O feriado desta terça-feira (15), em celebração à proclamação da República, e o dia ensolarado, em Porto Alegre, fizeram várias pessoas prestigiarem as atrações da 13ª Bienal do Mercosul, que já está prestes a encerrar as atividades. O evento, que começou em 15 de setembro e tem como foco os conceitos de trauma, sonho e fuga, acabará no domingo (20). Segundo a organização do evento, a presença de público já passou de 500 mil pessoas, e a expectativa é de fechar a mostra com 800 mil visitantes.
A bienal deste ano apresenta trabalhos de 100 artistas, de 23 nações, em 11 espaços culturais da capital gaúcha. No entanto, neste feriado, apenas o Farol Santander e o Instituto Caldeira foram abertos. No Farol Santander, que está recebendo em média cerca de 3 mil pessoas por dia para prestigiar a arte ali apresentada, uma das obras de maior destaque, que ocupa praticamente todo o saguão central do edifício, é a Pulse Topology.
Do artista mexicano Rafael Lozano-Hemmer, o trabalho é composto por 3 mil lâmpadas, conectadas a um sistema de som, que, no momento em que o visitante coloca o pulso embaixo de um sensor, acompanham o ritmo do coração dessa pessoa. A professora aposentada Vera Coswig, 80 anos, considerou a obra maravilhosa.
“Como as outras da bienal”, frisa. Além do Farol Santander, ela apreciou as exposições que se encontram no Instituto Caldeira, no Cais do Porto e na Fundação Iberê Camargo. Nesse último espaço estavam os trabalhos que, esteticamente, mais lhe tocaram. Porém, Vera enfatiza que as obras que estão no cais causam reflexão, com a abordagem de importantes problemas sociais. “A arte me impactou, me questionou”, admite.
Um exemplo citado por Vera é a instalação Zero Tolerance Silver Clouds, da brasileira radicada no México, Marilá Dardot, que através de balões, movimentados por ventiladores dentro de uma jaula, remete ao drama vivido por crianças que foram separadas dos seus pais nos Estados Unidos, devido a políticas anti-imigração adotadas pelo ex-presidente norte-americano, Donald Trump. “Que coisa, como foi possível expressar ali o que as crianças sentiam”, destaca a ex-professora. Outro trabalho mencionado por Vera é o do artista José Bento, que chamou a atenção para a falta de cilindros de oxigênio hospitalares no período crítico da pandemia de Covid-19.
Durante a visita ao Farol Santander, Vera esteve acompanhada do seu marido, o servidor público federal, Egon Coswig, 81 anos, que se disse impressionado e surpreso com a bienal. Questionado sobre a sua impressão do trabalho Pulse Topology, ele foi sucinto: “estranho”, ao que Vera retrucou imediatamente “é magnifico”.
Já a professora Thaís Fleck Velho, 34 anos, desde criança frequenta as bienais e a edição deste ano, segundo ela, abrangeu muita tecnologia. “As exposições sempre eram, entre aspas, práticas, no chão ou suspensas, e a tecnologia junto com a bienal é ótimo, perfeito”, aponta. Thaís ressalta que essa característica permite mais a interação e a atração de diversos públicos, como o infantil e os jovens.
Se a professora já tinha experiências em bienais, o dentista Hiago Gonçalves Garcez, 30 anos, aproveitou o feriado para ir na sua primeira. Ele salienta que não se pode deixar escapar a oportunidade. “A gente não tem, normalmente, essas exposições ao longo do ano”, argumenta. Hiago pretende ir no final de semana na Fundação Iberê Camargo para observar mais obras, antes que a 13ª Bienal do Mercosul acabe.
Locais e horários das exposições:
Arte Urbana:
Cúpula Casa de Cultura Mario Quintana, Largo Moacyr Scliar – Orla do Guaíba, Travessa dos Cataventos, Avenida Borges de Medeiros.
Cais/Armazém A6:
Av. Pres. João Goulart, 158 – Centro.
Entrada – Cais Embarcadero.
Terça a domingo, das 9h às 19h.
Casa de Cultura Mario Quintana:
R. dos Andradas, 736 – Centro Histórico.
Terça a domingo, das 10h às 20h.
Margs:
Praça da Alfândega, s/n – Centro Histórico.
Terça a domingo, das 9h às 19h.
Memorial do Rio Grande do Sul:
R. Sete de Setembro, 1020.
(Praça da Alfândega) – Centro Histórico.
Terça a domingo, das 9h às 19h.
Farol Santander:
R. Sete de Setembro, 1028.
(Praça da Alfândega) – Centro Histórico.
Terça a domingo, das 9h às 19h.
Paço Municipal:
Praça Montevideo, 10 – Centro Histórico.
Segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h30min às 17h.
Fronteiras do Pensamento – Casa da Ospa
Av. Borges de Medeiros, 1501 – Praia de Belas.
Segunda a sexta, das 8h às 18h.
Fundação Iberê Camargo:
Av. Padre Cacique, 2000 – Cristal.
Quinta a domingo, das 14 às 19h.
Instituto Caldeira:
Rua Frederico Mentz, 1606 – Navegantes.
Segunda a sexta, das 8h às 18h.
Instituto Ling:
R. João Caetano, 440 – Três Figueiras.
Terça a sábado, das 10h30 às 20h.