Está em cartaz no Museu do Trabalho a exposição Temporalis, que celebra o reencontro de três contemporâneas de formação no Instituto de Artes da Ufrgs no início dos anos 1990, Claudia Flores, Helena d'Avila e Laura Fróes. Marcada pela passagem do tempo e convergência de temática, a mostra pode ser visitada gratuitamente de terça a sábado, das 13h30min às 18h, e nos domingos das 14h às 18h30min, até agosto.
Vinda do latim, o termo Temporalis originou a nossa conhecida palavra ‘temporal’, que faz referência ao tempo, à sua passagem e ao seu caráter transitório, passageiro, provisório. Assim, todos os trabalhos presentes na mostra carregam em si a passagem do tempo: feitos em determinado momento da vida das artistas, agora são ressignificados, refeitos, reaproveitados, retomados ou, até, destruídos - visto que deixam de ser o que outrora foram. As peças são renovadas neste novo tempo, ganhando um novo olhar, forma, sentido e conceito.
A passagem do tempo é percebida, por exemplo, quando Claudia Flores pinta por cima de algumas de suas pinturas e desenhos. Sobrepondo camadas e camadas de tinta, a artista, por vezes, também lava algumas dessas tinturas, revelando a história que ficou escondida por baixo. São diferentes momentos do fazer emaranhados pelas tintas. Além disso, Helena d'Avila revisita um trabalho danificado feito há 5 anos, agora, reconstruindo-o de forma totalmente diferente, mas mantendo a sua temporalidade original. Por fim, o tempo é presente na obra de Laura Fróes, que, há sete anos sem produzir, ensaia uma volta ao mundo artístico. Laura utiliza na mostra, trabalhos feitos entre 1990 e 2015, resgatados, reenquadrados, reimprimidos.
Entre os suportes presentes na exposição, estão os tradicionais de pintura e desenho, como tela, papel e madeira, e outros suportes, menos tradicionais e nobres, como é o caso do E.V.A (Etil Vinil Acetato) de Helena; do lambe-lambe colado diretamente na parede do Museu, de Laura; e da tela desmontada e lavada na máquina, de Claudia. Além da variedade de técnicas, o que não falta em Temporalis é o afeto entre as artistas.
“No tempo da faculdade já admirava muito as pinturas da Claudia, não fico surpresa pela qualidade e maturidade das pinturas atuais, ou seja, já era uma parceria que daria gosto de trabalhar”, relembra Helena. Ela e as colegas, Claudia e Laura, comentam que sempre tiveram uma sintonia na admiração recíproca de seus trabalhos e sentiam muita vontade de expor juntas. As artistas, que fizeram parte de uma mesma geração acadêmica, bebendo das mesmas fontes, acabaram se conectando em muitos aspectos da vida, da caminhada e do trabalho em arte.
Passadas três décadas desde a formatura em Artes pela Ufrgs, Claudia diz que é interessante perceber que, ainda hoje, seus interesses são semelhantes aos que tinha no começo dos anos 1990, época em que considera ter começado a esboçar uma poética artística. Já Helena relembra que, desde lá, pintava mais no bidimensional, em papelão e tela; naturalmente, com a passagem do tempo, ela foi desenvolvendo pesquisas de suportes e explorando várias técnicas junto à pintura. Mas reflete que ao fazer uma instalação com flores e folhas de materiais sintéticos, ainda está pintando, ao colar objetos sobre um tapete, está pintando. “Hoje, eu percebo que tudo é pintura. Segui nisso independente dos meios que utilizo”, considera.
Vinda do latim, o termo Temporalis originou a nossa conhecida palavra ‘temporal’, que faz referência ao tempo, à sua passagem e ao seu caráter transitório, passageiro, provisório. Assim, todos os trabalhos presentes na mostra carregam em si a passagem do tempo: feitos em determinado momento da vida das artistas, agora são ressignificados, refeitos, reaproveitados, retomados ou, até, destruídos - visto que deixam de ser o que outrora foram. As peças são renovadas neste novo tempo, ganhando um novo olhar, forma, sentido e conceito.
A passagem do tempo é percebida, por exemplo, quando Claudia Flores pinta por cima de algumas de suas pinturas e desenhos. Sobrepondo camadas e camadas de tinta, a artista, por vezes, também lava algumas dessas tinturas, revelando a história que ficou escondida por baixo. São diferentes momentos do fazer emaranhados pelas tintas. Além disso, Helena d'Avila revisita um trabalho danificado feito há 5 anos, agora, reconstruindo-o de forma totalmente diferente, mas mantendo a sua temporalidade original. Por fim, o tempo é presente na obra de Laura Fróes, que, há sete anos sem produzir, ensaia uma volta ao mundo artístico. Laura utiliza na mostra, trabalhos feitos entre 1990 e 2015, resgatados, reenquadrados, reimprimidos.
