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Visão Empresarial

Publicada em 20 de Agosto de 2025 às 19:07

Brasil, me diz com quem tens andado

Hugo Muller, vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

Hugo Muller, vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

/IEE/DIVULGAÇÃO/JC
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Agências
Hugo Muller, vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
Hugo Muller, vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
“Me diz com quem andas e te direi quem és.” Esse ditado popular não poderia ser mais atual quando pensamos nas escolhas do Brasil no âmbito de suas relações internacionais. A política externa não é somente comércio ou diplomacia, ela revela nossos valores e o rumo que queremos seguir.
Nos últimos anos, o Brasil tem se aproximado de regimes que restringem liberdades básicas, que institucionalizam a homofobia, limitam os direitos das mulheres e mantêm suas populações sob forte coerção estatal, como Irã e Rússia. Ao mesmo tempo, nos distanciamos de nações que, apesar de suas imperfeições, foram pilares da cultura de liberdade e prosperidade que moldaram o mundo moderno. Desde os Founding Fathers, os EUA simbolizaram a defesa do indivíduo contra o arbítrio – um legado que inspirou movimentos em prol da liberdade e do livre mercado no planeta.
É claro que não precisamos concordar com toda política tarifária ou decisão político-econômica de outra nação, como as recentemente aplicadas pelo governo americano. O questionamento e a discussão acerca de aspectos com impacto na economia brasileira nunca deixarão de ser relevantes. Porém, o ponto central é outro: não podemos renunciar aos valores fundamentais que nos formaram como sociedade livre. Esses valores só permanecem vivos enquanto houver quem esteja disposto a não ceder um centímetro no que diz respeito à liberdade. O brasileiro não abandonou seus valores, eles se mantêm. Entretanto, estamos perdendo uma guerra de narrativas que nos leva na contramão do que defendemos.
Nesse contexto, cabe fazer algumas perguntas, quem sabe incômodas: será que o brasileiro realmente acredita que podem existir exceções à liberdade de expressão? Será legítimo aceitar que medidas autoritárias sejam justificadas em nome da “defesa da democracia”? Vale lembrar que todos que já praticaram atrocidades na história o fizeram sob a bandeira de uma causa nobre. O perigo é evidente quando a narrativa de proteger a democracia se transforma em autorização para reduzir a liberdade individual. O legado histórico desse tipo de ação nos mostra que o resultado é o oposto daquilo que foi prometido.
O brasileiro, em sua essência, é trabalhador, cordial, criativo e amante da liberdade. Mas com quem andamos no cenário internacional, e até no debate interno, dirá muito sobre quem somos e quem desejamos ser. Se escolhermos andar com regimes que compartilham de princípios diferentes dos nossos, acabaremos nos tornando espelho deles, como já vem ocorrendo no cenário em que estamos vivendo. A narrativa nem sempre reflete os reais motivadores de quem a cria, e me parece que não estamos sendo fiéis ao que o brasileiro quer e precisa. Porque, no fim das contas, olhando com quem estamos andando, já dá para se ter uma ideia do que poderemos nos tornar.
 

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