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Audiovisual

- Publicada em 10 de Maio de 2022 às 15:19

Curta-metragem conta história adaptada de Romeu e Julieta em Libras

Obra audiovisual do Grupo Signatores integra o Cultura Inglesa Festival

Obra audiovisual do Grupo Signatores integra o Cultura Inglesa Festival


Gil Tuchtenhagen/ Divulgação/JC
Adriana Lampert
Adaptado do clássico de William Shakespeare, Romeu e Julieta, do Grupo Signatores, estreia na programação do 24º Cultura Inglesa Festival. O curta-metragem com elenco composto somente por atores surdos, e dirigido por Adriana Somacal, apresenta os conflitos vivenciados pela comunidade surda no Brasil, através de um embate entre Montéquios e Capuletos, durante as festas de Carnaval. O filme poderá ser conferido gratuitamente pelo site https://culturainglesafestival.com.br/ até o dia 4 de junho.
Adaptado do clássico de William Shakespeare, Romeu e Julieta, do Grupo Signatores, estreia na programação do 24º Cultura Inglesa Festival. O curta-metragem com elenco composto somente por atores surdos, e dirigido por Adriana Somacal, apresenta os conflitos vivenciados pela comunidade surda no Brasil, através de um embate entre Montéquios e Capuletos, durante as festas de Carnaval. O filme poderá ser conferido gratuitamente pelo site https://culturainglesafestival.com.br/ até o dia 4 de junho.
Rodado em Libras (Língua Brasileira de Sinais), o filme viabiliza legendas em Português e Inglês; e em breve terá uma versão com recursos de áudio-descrição. "Mas o destaque é a linguagem de sinais, que tem tamanha importância na narrativa que é quase como se fosse mais um personagem" da trama, observa a diretora.
Doutoranda em Teatro pela Universidade de Santa Catarina (Udesc); Mestre e Licenciada em Teatro pela Ufrgs, e professora de Teatro Bilíngue (Libras e Português) no Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC), Adriana pesquisa a obra do dramaturgo através da linguagem de sinais desde 2017. "O texto de Shakespeare é poético e extremamente visual, então o recurso de Libras se torna perfeito, porque também é visual", considera a diretora. Ela sinaliza outra escolha com critério de representatividade: "Neste filme, Romeu e Julieta são interpretados por atores pretos, pois consideramos que o protagonismo de atores pretos e surdos é muito importante", reforça.
Adriana comenta que antes de se tornar um curta-metragem, o projeto original previa uma peça de teatro com estreia agendada para 2020 - que acabou não ocorrendo em função da pandemia de Covid-19. Neste período, o Grupo Signatores decidiu alterar o formato da montagem para o audiovisual. "A partir daí, o roteiro foi completamente reformulado e toda a produção foi remodelada - fomos atrás de uma equipe preparada para a linguagem cinematográfica. Nosso maior desafio foi adaptar o orçamento."
As filmagens acabaram ocorrendo somente em 2021, no teatro Bruno Kiefer e em outras dependências da Casa de Cultura Mário Quintana. O resultado é uma obra de 14 minutos de duração. "No entanto, trabalhamos em torno de dois anos para que tudo fosse concluído, desde a pré-produção, passando pelas filmagens (que cumpriram todos os protocolos de segurança contra a Covid-19) até a pós-produção", resume Adriana.
Ao explicar que a adaptação do clássico chega com uma estética contemporânea, a diretora destaca que a Verona da história do filme é uma cidade fictícia. "Apostamos em uma estética visual poética, experimental e híbrida, que transita entre o cinema e o teatro. Não tentamos recriar nada de forma realista; e é importante frisar que este trabalho foi roteirizado e produzido como curta-metragem, não se trata de teatro filmado", pondera.
Além de dirigir, Adriana Somacal assina a adaptação de roteiro em conjunto com Eduardo Ayres. A produção executiva é de Daniela Lopes e Eduardo Ayres; enquanto Gil Tuchtenhagen responde pela direção de fotografia; e Valéria Verba assina a direção de arte. "Queremos passar o entendimento de que as pessoas surdas apenas se comunicam com uma linguagem diferente, e integram uma minoria linguística, sem mostrar a falta de algo, mas, pelo contrário, o potencial da linguagem de sinais", explica a diretora desta nova versão de Romeu e Julieta.
Adriana conta com outras experiências na área das artes cênicas e audiovisuais com surdos e assina a direção das peças de teatro Alice no País das Maravilhas (2015), O ensaio de Alice (2013), Memória na ponta dos dedos (2012), e Aventuras no Reino Surdo (2011). Também dirigiu o curta-metragem Entre Palhaços e Parafusos (2021) e o documentário Iyalodês: Diálogos sobre maternidade, surdez e negritude (2022), produção voltada a discutir a maternidade de mães surdas, pretas e de periferia. 
Ela afirma que esta é a primeira vez que o clássico de Shakespeare é apresentado em uma produção de curta-metragem com recursos de Libras no Brasil, e celebra a parceria com o festival da Cultura Inglesa, que colocou a equipe em contato com produções brasileiras e britânicas.
No filme, os acontecimentos são apresentados sob a ótica de um apresentador de TV, que comanda um programa sensacionalista. "O amor dos jovens nasce não somente em meio a uma realidade de ódio, rivalidade entre as gangues Capuletos e Montéquios, mas também em meio à exploração da violência pela mídia", explica. Desta forma, o grupo busca questionar o papel da mídia e das redes sociais na incitação ao ódio. "No curta, por exemplo, o apresentador chama o Carnaval de 'perigoso e coisa de vagabundo'", revela Adriana.
O Grupo Signatores (especializado em investigar os processos de construção da linguagem artística própria da cultura surda) ainda participa de duas atividades pela programação do Festival. No dia 14 de maio, das 13h às 14h, a equipe participa de um bate-papo com a atriz Susie Lark (integrante de outro projeto inserido no evento), com mediação de Péricles Silveira. E no dia 15 de maio, também da 13h às 14h, haverá uma exibição comentada de Romeu e Julieta, com a presença do elenco, da direção e outros integrantes da equipe. Ambas sessões ocorrem pela internet e terão tradução em Libras.
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