Entre os suportes presentes na exposição, estão os tradicionais de pintura e desenho, como tela, papel e madeira, e outros suportes, menos tradicionais e nobres, como é o caso do E.V.A (Etil Vinil Acetato) de Helena; do lambe-lambe colado diretamente na parede do Museu, de Laura; e da tela desmontada e lavada na máquina, de Claudia. Além da variedade de técnicas, o que não falta em Temporalis é o afeto entre as artistas.
“No tempo da faculdade já admirava muito as pinturas da Claudia, não fico surpresa pela qualidade e maturidade das pinturas atuais, ou seja, já era uma parceria que daria gosto de trabalhar”, relembra Helena. Ela e as colegas, Claudia e Laura, comentam que sempre tiveram uma sintonia na admiração recíproca de seus trabalhos e sentiam muita vontade de expor juntas. As artistas, que fizeram parte de uma mesma geração acadêmica, bebendo das mesmas fontes, acabaram se conectando em muitos aspectos da vida, da caminhada e do trabalho em arte.
Passadas três décadas desde a formatura em Artes pela Ufrgs, Claudia diz que é interessante perceber que, ainda hoje, seus interesses são semelhantes aos que tinha no começo dos anos 1990, época em que considera ter começado a esboçar uma poética artística. Já Helena relembra que, desde lá, pintava mais no bidimensional, em papelão e tela; naturalmente, com a passagem do tempo, ela foi desenvolvendo pesquisas de suportes e explorando várias técnicas junto à pintura. Mas reflete que ao fazer uma instalação com flores e folhas de materiais sintéticos, ainda está pintando, ao colar objetos sobre um tapete, está pintando. “Hoje, eu percebo que tudo é pintura. Segui nisso independente dos meios que utilizo”, considera.
Laura também comenta que mantém uma identidade durante esses 30 anos nas representações - feitas geralmente sobre papel e tecido, sempre com a presença da colagem - e em suas formas e símbolos, continuando com seu repertório próprio, mas, agora, alternando técnicas com mais frequência. “O cotidiano me inspira. Nos anos 1990, a novidade eram as lojas de R$1,99, no advento do Real, onde eu comprava miudezas que eram inseridas nos trabalhos”, relembra a artista. “Mais adiante fiz uso de etiquetas de roupas - as que trazem os símbolos de instrução para lavagem e secagem - partindo de dentro do lar para fazer arte.”
Por outro lado, Claudia e Helena, se contrapõem nas referências: uma se utiliza do presente e a outra, do passado. “Uso fotos de infância do meu acervo pessoal, fotos coletadas na internet, assim como imagens impressas de atlas geográficos, ilustrações de livros antigos ou qualquer imagem, mesmo que aparentemente insignificante”, diz Claudia. Já Helena é muito atravessada pela modernidade: “muito do que faço hoje é relativo ao estilo de vida que vivemos”, diz. “A internet globalizou e viralizou, a ponto de nada mais ser inédito, temos acesso a tudo que é feito. Hoje a inspiração está vindo até das redes sociais.”
Claudia Flores é artista visual, professora e tradutora e desenvolve trabalho artístico em pintura, desenho e colagem em seu ateliê. Sua pesquisa poética se dá em torno da ideia de memória. Helena d'Avila trabalha com pintura, objetos e vídeo-arte. Reside e trabalha em Porto Alegre e é pós-graduada em Produção Cinematográfica pela PUC/RS. Laura Fróes trabalha com desenho, costura, colagem e site specific. Já realizou três exposições individuais, inúmeras coletivas e recebeu diversos prêmios.
Por outro lado, Claudia e Helena, se contrapõem nas referências: uma se utiliza do presente e a outra, do passado. “Uso fotos de infância do meu acervo pessoal, fotos coletadas na internet, assim como imagens impressas de atlas geográficos, ilustrações de livros antigos ou qualquer imagem, mesmo que aparentemente insignificante”, diz Claudia. Já Helena é muito atravessada pela modernidade: “muito do que faço hoje é relativo ao estilo de vida que vivemos”, diz. “A internet globalizou e viralizou, a ponto de nada mais ser inédito, temos acesso a tudo que é feito. Hoje a inspiração está vindo até das redes sociais.”
Claudia Flores é artista visual, professora e tradutora e desenvolve trabalho artístico em pintura, desenho e colagem em seu ateliê. Sua pesquisa poética se dá em torno da ideia de memória. Helena d'Avila trabalha com pintura, objetos e vídeo-arte. Reside e trabalha em Porto Alegre e é pós-graduada em Produção Cinematográfica pela PUC/RS. Laura Fróes trabalha com desenho, costura, colagem e site specific. Já realizou três exposições individuais, inúmeras coletivas e recebeu diversos prêmios.


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