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Patrimônio

- Publicada em 22 de Abril de 2022 às 17:00

Impasse entre associação de amigos e atual gestão envolve o Theatro Guarani, em Pelotas

Dentre os objetivos da entidade, está uma reforma no prédio do cineteatro, que data do início do século XX

Dentre os objetivos da entidade, está uma reforma no prédio do cineteatro, que data do início do século XX


Associação dos Amigos do Theatro Guarany/ Divulgação/JC
Adriana Lampert
No próximo dia 30 de abril, o Theatro Guarany, de Pelotas, completa 101 anos de existência. O espaço que abriu as portas com a apresentação da ópera O Guarany, de Carlos Gomes, é palco não só de apresentações teatrais, mas de cinema, e atualmente também tem sido usado como local de eventos no município. No entanto, por trás de todo o glamour do cineteatro - que é considerado pelos organismos oficiais de turismo da cidade como importante equipamento cultural -, há um impasse sobre o futuro de sua administração.
No próximo dia 30 de abril, o Theatro Guarany, de Pelotas, completa 101 anos de existência. O espaço que abriu as portas com a apresentação da ópera O Guarany, de Carlos Gomes, é palco não só de apresentações teatrais, mas de cinema, e atualmente também tem sido usado como local de eventos no município. No entanto, por trás de todo o glamour do cineteatro - que é considerado pelos organismos oficiais de turismo da cidade como importante equipamento cultural -, há um impasse sobre o futuro de sua administração.
Fruto de uma sociedade familiar que, com o passar do tempo, gerou novos proprietários após o falecimento dos fundadores, atualmente o Theatro Guarany é administrado pela empresa Zambrano & Zambrano Ltda. No entanto, parte dos sócios está mobilizada para que as atividades do espaço passem a ser geridas pela Associação dos Amigos do Theatro Guarany, fundada recentemente.
De acordo com seus idealizadores,  o projeto vem sendo aperfeiçoado há cerca de dez anos. Além de impulsionar as atividades desenvolvidas no cineteatro, a Associação - que reúne, além de parte dos sócios do espaço, também membros da sociedade civil e do poder público - surge com a finalidade de manter e renovar o patrimônio, para que ele possa seguir de portas abertas, explica o juiz de trabalho Guilherme da Rocha Zambrano, que está entre o grupo de proprietários e é membro do conselho curador da entidade.
"O prédio do Theatro Guarany vem se deteriorando, e atualmente apresenta sinais disso, como a pintura da fachada descascando. Na parte interna, falta ar-condicionado, as cadeiras são muito antigas e de madeira e várias estão com problemas de estofamento, a ponto de faltar assentos; outras chegam a ter a ferragem exposta. Também há relatos de mofo nos camarotes, e reclamações sobre a estrutura dos banheiros, só para citar alguns exemplos", denuncia o juiz de trabalho. 
Segundo ele, a atual administração "é imediatista e tem horizontes estreitos". "Isso está prejudicando o Guarany e a comunidade", lamenta. Guilherme Zambrano destaca que, inclusive, entre os planos que devem ser implementados pela Associação "em breve" está uma maior aproximação com a comunidade pelotense.
Ele garante que o grupo fundador da entidade vem trabalhando, na última década, para renovar a administração do local, conciliar conflitos e evitar o risco de encerramento das atividades, como aconteceu com outros patrimônios culturais no Estado. "Uma das suas marcas deve ser a construção colaborativa do futuro do teatro e a democratização do acesso à cultura, e nada mais justo que tenha a participação da sociedade civil", explana o sócio proprietário - que, segundo ele, não tem acesso à administração atual. "Além disso, esse novo modelo permite que o poder público possa investir em uma reforma do prédio, a exemplo do que está ocorrendo no Theatro São Pedro, em Porto Alegre."
"Este é um sonho de muitos anos que agora começa a mobilizar mais pessoas e a mostrar para toda a sociedade que o Guarany não apenas está vivo, mas também preparado para seguir sendo uma referência cultural e de orgulho para pelotenses e gaúchos", emenda o também fundador e membro do Conselho Curador da Associação, Alexandre Zambrano. Segundo ele, a aproximação com a comunidade será essencial na formatação do programa cultural do teatro e na valorização da sua história.
Alexandre Zambrano pontua que a preocupação principal é com a estrutura física, por se tratar de um prédio do início do século XX e cuja preservação e modernização devem ser permanentes. "Com a participação de todos, podemos vislumbrar o teatro não apenas funcionando, mas também se atualizando e modernizando nas décadas e nos séculos vindouros", concorda Nelson Zambrano, outro fundador e também membro do Conselho Curador.
Segundo o grupo, um dos pilares que motivou a criação da entidade é ampliar a dimensão social do teatro, através de oficinas em escolas municipais para que crianças e adolescentes conheçam e entendam a importância do espaço, além de uma programação diversificada e a promoção de ações sociais que beneficiem a comunidade.
Atual gestão afirma que não reconhece Associação
A visão da atual administração sobre a situação em torno do Theatro Guarani é distinta. Em nota, a diretora da Zambrano & Zambrano, Andréia Fetter Zambrano, afirma que a empresa "não reconhece a autointitulada Associação Amigos do Theatro Guarany como meio idôneo de relacionamento" com o espaço. "O prédio do Theatro Guarany pertence a sete pessoas e, destas, cinco não fazem parte da referida Associação", destaca. 
Guilherme Zambrano afirma que a atual administração não tem pago a locação do espaço. Neto de Maria de Lourdes Guimarães Zambrano, viúva de um dos fundadores do Guarany, ele diz que a dívida já está em torno de R$ 150 mil e que, inclusive o contrato de locação venceu em janeiro deste ano e não foi prorrogado. Ele declara que Andréia e os outros quatro proprietários que não participam da Associação foram convidados a participar, mas se negaram.
"Queremos que minha avó - que detém uso fruto de 50% do patrimônio - exerça seu direito de  receber os recursos provenientes das atividades no teatro, sem apropriação dos lucros de uma empresa intermediária como acontece hoje", detalha o juiz de trabalho.
Na contramão, Andréia Fetter argumenta, também em nota, que "os proprietários do prédio do Theatro Guarany têm contrato de locação com a empresa Zambrano & Zambrano Ltda. em pleno vigor". A diretora da empresa acrescenta que "qualquer benefício oferecido neste momento pela referida associação em relação ao uso do Theatro Guarany é inexequível." 
"Queremos um novo capítulo", diz membro do conselho curador
"Nossa proposta é de união: que todos os interessados possam estar juntos para que o teatro viva novas histórias de sucesso. Queremos colaborar, fazer renascer essa história com o apoio de todos e iniciar um novo capítulo que dê ainda mais orgulho para Pelotas e o Estado", frisa o deputado Luiz Antônio Covatti, fundador e membro do conselho curador da Associação.
Segundo ele, estão habilitadas a se associarem tanto pessoas físicas quanto jurídicas (essas últimas na categoria de parceiros, que terão vantagens específicas nas suas relações com o teatro). No site da ATG é possível conferir o estatuto e preencher o formulário de associação, que neste primeiro momento é gratuita (com eventuais contribuições espontâneas).
"Imaginamos a quantidade de pessoas que nunca teve acesso ao Theatro Guarany e nem a oportunidade de ver uma apresentação no local. Isso nos entristece, porque a cultura e a arte precisam chegar a todos e transformar a sociedade. A associação também está preocupada com isso", destaca o também fundador e diretor da associação, Fernando Witt. 
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