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Visão de Mercado
João Satt

João Satt

Publicada em 25 de Fevereiro de 2026 às 00:25

Profundidade

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João Satt Colunista
Existe uma diferença sensível entre definir o melhor caminho e executar a jornada do como fazer. Ao longo de 40 anos venho sendo provocado por desafios distintos: transformar uma farmácia em marca-desejo; uma cooperativa de crédito em pertencimento e acolhimento; uma rede de materiais de construção em um ponto de facilidade, entre tantos outros. Você, em algum momento, já escutou: "Ninguém facilita tanto", "Você sempre bem", "Gente que coopera cresce" ou "Em matéria de pintura, quem dá as tintas…".São algumas das muitas marcas que ajudamos a construir para transformar a vida das pessoas.O ponto de partida é a consciência do ponto A: aquilo que a marca comunica toca o mercado? Medir significado é mais relevante do que popularidade. A partir dessa consciência, formula-se o caminho capaz de produzir uma nova onda de crescimento. O ponto B — onde consistência e intensidade se encontram — traz como bônus velocidade de vendas e captura de valor por meio de melhores margens. A estratégia é o fio condutor de tudo: orienta a pesquisa, inspira o design, define o enquadramento e o posicionamento, alinha a operação, integra comunicação e PR, fortalece a relação com a imprensa e culmina na experiência do cliente. Ter acesso aos códigos dos gatilhos que movem decisores transforma relacionamentos superficiais em negócios sustentáveis. O CEO enxerga o mapa, mas nem sempre dispõe de todas as peças. A aceleração surge da combinação entre informação profunda, insights potentes e ideias criativas que dão alma e sentido à marca, gerando preferência. Começar pela estratégia é fundamental para que o marketing traga as melhores respostas. Não se pede ao construtor inspiração arquitetônica, assim como não cabe ao arquiteto executar a obra. Há os que definem o caminho (estrategistas) e os que realizam a jornada (marketing). A inspiração do arquiteto orienta; a execução do construtor materializa. Sem direção, execução vira esforço; sem execução, direção permanece intenção. A questão central é compreender o porquê sim e o porquê não da preferência.Caso contrário, tudo vira tentativa e erro: um videogame caro e improdutivo.A habilidade de conduzir a relação entre marca, cliente e mercado define o jogo.O impacto começa na narrativa. O conteúdo carrega a proposta de valor; a expressão traduz significado e transforma a marca em referência mental da categoria. Marcas que não compreendem a verdade do mercado simplesmente não tocam as pessoas. O que faz sentido move escolhas. A verdade revela que a estruturação da narrativa orienta decisões: seja de uma mãe ao escolher o alimento do filho, a um caminhoneiro diante de um novo combustível. Aqui surge o ponto de inflexão: a qualidade da informação. Sem consciência da verdade não se alcança coerência, tampouco consistência. Pérolas não se revelam na pressa; exigem tempo, mergulho e profundidade. A urgência entrega velocidade, mas raramente entrega valor. Quando a pressa passa, o que resta pode ser uma operação impecável com um resultado sofrível. Talvez o verdadeiro risco não esteja em ir devagar, mas em nunca ir fundo.

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