João Satt
Aborda temas essenciais do mundo atual intercalados com posições humanistas a respeito de comunicação, economia, vida, política e sociedade, sempre tendo como foco o mundo globalizado.
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Aborda temas essenciais do mundo atual intercalados com posições humanistas a respeito de comunicação, economia, vida, política e sociedade, sempre tendo como foco o mundo globalizado.
Publicada em 13 de Outubro de 2026 às 18:10
Nunca gostei muito de futebol. Ainda jovem, me fascinei pela velocidade, nuances e sutilezas da política. O que me levou à MPM, então a maior agência brasileira, onde trabalhei ao lado de Antonio Mafuz, um dos maiores conhecedores da natureza humana que encontrei. Inteligente, sensível e dono de uma intuição extraordinária, verdadeiro sniper, capaz de identificar ambições, fragilidades e contradições. Surpreendia ao afirmar que confiava mais na força do candidato do que no marketing. Costumava repetir: “Quem ganha ou perde a eleição é o candidato. O resto é o resto”.
Nas eleições para o governo do Rio Grande do Sul, organizamos um grupo de trabalho para acompanhar candidatos, analisar debates e monitorar pesquisas. A trajetória de Luciano Zucco chamou nossa atenção desde o primeiro debate, ainda no verão, em Torres, promovido pela Famurs. Sua evolução, refletida nas pesquisas, revelava alguém obstinado em compreender o que movia os gaúchos: suas dores, frustrações, expectativas. À medida que os dias passavam, mais pessoas passavam a observá-lo e considerá-lo como um potencial candidato.
Fechamos o primeiro ciclo das consolidações no dia em que iniciavam os programas eleitorais: Zucco já estava em primeiro lugar. O mais importante era observar as curvas de adesão a ele nos recortes de públicos analisados. Quando li o relatório, não pude deixar de lembrar das minhas conversas com Mafuz, afinal, “quem ganha ou perde a eleição é o candidato...”
Agora, as atenções se voltam para o segundo turno presidencial, em um Brasil emocionalmente desgastado, bombardeado por opiniões e desinformação. Nunca tivemos tanta informação e, paradoxalmente, tanta dificuldade para decidir em quem confiar.
O filósofo Byung-Chul Han, com leveza e simplicidade, nos avisa: mudou o código social. Estamos migrando de uma sociedade disciplinar, orientada pelo dever, para outra marcada pela competição e pela cobrança permanente de resultados. Isso explica muito dos conflitos geracionais, assim como das frustrações que pegam sorrateiramente a todos. Movimentos pendulares entre direita e esquerda sempre existiram. O fato novo: o pêndulo não se movimenta apenas porque a sociedade muda de opinião, mas porque está cansada de esperar. O eleitor não decide apenas por conceitos publicitários, mas por confiar em quem acredita ser capaz de responder às suas expectativas. O sentido não oscila apenas entre direita e esquerda, mas entre esperança e frustração. São dois desafios: o primeiro é ser eleito; o segundo é não frustrar.
Sob a ótica estratégica, são dois aspectos centrais:
É necessário compatibilizar proteção, estímulo ao empreendedorismo e desenvolvimento econômico e bem-estar social. Com certeza, não são projetos opostos. A grandeza de uma liderança se revela na capacidade de transformar a realidade, superando os limites e os muros que dividem a sociedade.