A banda de câmara Tum Toin Foin vai levar sua mistura de gentes, ritmos e sons em um circuito de shows pelos teatros do Sesc de cinco cidades durante o mês de junho. O primeiro espetáculo acontece nesta quinta-feira, às 20h, no Teatro do Sesc de Santa Rosa. Depois, sempre no mesmo horário, a turnê segue para Ijuí, na sexta-feira; Carazinho, no sábado; Passo Fundo, no domingo; e termina em Porto Alegre, no dia 29 de junho. Os ingressos estão à venda no site e nas unidades do Sesc, por valores a partir de R$ 15,00.
Nascida em 2018, a Tum Toin Foin borra as fronteiras entre as mais diversas sonoridades, mesclando a música clássica e o som popular. Unindo o jazz, a milonga, o samba, o rock, o choro, o chamamé — "ad infinitum" —, o grupo exprime uma personalidade única e inovadora. A banda surgiu da vontade do pianista, compositor, produtor musical e arranjador Arthur de Faria de tocar suas composições para o cinema e teatro, fazendo a sua arte viver e circular mais. "Essas músicas acabam rolando só nos filmes ou só nos espetáculos teatrais, e, depois, não se faz nada com elas. Eu queria um grupo para poder tocar isso tudo", comenta o artista.
Resgatando as composições feitas para o mundo das telas e coxias, o pianista se juntou com mais nove músicos e montou a Tum Toin Foin. Ao lado dele, estão Miriã Farias (violino); Gabriel Romano (acordeom); Agne Bazzani e Adolfo Almeida Jr. (fagotes); Sabryna Pinheiro Faria (trombone); Erick Endres (guitarra); Bruno Vargas (baixo); Güenther Andreas (bateria) e Giovani Berti (percussão).
"Eu sempre fui meio megalomaníaco", brinca. "Sempre tive bandas grandes, sempre gostei muito de escrever música. Então, o grupo é uma ideia de uma orquestra, mesmo. Sempre brincavam comigo que eu gosto mais de ver gente no palco do que na plateia." Em mais uma mistura — dessa vez, de pessoas — a Tum Toin Foin une várias gerações: metade da banda tem menos de 35 anos e a outra metade tem mais de 50. Em uma eterna troca de conhecimento, os integrantes do grupo trazem nas maletas mais do que instrumentos, mas toda uma história, referências e interesses pessoais. "Todos têm formações muito diferentes. Tem gente que vem da orquestra, tem gente que vem de CTG, tem gente que vem do rock … Todos gostam de coisas diferentes, e eu faço os arranjos e as músicas pensando nessas influências, no que eles vão gostar de tocar, no que vai render mais."
É fácil ultrapassar fronteiras para quem sempre foi um cidadão do mundo no universo da música. Arthur de Faria tem mais de três décadas de trabalho na área, mas nunca esteve em um lugar só por muito tempo. Transitou pelo jazz, pela MPB, pela música de concerto, pelo rock, mas sempre levantando acampamento, nunca construindo moradas permanentes. "O fato de nunca ter sido de uma coisa só, eu acho que me torna um pouco de tudo", reflete. Muito desse nomadismo musical ocorre por conta de sua trajetória como compositor de trilhas, que nunca sabe o tipo de som que vai ter que construir para a próxima encomenda. "A primeira coisa profissional de música que eu fiz, com 17 anos, foi uma trilha para teatro. E eu nunca parei de fazer isso. Eu sou compositor. Todo o resto gira em torno disso", diz.
As fronteiras do fazer também são exploradas no grupo: músicos de orquestra que estavam acostumados a ser comandados pelas batutas, agora podem e devem improvisar com a Tum Toin Foin. "Eles estão se soltando cada dia mais, porque, na banda, é tudo muito escrito, mas tem muito espaço para improviso. Isso é muito interessante. E eles trazem um rigor do músico de orquestra que é algo que sempre me interessou muito. Mas é um clima onde todos se sentem muito à vontade", afirma.
Com parceria do Sesc/RS, esta é a primeira vez que a Tum Toin Foin leva seu espetáculo para um circuito de shows no interior do Estado. Com públicos diferentes, com as particularidades de cada cidade, a banda vai ter que lidar com a heterogeneidade também do outro lado: "as identidades regionais são muito interessantes. Vamos ver o que funciona mais num lugar, o que funciona mais no outro. Então, temos muita curiosidade, expectativa e felicidade."
O compositor acrescenta que quando não se é um artista pop, às vezes é mais fácil fazer turnê por São Paulo ou Europa do que pelo interior do Rio Grande do Sul. "Então, quando acontecem essas turnês do Sesc, é sensacional. É fundamental, não só para a Cultura, mas para a gente que é da área da Cultura." Arthur de Faria emenda que viajar é sempre uma experiência muito enriquecedora para a vivência de uma banda. "É uma alegria muito grande mostrar o que eu acho que é a melhor coisa que eu fiz. Olha até onde chegamos!"


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