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Cultura

Artes visuais

- Publicada em 11 de Junho de 2023 às 18:53

Dono do antigo Cine Guion abre galeria de arte em Porto Alegre

Marca Guion completa 28 anos e inaugura galeria com trabalhos de artistas consagrados e obras pictóricas de autores diversos

Marca Guion completa 28 anos e inaugura galeria com trabalhos de artistas consagrados e obras pictóricas de autores diversos


CARLOS SCHMIDT/DIVULGAÇÃO/JC
Conhecido no setor audiovisual por ter sido programador e administrador da extinta rede Guion Cinemas durante 26 anos, o empresário gaúcho Carlos Schmidt apostou em uma nova atividade no ramo cultural, passando da condição de admirador das artes visuais para a profissão de marchand.
Conhecido no setor audiovisual por ter sido programador e administrador da extinta rede Guion Cinemas durante 26 anos, o empresário gaúcho Carlos Schmidt apostou em uma nova atividade no ramo cultural, passando da condição de admirador das artes visuais para a profissão de marchand.
Colecionador de telas, gravuras, fotografias e esculturas desde o final dos anos 1970, o curador da recém-inaugurada Guion Arte Galeria conta que o novo negócio parte do "desapego" de seu acervo de obras. Inclusive, parte deste material - que é composto por uma volumosa série de trabalhos de artistas consagrados e também de autores menos conhecidos - sempre foi um dos diferenciais da marca, que anteriormente funcionava no Centro Comercial Nova Olaria, no bairro Cidade Baixa. No espaço entre os cinemas, ele já expunha alguns quadros relacionados à sétima arte.
Estabelecido na avenida Plínio Brasil Milano, nº 1.285, o novo espaço dedicado às artes visuais - administrado por Schmidt e sua esposa, Aiko - foi inaugurado na terça-feira da semana passada, dentro do mês em que a marca Guion comemora seus 28 anos de existência.
Aberta de segundas a sextas-feiras, das 14h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h - com a possibilidade de visitação em outro horário mediante agendamento - atualmente a galeria apresenta em seus dois pisos a exposição Grandes Formatos. Já na entrada do prédio, duas esculturas de dimensões vultosas adornam a fachada. Uma delas é do escultor gaúcho Hidalgo Adams e a outra é assinada pelo escultor mineiro Alfredo Ceschiatti.
"Entre os destaques do espaço estão um panneau artístico impresso a mão, de Emiliano Di Cavalcanti, intitulado Euforia (1968), com etiqueta da Adriática Têxtil, que detém os direitos de impressão", valoriza Schmidt. "Outro artista importante em destaque é Carlos Alberto de Araújo Filho, que em 1980 teve uma obra sua - o painel Anunciação - enviada pelo governo brasileiro ao Papa João Paulo II, e está exposta no Museu do Vaticano."

Destaques da galeria

Na nova galeria, trabalhos de grande porte de Carlos Carrion de Britto Velho, Joâo Bez Batti, Marília Fayh, Eduardo Vieira da Cunha, Glauco Rodrigues, Carlos Tenius, Emeric Marcier, Arthur Luiz Piza, Sérgio Lopes, Maria Lídia Magliani, Silvio Pinto, Sansão Pereira, Mïrka Heinze de Almeida e Antônio Augusto Frantz Soares dividem espaço com outros renomados nomes das artes como Victor Brecheret, Xico Stockinger, Vasco Prado, Ado Malagoli, Ernesto Frederico Scheffel, Bruno Giorgi, Iberê Camargo, Vera Torres, João Faria Vianna, Daltro Borowski Nunes, Rubem Valentim, Glênio Bianchetti, Marie Nivouliès de Pierrefort, Rosina Becker do Valle, Georges Wambach, Aldemir Martins, Amadeu Zani, Alfredo Volpi, Siron Franco, Enrico Bianco, Antonio Poteiro, Pietrina Checacci, Os Irmãos João e Arthur Timótheo da Costa, entre outros.
Segundo Schmidt, o local ainda conta com criações de "vários e significativos artistas" do Norte e do Nordeste brasileiros. "São nomes mais desconhecidos do grande público", emenda. Por sua vez, o acervo de consignados inclui nomes como Kennedy Bahia, Humberto Cozzo, Romero Britto, Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, entre outros tantos, cujas obras estão disponibilizadas para aquisição. "Também temos trabalhos assinatos por artistas estrangeiros como Hélene Marre, Ladislau Nahlovski, Francis Pelichek, Javier Álvaro Asfaduroff Nibbes, Yoshiya Takaoka, só para citar alguns."
Prestigiado por antigos frequentadores dos cinemas da marca, extintos em meio à pandemia de Covid-19, o evento de lançamento da galeria Guion foi "um sucesso", na avaliação do novo marchand. "Chamam a atenção dos visitantes óleos cusquenhos e dois óleos: o pintor barroco italiano Michelangelo Merisi (ou Amerighi), mais conhecido como Caravaggio recebeu uma homenagem de Marcos A. Morais através da obra A Ceia em Emaús (1602), que tomou dele cerca de seis meses no trabalho e outro gênio, o pintor Diego Velázquez, o principal artista do Século de Ouro Espanhol." A obra se chama As Fiandeiras (1657), que foi modificada quando pertencia às coleções reais, com alargamento nos quatro lados, em 50cm na parte superior e 37cm de lado - ambas não foram pintadas por Velázquez.
"Supõe-se que tenha sido danificado no incêndio do Alcázar de Madrid de 1734, e que então foi ampliado e montado sobre uma nova moldura", conta o curador, completando que na década de 1980 o trabalho foi submetido a uma restauração "muito pormenorizada", dado que algumas camadas de pintura estavam a desprender-se. "Nesta intervenção, foi decidido manter as partes acrescentadas, se bem que atualmente estejam ocultadas do público que visita o Museu do Prado de Madri, devido a uma segunda moldura. A obra que estamos expondo é a que apresenta as partes acrescentadas", comenta.
Sem data prevista para acabar, a exposição Grandes Formatos segue enquanto as obras não forem vendidas. Em sua nova fase, aos 69 anos, Schmidt afirma que tem consciência que, quando trabalhou com o cinema, fez diferença na cena cultural da cidade. E diz que, agora, também quer ser um referencial nas artes visuais. "Nosso acervo é realmente abundante: outras obras que não estão na galeria, mas posso levar para lá, se alguém se interessar, envolvem artistas como o paraibano Carlos Djalma; o prestigiado Rubem Valentin, algusn pintores Naïff, autodidatas; e um grande conjunto de esculturas do Gustavo Nacre, entre tantas outras obras importantes."