto e reconhecido como artista por família e amigos. "Eu precisava que as pessoas entendessem que a música era uma coisa séria para mim", relembra. Nesse sentido, ele convida a classe artística, de todas as áreas, a falar mais sobre a sustentabilidade das carreiras. André ressalta a dificuldade de conseguir o sustento financeiro apenas com os shows e pela quantidade de acessos às suas canções em plataformas de música. "Eu sou um artista da música, mas pago minhas contas com o audiovisual. Apesar da profissionalização, é muito difícil falar em sustentabilidade de uma carreira artística", lamenta André.
Cabeça<Coração, segundo o cantor e compositor, surge da sua dificuldade de aceitar que ele também pode fazer canções de amor. "Tenho uma certa resistência, eu não sei o quanto quero ocupar esse lugar de ser mais um cara fazendo música de amor", desabafa. Apesar disso, ele comenta que as músicas dessa temática nos seus álbuns foram as que mais se comunicaram com o público.
No EP, uma das inspirações é o processo doloroso de passar por um relacionamento que não deu certo. Mas André comenta que a criação de suas composições varia muito, assim como o tempo de finalização. "Eu tenho que sentir que realmente tenho algo para botar para fora", explica. Um esforço de se concentrar no sentimento, colocar no papel, e depois polir rimas e métricas. Paz ressalta que algumas letras ficam prontas em poucos dias e outras levam meses, em meio a um processo de criar, largar e retomar em outro momento.
A decisão de juntar duas músicas em um EP e não como dois singles veio como rejeição à demanda da indústria, além de contar uma história. "A galera está cansada do jogo das plataformas, de lançar uma música por mês e se manter sempre ativo", explica André. Mas as duas canções também estão conectadas, apesar da sonoridade diferente. Outra curiosidade é o uso do caracter matemático '<' no título, comum na linguagem de redes sociais e que coloca o coração em uma posição de superioridade em relação ao racional. "É uma poesia de boteco na verdade, vem de entender que, apesar de sempre ser chamado de racional, também tenho o coração maior que a cabeça", conta o compositor.
Tanto E-mocionado quanto Pessoa Rara são acompanhadas por clipes filmados durante o processo de gravação. E, assim como as músicas, os vídeos tem estéticas e propostas diferentes. Após o lançamento, e já planejando 2024, o artista quer manter na estrada seu show Todo Artista é um Egocêntrico, ampliando o número de apresentações. André também vai publicar a gravação do seu último show, além de revisitar algumas composições deixadas de lado. O compositor ainda pensa em produzir um novo álbum - mas a ideia ainda é, por enquanto, um grande talvez. "O foco agora vai ser circular e tocar mais", projeta André.
 

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