Hugo Muller, vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
A COP30, sediada em Belém, no Pará, representa uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar seu protagonismo ambiental diante do mundo. No entanto, a repercussão do evento tem revelado mais fragilidades do que soluções concretas. A falta de estrutura, os altos custos e a desorganização lembram, ainda que em outro contexto, o que ocorreu na Copa do Mundo: uma promessa de avanço que terminou expondo ineficiências e desperdícios.
O discurso oficial tenta vender a ideia de que a COP30 consolidará o País como líder na preservação ambiental. Mas essa ambição tem se apoiado em uma narrativa limitada, que privilegia símbolos e slogans, deixando de lado o que realmente sustenta o potencial brasileiro nesse debate. A Amazônia é, sem dúvida, uma fortaleza nacional e parte importante da nossa identidade, mas não é a única força do Brasil. O foco excessivo na floresta tem ofuscado outras vantagens estratégicas do País, capazes de reposicioná-lo como potência sustentável de fato.
O Brasil dispõe de uma matriz energética majoritariamente limpa, sustentada por fontes renováveis; um agronegócio altamente eficiente e tecnológico, que garante a segurança alimentar de grande parte do planeta; e uma liderança consolidada em biocombustíveis e etanol, referências mundiais de sustentabilidade produtiva. Esses são os pilares que deveriam orientar o debate internacional, evidências concretas de que é possível conciliar desenvolvimento, produtividade e responsabilidade ambiental.
Entretanto, a repercussão pública e midiática da COP30 tem seguido outro caminho. Fala-se muito mais sobre os erros políticos, as gafes presidenciais e os custos de organização do que sobre o papel estratégico que o Brasil poderia desempenhar no novo cenário global da sustentabilidade. A discussão acaba se perdendo em polêmicas passageiras, enquanto o país desperdiça a chance de mostrar ao mundo o que realmente o diferencia: sua capacidade de unir eficiência produtiva, inovação e recursos naturais em um modelo de desenvolvimento singular.
O Brasil enfrenta, de fato, inúmeros desafios – desde uma crise institucional até uma recorrente instabilidade econômica e fiscal. Porém, quando o tema é sustentabilidade genuína, o País não apenas tem um enorme potencial, como também já apresenta resultados concretos que poderiam nos posicionar como referência mundial. Já passou da hora de reconhecermos e valorizarmos devidamente o papel do agronegócio brasileiro.
A COP30 poderia ser a vitrine de um Brasil moderno, que lidera pelo exemplo e pela produtividade. Mas, se continuar guiada por discursos simbólicos, disputas políticas e promessas vagas, corre o risco de repetir um velho roteiro nacional: grandes expectativas, pouca entrega e uma conta alta, não apenas financeira, mas também de credibilidade.