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música

- Publicada em 22 de Fevereiro de 2023 às 18:44

Sobre cantar, lutar e sorrir: 50 Tons de Pretas estão cheias de planos para 2023

50 tons de pretas prepara novas datas do show Tira o teu racismo do caminho,  que também vai virar disco

50 tons de pretas prepara novas datas do show Tira o teu racismo do caminho, que também vai virar disco


RICARDO LAGE/DIVULGAÇÃO/JC
Andressa Pufal Leonarczik
Um dos grandes nomes da cena musical gaúcha da atualidade, o grupo 50 Tons de Pretas anuncia o primeiro espetáculo do ano: o show Tira o teu racismo do caminho vai passar por três cidades do Estado em turnê gratuita. A dupla Dejeane Arruée e Graziela Pires fará a primeira apresentação em Porto Alegre, no Agulha (rua Conselheiro Camargo, 300), dia 09 de março, às 21h, com entrada franca. Em seguida, as artistas passarão por Pelotas, em abril, e Rio Grande — ainda sem data.
Um dos grandes nomes da cena musical gaúcha da atualidade, o grupo 50 Tons de Pretas anuncia o primeiro espetáculo do ano: o show Tira o teu racismo do caminho vai passar por três cidades do Estado em turnê gratuita. A dupla Dejeane Arruée e Graziela Pires fará a primeira apresentação em Porto Alegre, no Agulha (rua Conselheiro Camargo, 300), dia 09 de março, às 21h, com entrada franca. Em seguida, as artistas passarão por Pelotas, em abril, e Rio Grande — ainda sem data.
Montado em 2021, Tira o teu racismo do caminho traz canções autorais de sucesso do disco Voa, lançado em 2020, e do EP Então Vem, de 2021. Além disso, algumas releituras de clássicos do samba estarão presentes. O show, potente como elas, também vem para denunciar a discriminação, trazendo relatos, dados e números que evidenciam o racismo que ainda persiste na sociedade. "É um show muito forte, que nos emociona muito", comenta Grazi. Quando estreou, as apresentações eram feitas, principalmente, em teatros e não chegavam ao público mais popular. Era desejo das cantoras levar esse espetáculo para outros universos: "estamos bem felizes de trazer esse show pro Agulha que é um espaço bem democrático e importante para cultura porto-alegrense. A gente queria levar ele para a noite, para a galera que tem um outro perfil. Queremos mostrar que a luta antirracista é de todos", diz.
Além do show, as artistas foram recentemente contempladas pelo edital Natura Musical, ganhando verba para a produção de um novo disco. Com o mesmo nome do show da turnê, o segundo disco Tira o teu racismo do caminho vai começar a ser produzido ainda esse ano. "A ideia é que até o fim do ano esteja pronto", promete Grazi. "O disco vai ter esse título porque esse nome nos representa muito, ele nos trouxe esse prêmio, nos trouxe muitas alegrias, muitas surpresas", diz Dejeane.
Criado em 2017, em Campo Bom, o 50 Tons de Pretas traz na bagagem uma qualidade artística ímpar e vozes marcantes, usadas para denunciar e combater o que não deve existir. A dupla é destaque por ser expoente na celebração da ancestralidade, engajamento em causas sociais e luta antirracista. Nas canções, Grazi e Dejeane refletem sobre o espaço da mulher negra na sociedade e na música, mas também festejam as delícias de ser quem se é. "A gente usa a música como uma forma de dizer como a gente se sente. Muitas de nossas músicas são um relato das nossas vivências. A gente usa essa ferramenta pra falar das nossas dores, mas principalmente falar das nossas conquistas, das nossas vitórias, de como nosso povo é bonito, potente, talentoso, musical", diz Dejeane.
"A nossa meta enquanto artistas, na parte social, é fazer com que as pessoas parem para pensar um pouco sobre tudo o que a gente traz nas nossas letras. Fazemos uma militância onde a gente possa oferecer para as pessoas afeto, alegria, através da arte. A nossa música é a ferramenta pra lutar sem perder a alegria", diz Grazi.
O Brasil está muito presente nas canções da dupla, seja no contexto social, seja na musicalidade. O som reúne tudo que há de melhor no país: samba, rock, MPB. É um caldeirão melódico. "A gente faz a música preta brasileira, que é a mistura de todos os nossos sons e de tudo que a gente ouvia e de tudo que a gente teve de experiência como artistas e instrumentistas", comenta Grazi.
Chegar onde Dejeane e Graziela chegaram, enfrentando todos os obstáculos que o mundo impõe para pessoas negras, não é fácil. Subir ao palco é mais do que atravessar a escadinha de quatro ou cinco andares que leva a ele. Está mais para escalar a vida, ultrapassar barreiras, se tornar maior do que qualquer coisa — mesmo quando já se desceu do palanque. "Nós, mulheres pretas, fomos muitas vezes silenciadas. Por muitas vezes tivemos que nos calar para manter o espaço que conquistávamos. A gente poder chegar a um espaço que almejávamos, podendo falar o que a gente diz, para nós é muito significativo, e é um caminho sem volta", comenta Grazi. A voz, que antes era só de Dejeane e Graziela, agora entoa a fala de milhares de mulheres que tinham suas vozes abafadas. "A gente precisa falar, porque a gente não fala só por nós, mas por muitas mulheres de muitas gerações que tiveram que se calar. Hoje nós damos voz a elas", completa.
 
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